07/11/2001
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04h17
free-lance para a Folha
Mesmo com preços altos e pouca propaganda, a fotografia digital está deixando de ser um nicho de mercado. A ordem é dominar as vendas em cinco anos, já que a migração do analógico para o digital é considerada inevitável.
O instituto norte-americano InfoTrends, que estuda o mercado de imagem, revelou em pesquisa de setembro deste ano que 21% das câmeras vendidas no mundo já são digitais. E a previsão é que, em 2006, as digitais atinjam 63%, gerando às empresas um faturamento de US$ 9,9 bilhões.
A fatia de 21% já conquistada significa uma vitória para as principais fabricantes, como Sony, Olympus, Canon e Epson. "Há três anos, o mercado das digitais praticamente não existia. Estava restrito aos usuários profissionais de publicidade e jornalismo", afirma Ricardo Junqueira, gerente do setor de câmeras digitais da Sony no Brasil.
Hoje são os usuários amadores que mais se interessam por elas, mesmo que ainda não tenham se separado das automáticas. É como o DVD: o consumidor não substituiu o videocassete; apenas não resistiu à curiosidade e à qualidade da imagem digital.
Quem compra uma câmera digital no Brasil hoje quer, ao mesmo tempo, livrar-se da obrigação de comprar filmes para revelar e usar funções como apagar as fotos ruins, vê-las no visor colorido e tratá-las em seu micro para depois imprimi-las em casa.
Produtora da linha de digitais Mavica -a mais popular em São Paulo, segundo lojistas-, a Sony brasileira vem registrando uma mudança no perfil do consumidor. "Ele está mais exigente, ávido por mais qualidade na captura da foto e mais efeitos. É por isso que as vendas da Mavica estão perdendo espaço para o modelo Cyber-shot, que tira fotos de mais definição e as grava em cartões de memória", afirma Junqueira. Do ano passado para cá, a Cyber-shot passou de 5% para 40% nas vendas da Sony do Brasil, e a Mavica caiu de 95% para 60%.
Perto de países como Japão, Estados Unidos e Alemanha, o Brasil ainda é um pontinho preto no mapa da fotografia digital. Segundo o estudo Performa 2000, elaborado por profissionais de imagem e pela revista "Fhox" (do setor), o Brasil representou, no ano passado, 2% do consumo de câmeras fotográficas no mundo, entre analógicas e digitais -foram 2,2 milhões de câmeras vendidas, das quais apenas 18 mil digitais.
Ainda não há um número oficial das vendas de 2001, mas as fabricantes com sede no Brasil afirmam ter registrado um crescimento de 40% nas vendas em comparação ao ano passado.
O preço alto, perto das analógicas, e a exigência de ter um computador com bastante memória são as principais causas para as vendas no Brasil ainda não terem explodido. Outra razão é o fato de a revelação de filmes ainda ser muito lucrativa para prestadores desse tipo de serviço e para quem produz filmes.
"Uma solução seria entrarmos em acordo com os lojistas para cedermos equipamentos de impressão de fotos. Com isso, o consumo de câmeras e de impressão digitais seria estimulado", afirma o gerente de câmeras digitais da Epson do Brasil, Ricardo Mattiazzo.
Outro estímulo de vendas são os novos modelos que chegam às lojas. A Epson promete esquentar a concorrência com a nova 2100z, que tem algumas características de câmeras profissionais. O preço, em torno de R$ 2.000, concorre com o da Sony Cyber-shot.
Ainda não dá para comparar o preço de uma digital ao de uma analógica de qualidade. Uma automática da Pentax custa R$ 500.
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ADRIANA LUTFIfree-lance para a Folha
Mesmo com preços altos e pouca propaganda, a fotografia digital está deixando de ser um nicho de mercado. A ordem é dominar as vendas em cinco anos, já que a migração do analógico para o digital é considerada inevitável.
O instituto norte-americano InfoTrends, que estuda o mercado de imagem, revelou em pesquisa de setembro deste ano que 21% das câmeras vendidas no mundo já são digitais. E a previsão é que, em 2006, as digitais atinjam 63%, gerando às empresas um faturamento de US$ 9,9 bilhões.
A fatia de 21% já conquistada significa uma vitória para as principais fabricantes, como Sony, Olympus, Canon e Epson. "Há três anos, o mercado das digitais praticamente não existia. Estava restrito aos usuários profissionais de publicidade e jornalismo", afirma Ricardo Junqueira, gerente do setor de câmeras digitais da Sony no Brasil.
Hoje são os usuários amadores que mais se interessam por elas, mesmo que ainda não tenham se separado das automáticas. É como o DVD: o consumidor não substituiu o videocassete; apenas não resistiu à curiosidade e à qualidade da imagem digital.
Quem compra uma câmera digital no Brasil hoje quer, ao mesmo tempo, livrar-se da obrigação de comprar filmes para revelar e usar funções como apagar as fotos ruins, vê-las no visor colorido e tratá-las em seu micro para depois imprimi-las em casa.
Produtora da linha de digitais Mavica -a mais popular em São Paulo, segundo lojistas-, a Sony brasileira vem registrando uma mudança no perfil do consumidor. "Ele está mais exigente, ávido por mais qualidade na captura da foto e mais efeitos. É por isso que as vendas da Mavica estão perdendo espaço para o modelo Cyber-shot, que tira fotos de mais definição e as grava em cartões de memória", afirma Junqueira. Do ano passado para cá, a Cyber-shot passou de 5% para 40% nas vendas da Sony do Brasil, e a Mavica caiu de 95% para 60%.
Perto de países como Japão, Estados Unidos e Alemanha, o Brasil ainda é um pontinho preto no mapa da fotografia digital. Segundo o estudo Performa 2000, elaborado por profissionais de imagem e pela revista "Fhox" (do setor), o Brasil representou, no ano passado, 2% do consumo de câmeras fotográficas no mundo, entre analógicas e digitais -foram 2,2 milhões de câmeras vendidas, das quais apenas 18 mil digitais.
Ainda não há um número oficial das vendas de 2001, mas as fabricantes com sede no Brasil afirmam ter registrado um crescimento de 40% nas vendas em comparação ao ano passado.
O preço alto, perto das analógicas, e a exigência de ter um computador com bastante memória são as principais causas para as vendas no Brasil ainda não terem explodido. Outra razão é o fato de a revelação de filmes ainda ser muito lucrativa para prestadores desse tipo de serviço e para quem produz filmes.
"Uma solução seria entrarmos em acordo com os lojistas para cedermos equipamentos de impressão de fotos. Com isso, o consumo de câmeras e de impressão digitais seria estimulado", afirma o gerente de câmeras digitais da Epson do Brasil, Ricardo Mattiazzo.
Outro estímulo de vendas são os novos modelos que chegam às lojas. A Epson promete esquentar a concorrência com a nova 2100z, que tem algumas características de câmeras profissionais. O preço, em torno de R$ 2.000, concorre com o da Sony Cyber-shot.
Ainda não dá para comparar o preço de uma digital ao de uma analógica de qualidade. Uma automática da Pentax custa R$ 500.
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