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25/08/2010 - 18h00

Lanchinhos na cama e fora dela; livro revela "A Vida Sexual dos Alimentos"

da Livraria da Folha

Divulgação
Definimos o que vamos comer ou somos definidos pela comida?
Definimos o que vamos comer ou somos definidos pela comida?

Muitas pessoas já devem ter ouvido a infame piadinha que as duas melhores coisas da vida são comer e comer. No geral, gargalhadas e acenos positivos com a cabeça só nos levam a pensar que a simples afirmação está no caminho certo.

Seja qual for o caso, sexo e comida dialogam faz algum tempo, seja na arte, na perversão, na piada ou no lugar que origina todas essas relações: na vida cotidiana.

"A Vida Sexual dos Alimentos" trata dessa curiosa paixão de forma divertida, informativa e "apetitosa". O trocadilho cabe aqui, pois ao começar a ler o livro o leitor fica refém de curiosidades interessantes, como do poder que um saboroso sanduíche pode influenciar no resto do seu dia.

A autora Bunny Crumpacker afirma que estamos preocupados com tantas outras coisas que nos esquecemos de observar elos comuns entre sexo e alimentação. "Nossa boca, língua, os atos de chupar, morder e lamber, usados tanto para nos alimentarmos, quanto para interagirmos com o próximo."

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Ao longo das páginas, descobrimos como a alimentação está associada à história, sociologia, família, educação e muitas outras áreas.

O livro resgata a relação desde o começo da vida de cada um. "A comida é o nosso primeiro conforto, nossa primeira recompensa (o leite da mamãe). A fome é nossa primeira frustração," explica.

Crumpacker revela hábitos alimentares de algumas personalidades. O ditador Adolf Hitler, por exemplo, era vegetariano. Só que mais do que isso, era um obcecado por comida e mantinha uma "dieta" à base de ovos, chás e chocolate (apenas para constar, há vegetarianos menos nervosos que Hitler, como o sereno Gandhi).

A análise também passeia pelo mundo dos contos de fadas, relembrando as imagens de grandes banquetes, de ovos de ouro, casas de pão de ló, maçãs envenenadas, mingau, feijões mágicos... E como não podia deixar de ser, "A Vida Sexual dos Alimentos" discute sobre o sexo na cozinha.

Leia trecho.

*

Tratava-se de uma garota posando em uma cozinha - com pernas e cabelos longos, mostrando-se disponível, pronta e desejosa. Tanto quanto eu me lembro, a garota na ilustração não usava nada além de um par de meias-arrastão pretas e um avental de cozinha amarrado à cintura.

Podia-se vê-la em três quartos de perfil de costas. Ela curvava seu corpo sobre um fogão, mantendo as pernas esticadas, evidenciando seu traseiro curvilíneo. Olhando para trás, em nossa direção, ela sorria enquanto retirava ou colocava algo no forno - que, de qualquer forma, parecia delicioso.

Essa é uma fantasia sexual cálida, carinhosa e não-consciente, algo do tipo vem à mente quando Sophia Loren - no auge da forma - escreveu um livro de culinária no qual falava sobre como adorava preparar macarrão. "Tudo o que você pode ver", dizia ela, "eu devo ao espaguete."

Assim é o sexo na cozinha: quente, apetitoso e alegre - e, com tudo isso, um pouco inocente. Ele é baseado no reconhecimento de que a comida e o sexo existem para a satisfação de apetites gêmeos, desejos que começaram antes de nosso nascimento.

O Dr. Freud disse que a cozinha é o cômodo mais feminino de uma casa. (Segundo o bom doutor, aliás, todos os cômodos de uma casa são femininos, simbolicamente falando - todos são espaços vazios e fechados.) De acordo com a teoria freudiana, cozinhar é a essência da feminilidade.

Jogue Freud fora, pela janela da cozinha, e cozinhar ainda será uma atividade estereotipicamente feminina. Prover alimento é a primeira tarefa associada à maternidade. Por nove meses, não há escolha: durante esse período, as mães são o alimento. Elas são como cozinhas ambulantes, eficientes unidades móveis.

Ao final dos nove meses, as mulheres têm escolhas a fazer, e uma das primeiras é quanto a amamentar a criança ou não.Tal como acontece com outras escolhas que as mulheres têm hoje em dia, o simples fato de ter uma escolha já é libertador. Antes que mamadeiras sejam esterilizadas e leite em pó seja adquirido no supermercado mais próximo, as mulheres permanecem sendo a principal fonte de alimento de seus bebês, bastante tempo depois do nascimento destes.

Apenas uma mulher - a própria mãe ou uma ama-de-leite - pode manter um bebê vivo, nutrindo-o e fazendo com que ele adquira seus primeiros conhecimentos: que amor é comida, e comida é prazer.

*

"A Vida Sexual dos Alimentos"
Autora: Bunny Crumpacker
Editora: Ideia e Ação
Páginas: 366
Quanto: R$ 9,90 (preço especial, por tempo limitado)
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha