|
17/07/2009
-
17h12
Fernando Morais fala de suas principais influências e de seu próximo livro
MANOELA MEYER O escritor e jornalista Fernando Morais consagrou-se por escrever biografias de "peso" como "Olga" (Companhia das Letras, 1993), "Chatô: O Rei do Brasil" (Companhia das Letras, 1994) e "O Mago" (Planeta, 2008). Em entrevista à Livraria da Folha, o autor falou sobre a variedade de personagens brasileiros a serem retratados e discutiu a diferença entre fazer uma reportagem e um livro de cunho jornalístico.
"A história do Brasil é riquíssima em ótimos personagens. O que falta é gente para contar isso". Com essa frase, Morais dava início à entrevista. O escritor falou sobre a importância de obras biográficas, que muitas vezes revelam personagens interessantes, ora desconhecidos, ora envoltos em grande misticismo. Cita como exemplos seu livro "Olga", que tornou a revolucionária conhecida pela maioria dos brasileiros, e a recente obra "O Mago", que desvendou o "homem por baixo da pele de popstar" em Paulo Coelho. Apesar de afirmar que todos os seus livros são frutos de apurada investigação jornalística, Morais enumerou algumas particularidades que os tornariam distintos do jornalismo praticado nas grandes redações. "Para começar, eu escolho o tema, e não o dono do jornal. Segundo, eu decido quanto tempo eu vou trabalhar naquele projeto, e não o editor. Terceiro, eu decido se vai ter 20 ou 2000 páginas, e não o diretor de redação", afirmou. Dando continuidade ao assunto, sugeriu que seus textos, por serem muito longos para uma única edição de jornal ou revista, poderiam ter sido publicados nos moldes dos antigos folhetins, tal qual Nelson Rodrigues e Lima Barreto fizeram. Influências Quando perguntado sobre autores e obras que influenciaram sua carreira, Morais fez questão de enumerar apenas obras não-ficcionais, que estivessem em consonância com a sua trajetória. Elio Gaspari foi o primeiro da lista. "Foi o autor que construiu o único grande retrato da ditadura militar", com sua série de livros: "A Ditadura Encurralada", A Ditadura Derrotada, "A Ditadura Escancarada" e "A Ditadura Envergonhada". Em seguida, o autor citou o nome de um dos grandes mestres do chamado "new journalism", o norte-americano Gay Talese. "Ele é referência para minha geração. Estou trazendo na mala o livro "Vida de Escritor". Tom Wolfe, autor de "A Fogueira das Vaidades", também entrou pela lista de Morais. E a respeito de novos e promissores biógrafos? Imediatamente citou o cearense Lira Neto, autor de biografias de Castello Branco, José de Alencar e da cantora "Maysa". Novo livro Durante a entrevista à Livraria da Folha, Morais revelou seu próximo projeto, que diz fugir da realidade brasileira. "É uma biografia e uma história de espionagem. Cinco cubanos infiltrados na máfia de Miami, para prevenir ataques terroristas contra Cuba", disse. Os cinco trabalharam durante dez anos nos Estados Unidos até a CIA os desmascarar, condenando-os à prisão perpétua. *
"Olga"
"O Mago"
"A Ditadura Encurralada"
"A Ditadura Escancarada"
"A Ditadura Envergonhada"
"Vida de Escritor"
"Maysa: Só Numa Multidão de Amores" |
|