Informática
10/04/2002 - 04h04

Terapeuta ensina a digitar sem ter dor

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CAROLINA MANDL
da Folha de S.Paulo

No próximo dia 18, o terapeuta ucraniano Meir Schneider, 48, virá ao Brasil ensinar algumas técnicas para prevenir e tratar a LER (lesão por esforço repetitivo). A doença atinge músculos e tendões, que ficam irritados. A recuperação total nem sempre é alcançada, principalmente se a doença já se desenvolveu muito.

Para tratá-la, os médicos receitam antiinflamatórios, fisioterapia e, em alguns casos, até operação. Mas medicamentos e cirurgias não fazem parte das indicações de Meir, que dão lugar a técnicas de massagem, respiração e boa postura. O método desenvolvido por ele é a autocura, que ainda não tem comprovação científica, mas encontra vários seguidores nos consultórios brasileiros e até na Ufscar (Universidade Federal de São Carlos).

Para ele, a LER hoje se manifesta de maneira muito mais intensa por causa dos computadores. "A máquina de escrever obrigava as pessoas a tirar, colocar e virar a página. Havia um número maior de movimentos, o que ajudava a evitar a repetição."

De sua escola (School for Self-Healing) em San Francisco (EUA), Meir atendeu à Folha. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

Folha - Qual a principal causa da LER?
Meir Schneider -
Na verdade, eu digo que não há nenhuma lesão por esforço repetitivo. O que está errado é o uso, e isso leva à lesão. A razão para isso é o pouco uso dos braços, dos dedos e até dos olhos. Desde que você é criança, ouve que é preciso segurar de modo firme o lápis para escrever bem. O que acontece é que as crianças acabam digitando com os braços, pescoços e ombros. Os músculos do dedo acabam não trabalhando muito, dando lugar aos outros músculos e até ao abdômen. Precisamos aprender a deixar os músculos específicos do dedo funcionar. A LER acontece tanto por tensão quanto por uso pobre. Quase ninguém aprende a usar os músculos específicos. Os músculos e as juntas vão encurtando. Na digitação, por exemplo, só os dedos devem trabalhar.

Folha - O que pode ser feito para não deixar o corpo ser atingido pelo trabalho feito no computador?
Schneider -
Primeiro, é preciso trabalhar mais os músculos. As pessoas sentam por longas horas, sem se mover. Segundo, relaxar e pensar que os dedos estão fazendo o trabalho, concentrar-se nos músculos dos dedos. Uma técnica pode ser abrir e fechar os dedos. Quando se usa o computador, dobram-se os dedos. É preciso estendê-los para que eles relaxem. No caso de inflamações, o primeiro passo é cuidar delas com massagens. Depois, fazer exercícios.

Folha - A LER pode atingir a visão de quem digita também?
Schneider -
Sim, para os olhos é muito mais relaxante olhar para longe do que para perto. Os músculos dos olhos só se contraem quando olhamos de perto. No passado, antes da alfabetização, as pessoas não tinham tantos problemas de visão. Hoje, muitas pessoas usam óculos. Isso porque se passou a olhar de maneira desbalanceada, pouco para longe. Com o PC é até pior, porque você não tem imagens muito estáveis. Isso faz você olhar mais de perto. O que pode resolver são exercícios bem simples, como olhar a cada 15 minutos para o longe. E, a cada meia hora, olhar para fora da janela. Hoje, só se observa o longe na direção de um carro, mas aí há a tensão. Quando olhamos para o longe, é somente depois de passar muitas horas enxergando o perto.

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