24/11/2001
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05h57
da Folha de S.Paulo
Personagens dos desenhos Pokémon, Digimon e Dragon Ball Z, conhecidos por serem verdadeiras febres entre as crianças, estão tendo sua imagem vinculada à pornografia na internet.
O site www.poketudo.om3.net, embora não-oficial, tinha imagens, textos, jogos e gravuras dos personagens infantis e links para desenhos pornográficos, conhecidos como hentais. Na última segunda-feira, antes de ser retirado do ar pelo Ministério Público, o site registrava 6.222 visitantes.
A denúncia chegou à Folha pela jornalista Inez de Oliveira, 40, mãe de Camila e Ana Paula, gêmeas de nove anos. Segundo Inez, uma revista infantil que ensinava a baixar papel de parede (imagem de fundo do computador) do Pokémon indicava o site Pokétudo.
No site, as gêmeas acharam um link para desenhos pornográficos. As meninas contaram à mãe que alguns adultos que não gostavam do Pokémon estavam "zoneando" com os personagens.
As figuras mostravam pokémons e outros personagens em posições sexuais, algumas com movimentos. Inez mandou um e-mail para o responsável pela página; no dia seguinte, o site passou a pedir nome e idade do visitante antes de mostrar desenhos pornográficos de Digimon e Pokémon. Para ver hentais do Dragon Ball Z, não era preciso registro.
"Tive duas reações: vontade de rir, porque é uma coisa boba, e fiquei injuriada por ser um site para crianças", afirmou Inez.
Para o promotor dos Direitos Coletivos da Infância Vidal Serrano Nunes, a veiculação das imagens é ilegal e ofende os direitos da criança e do adolescente. "O conteúdo é inadequado. Não há como uma coisa dessas ser mostrada em um site para crianças."
A Promotoria lançou uma portaria instaurando inquérito civil público para investigar o caso e pedindo a retirada do site do ar.
Segundo o psicólogo da Unesp (Universidade Estadual Paulista) Fernando Silva Teixeira Filho, a exposição de crianças a imagens pornográficas pode causar uma erotização precoce e até levar a um trauma posterior.
Para Mauro Marcelo de Lima e Silva, delegado e professor de crimes pela internet, o uso das imagens fere as leis de direitos autorais e dos direitos da criança e pode ser enquadrado no crime de "escrito obsceno".
Segundo o artigo 234 do Código Penal, quem faz, importa ou tem sob a guarda, para comercializar ou expor, desenhos obscenos pode pegar prisão de seis meses a dois anos.
O Ministério Público também determinou que o provedor responsável pela veiculação do site informe os dados de Leandro Eber Ribeiro, que se identifica como autor no site.
A agência licenciadora da marca Pokémon no Brasil informou que não tinha conhecimento da existência do site e que está satisfeita com sua retirada da internet.
A marca Pokémon, segundo a agência, movimenta US$ 110 milhões por ano em vendas no varejo. Segundo representantes legais da Nintendo, que tem o direito autoral do Pokémon, são apreendidas a cada ano 79 toneladas de produtos piratas com a marca.
A agência licenciadora das marcas Digimon e Dragon Ball Z foi procurada pela Folha, mas não se manifestou a respeito.
Para Inez, foi surpresa encontrar, num site infantil, referências à pornografia. Ela diz que conversou com as filhas sobre o conteúdo do site, mas acredita que elas não tenham se chocado. "Elas estão na fase das descobertas, mas acharam que era coisa de gente que não gosta do Pokémon."
Site usa Pokémon em imagem pornográfica
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MELISSA DINIZda Folha de S.Paulo
Personagens dos desenhos Pokémon, Digimon e Dragon Ball Z, conhecidos por serem verdadeiras febres entre as crianças, estão tendo sua imagem vinculada à pornografia na internet.
O site www.poketudo.om3.net, embora não-oficial, tinha imagens, textos, jogos e gravuras dos personagens infantis e links para desenhos pornográficos, conhecidos como hentais. Na última segunda-feira, antes de ser retirado do ar pelo Ministério Público, o site registrava 6.222 visitantes.
A denúncia chegou à Folha pela jornalista Inez de Oliveira, 40, mãe de Camila e Ana Paula, gêmeas de nove anos. Segundo Inez, uma revista infantil que ensinava a baixar papel de parede (imagem de fundo do computador) do Pokémon indicava o site Pokétudo.
No site, as gêmeas acharam um link para desenhos pornográficos. As meninas contaram à mãe que alguns adultos que não gostavam do Pokémon estavam "zoneando" com os personagens.
As figuras mostravam pokémons e outros personagens em posições sexuais, algumas com movimentos. Inez mandou um e-mail para o responsável pela página; no dia seguinte, o site passou a pedir nome e idade do visitante antes de mostrar desenhos pornográficos de Digimon e Pokémon. Para ver hentais do Dragon Ball Z, não era preciso registro.
"Tive duas reações: vontade de rir, porque é uma coisa boba, e fiquei injuriada por ser um site para crianças", afirmou Inez.
Para o promotor dos Direitos Coletivos da Infância Vidal Serrano Nunes, a veiculação das imagens é ilegal e ofende os direitos da criança e do adolescente. "O conteúdo é inadequado. Não há como uma coisa dessas ser mostrada em um site para crianças."
A Promotoria lançou uma portaria instaurando inquérito civil público para investigar o caso e pedindo a retirada do site do ar.
Segundo o psicólogo da Unesp (Universidade Estadual Paulista) Fernando Silva Teixeira Filho, a exposição de crianças a imagens pornográficas pode causar uma erotização precoce e até levar a um trauma posterior.
Para Mauro Marcelo de Lima e Silva, delegado e professor de crimes pela internet, o uso das imagens fere as leis de direitos autorais e dos direitos da criança e pode ser enquadrado no crime de "escrito obsceno".
Segundo o artigo 234 do Código Penal, quem faz, importa ou tem sob a guarda, para comercializar ou expor, desenhos obscenos pode pegar prisão de seis meses a dois anos.
O Ministério Público também determinou que o provedor responsável pela veiculação do site informe os dados de Leandro Eber Ribeiro, que se identifica como autor no site.
A agência licenciadora da marca Pokémon no Brasil informou que não tinha conhecimento da existência do site e que está satisfeita com sua retirada da internet.
A marca Pokémon, segundo a agência, movimenta US$ 110 milhões por ano em vendas no varejo. Segundo representantes legais da Nintendo, que tem o direito autoral do Pokémon, são apreendidas a cada ano 79 toneladas de produtos piratas com a marca.
A agência licenciadora das marcas Digimon e Dragon Ball Z foi procurada pela Folha, mas não se manifestou a respeito.
Para Inez, foi surpresa encontrar, num site infantil, referências à pornografia. Ela diz que conversou com as filhas sobre o conteúdo do site, mas acredita que elas não tenham se chocado. "Elas estão na fase das descobertas, mas acharam que era coisa de gente que não gosta do Pokémon."

