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21/08/2010 - 17h57

Gloria Kalil, Lilian Pacce e Gilda Midani esmiúçam identidade e vestimenta na Bienal

PAULA DUME
colaboração para a Livraria da Folha

Curiosos, câmeras e fashionistas dividiram o mesmo metro quadrado na manhã deste sábado (21), às 11h, no pavilhão da Bienal. A consultora de moda Gloria Kalil, a jornalista e editora de moda Lilian Pacce e a estilista Gilda Midani compartilharam com o público suas opiniões sobre o tema "A moda também fala de nós: as digitais do estilo".

Com mediação da jornalista de moda Camila Yahn, o bate-papo fluiu. Aos poucos, os disputados lugares do Território Livre foram preenchidos, mas a curiosidade dos visitantes permanecia fora do local. Com câmeras em punho, o público fazia as vezes de paparazzi do debate.

Marcos Vaz/Ofício da Imagem
Durante palestra na Bienal (da esquerda para a direita), Yahn, Midani, Pacce e Kalil discutem história e tendências da moda
Durante palestra na Bienal (da esquerda para a direita), Yahn, Midani, Pacce e Kalil discutem história e tendências da moda

Gloria repassou a importância do vestuário pelas décadas de 1950, 1960, 1990, 2000 em diante e no período atual. Até 1950, a moda era expressão de uma sociedade. Na década seguinte, a juventude entrou para revolucionar a vestimenta. "Houve uma divisão de comportamento --progressista e conservador".

Nos anos 1990, com a globalização e o avanço da informática, a moda passou a representar múltiplas tribos urbanas. De 2000 em diante, houve uma fragmentação, e hoje evidencia individualidades. "Ela ficou democrática e difícil".

A consultora nota que a moda brasileira não é de vitrine nem de museu, porque tem cor, calor e sex appeal. Comparou a indumentária nacional à uma jovem. "É menos culta do que as veteranas, mas tem coragem, vigor e entusiasmo".

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A jornalista e editora de moda Lilian Pacce contou como iniciou sua carreira no jornalismo. Citou sua passagem pela Folha e seu contato com Tarso de Castro (1941-1991), que foi marido da estilista Gilda Midani, com a qual dividiu a mesa.

"Naquela época, jornalismo de moda era coisa de mulher. Hoje, 25 anos depois, recebo e-mails de crianças de 8 a 11 anos falando sobre moda", admira-se. Lilian ressalta o poder que a moda adquiriu no Brasil.

Para ela, o país tem condições de criar uma marca de luxo no futuro, por conta da riqueza de matérias-primas da Amazônia. Citou tingimentos naturais e construção de fibras têxteis como opções. "Se a sustentabilidade for integrada à moda, pode passar ao mercado de luxo."

Gilda Midani destacou a identidade como uma série de símbolos. Aliado a isso, o significado é fator primordial em sua produção vestuária. Sustentabilidade e luxo não são conceitos rígidos, segundo a estilista. "A matéria-prima não é para ser um limitador. A sustentabilidade está virando um novo commoditie", comentou.

Ao final da conversa, as palestrantes e Camila citaram seus livros favoritos. Gloria disse que "Memórias de uma Moça Bem-Comportada", de Simone de Beauvoir, marcou sua infância. Lilian recomendou "Rainha da Moda", de Caroline Weber, e complementou. "Ela foi uma espécie de blogueira de moda. Desafiou o padrão da corte". Gilda apontou livros de I Ching para leitura. Camila destacou a narrativa intrincada de "Cem Anos de Solidão", de Gabriel García Márquez, como uma de suas favoritas.

Um "Chic", um "Chic Homem", um "Ecobags: Moda e Meio Ambiente" e um exemplar de "Pelo Mundo da Moda" foram sorteados para o público após o debate.