da Livraria da Folha
| Renato Stockler/Folha Imagem |
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| Tatiana Belinky colaborou com crônicas e poesias na Folhinha de S. Paulo |
Desde pequena, gostava de ouvir histórias. Quis até ser bruxa, como as das lendas que vivia contando para o irmão antes de dormir. Os livros sempre foram seus grandes amigos.
Foi assim, brincando, que teve o primeiro contato com a literatura e o poder das palavras.
Ao aprender esse segredo, Tatiana Belinky não largou mais de fazer bom uso delas. Como costuma repetir para a criançada, "que o livro é um objeto mágico", a escritora infantil é reconhecida como uma das mais importantes escritoras infantis do país.
Entre os livros de grande sucesso, destacam-se "Temqueliques", "ABC", ""Sete Contos Russos", entre outros. Tatiana Belinky também se consagrou ao adaptar para a televisão a primeira versão da obra "Sítio do Picapau Amarelo", clássico de Monteiro Lobato.
De contadora de histórias para ser "a" história, foram muitos livros publicados (mais de cem), e mais um em especial que, mesmo não escrito por suas mãos, tem um gostinho de seu.
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| Tatiana Belinky, com mais de cem obras publicadas, é membro da ABL |
"A Infância de Tatiana Belinky" resgata os primeiros anos desta importante escritora. Com texto de Nereide Santa Rosa, a obra passeia por um longínquo passado, nas terras frias da Europa e em meio a uma guerra que assustava os inocentes.
Nascida em São Petersburgo, na Rússia, em 18 de março de 1919, em cima da mesa da sala de jantar da casa de seus pais, a criança começava sua jornada nesse mundo. Por conta de problemas respiratórios causados pela umidade e o frio, seus pais logo providenciaram uma mudança, indo morar em Riga, na Letônia.
Com muita imaginação e inspiração - por ali, se viam muitos castelos, florestas e se ouviam lendas fantásticas - a menina crescia em meio a brincadeiras mágicas com amigos e parentes.
Pelas circunstâncias do começo da guerra, o pai de Tatiana resolveu embarcar para o Brasil. Dona Rosa, sua mulher, e os três filhos (entre eles, Tatiana), seguiram viagem algum tempo depois. Partir foi duro para a garota que completava apenas dez anos. Avós, amigos, a casa e os coloridos da rua, tudo virava recordação. No entanto, a atitude do pai salvou sua vida, pois anos depois todos parentes foram massacrados pelos nazistas.
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Durante a aula, o sotaque "russo" era motivo de risadas e gracinhas das colegas. No entanto, mesmo trocando vogais, Tatiana lia com desenvoltura, rapidez e expressão, fato que causava uma espécie de dor de cotovelo nas colegas, devidamente demonstrada na primeira oportunidade que tivessem.
Caso Tatiana não conhecesse o significado de uma palavra, e pedisse ajuda à professora, era uma gargalhada geral na classe. Mas a coragem de Tatiana não a deixava se intimidar. Escrever e ler em português era uma questão de honra para a garota.
No segundo trimestre do ano, tirou nota dez em português e sua redação foi considerada a melhor da classe! Depois de vencer o desafio e provar sua capacidade, Tatiana começou a ser respeitada como a melhor aluna nessa matéria.
Tatiana, uma adolescente tímida, agora auxiliava as colegas de classe em português e em outras matérias. Essa era a sua maneira de se integrar e ser aceita até mesmo pelas professoras.
Seu interesse pela literatura era constante e buscava livros na biblioteca da escola para aprender a nova língua. Desde pequena, Tatiana lia muito e se sentia à vontade para escolher títulos de diferentes gêneros literários. Certa vez, a bibliotecária da escola resolveu censurar sua escolha, o que a revoltou. Mas não desistiu e contou o fato a seu pai, que escreveu uma carta aos diretores da escola, autorizando sua livre escolha na biblioteca, uma novidade no sistema de ensino da época.
Superar a dificuldade na leitura as palavras portuguesas e a escrita de redações em sala de aula foram conquistas importantes que ajudaram Tatiana a dominar a língua e a se sentir cada vez mais brasileira.
Português era, e ainda é, sua matéria preferida. Tatiana, a pequena "bruxinha", transformou a caneta em varinha de condão e fez mágicas com as letras.
Tornou-se escritora e seus livros encantam os pequenos brasileiros há muitas gerações. Tatiana nasceu russa, cresceu letã e se tornou adulta no Brasil, seu país de adoção. Aliás, ser brasileira foi uma opção sua e não um acaso. Por isso, ela diz com sabedoria:
"- Sou brasileira, sim senhor!!!"
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