17/12/2001
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16h41
O retorno da alíquota do IPI (Imposto de Produtos Industrializados) para 15% em relação aos produtos importados do setor de informática beneficia os fabricantes com produção local, que, tendo seus projetos aprovados, passam a gozar dos incentivos e se tornam mais competitivos em relação aos competidores importados.
Essa é a visão de Raul Colcher, presidente do grupo de pesquisas Giga Information no Brasil. Para ele, no curto prazo, os beneficiários são indústrias com grandes encomendas recentes, por exemplo os montadores de celulares (Motorola e Nokia, por exemplo). Segundo ele, a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Eletro-Eletrônica) vem pressionando o governo há meses.
Na sexta-feira (14), o presidente Fernando Henrique assinou decreto alterando a alíquota do IPI de produtos importados do setor de informática e telecomunicações. O imposto vai voltar ao patamar anterior para equilibrar a competição com a produção nacional. As alíquotas voltam a 15% para bens finais, 10% para peças e 2%, 5% e 8% para componentes.
A medida modifica a atual alíquota do imposto para esses produtos, em vigor desde dezembro de 2000, fixada pela antiga Lei de Informática em 2%. A mudança tem por objetivo tornar produtos brasileiros —como peças e componentes de informática— mais competitivos para o mercado externo.
Política industrial séria
Para Ivair Rodrigues, gerente de Pesquisa da IDC Brasil, o efeito mais nocivo da redução do IPI para 2%, ocorrida no final de 2000, foi o aumento das importações e a fragilização da produção nacional. "Por um lado, o governo podia arrecadar mais. Mas diversos projetos que estavam prontos para entrar no país foram abortados", diz. "Foi uma perda para o país."
Rodrigues acredita que a nova legislação não é suficiente para retomar a credibilidade do Brasil. "Precisamos de uma política industrial mais séria, de longo prazo, que não mude as regras no meio do jogo", afirmou.
Ele concorda com Colcher —quem mais se beneficiará da nova alíquota é o produtor nacional de componentes. Segundo ele, fabricantes de computadores e eletrônicos não são os que mais ganharão. "Mesmo para o consumidor final, não haverá impacto. Isso porque as margens de lucro já estão bem reduzidas hoje", disse.
Novo IPI para informática beneficia fabricante local
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da Folha OnlineO retorno da alíquota do IPI (Imposto de Produtos Industrializados) para 15% em relação aos produtos importados do setor de informática beneficia os fabricantes com produção local, que, tendo seus projetos aprovados, passam a gozar dos incentivos e se tornam mais competitivos em relação aos competidores importados.
Essa é a visão de Raul Colcher, presidente do grupo de pesquisas Giga Information no Brasil. Para ele, no curto prazo, os beneficiários são indústrias com grandes encomendas recentes, por exemplo os montadores de celulares (Motorola e Nokia, por exemplo). Segundo ele, a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Eletro-Eletrônica) vem pressionando o governo há meses.
Na sexta-feira (14), o presidente Fernando Henrique assinou decreto alterando a alíquota do IPI de produtos importados do setor de informática e telecomunicações. O imposto vai voltar ao patamar anterior para equilibrar a competição com a produção nacional. As alíquotas voltam a 15% para bens finais, 10% para peças e 2%, 5% e 8% para componentes.
A medida modifica a atual alíquota do imposto para esses produtos, em vigor desde dezembro de 2000, fixada pela antiga Lei de Informática em 2%. A mudança tem por objetivo tornar produtos brasileiros —como peças e componentes de informática— mais competitivos para o mercado externo.
Política industrial séria
Para Ivair Rodrigues, gerente de Pesquisa da IDC Brasil, o efeito mais nocivo da redução do IPI para 2%, ocorrida no final de 2000, foi o aumento das importações e a fragilização da produção nacional. "Por um lado, o governo podia arrecadar mais. Mas diversos projetos que estavam prontos para entrar no país foram abortados", diz. "Foi uma perda para o país."
Rodrigues acredita que a nova legislação não é suficiente para retomar a credibilidade do Brasil. "Precisamos de uma política industrial mais séria, de longo prazo, que não mude as regras no meio do jogo", afirmou.
Ele concorda com Colcher —quem mais se beneficiará da nova alíquota é o produtor nacional de componentes. Segundo ele, fabricantes de computadores e eletrônicos não são os que mais ganharão. "Mesmo para o consumidor final, não haverá impacto. Isso porque as margens de lucro já estão bem reduzidas hoje", disse.

