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08/10/2009
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01h00
Polêmico e contundente, livro mostra um retrato do Brasil na era Sarney
JAMILLE MENEZES Em um ano marcado por denúncias, processos e boatos envolvendo o nome do senador José Sarney e sua família, o jornalista Palmério Dória lança o livro "Honoráveis Bandidos", pela Geração Editorial, no qual revela toda a história do surgimento, enriquecimento e tomada do poder regional pela família Sarney no Maranhão. O livro fala também do controle que o patriarca exerce no Senado, com suas alianças e indicações, além de citar nomes e histórias de vários políticos envolvidos, de forma ou de outra, com o senador. Leia trecho do livro.
Nascido em Santarém, no Pará, Dória trabalhou como chefe de reportagem na Rede Globo, passou pelos jornais Folha de S.Paulo, O "Estado de S.Paulo", entre outros. Seu interesse pela família Sarney surgiu ainda quando era diretor do jornal "O Nacional", um semanário de oposição a Sarney, criado em 1986, no Rio de Janeiro. O segundo contato veio em 2000, quando se especulou a candidatura de Roseana Sarney para presidente do Brasil, e ele viajou ao Maranhão a fim de levantar informações sobre a família. "Conhecendo de perto a Roseana e sua família, o que vi é que se ela fosse eleita, seria o Collor de saia no Maranhão", afirma o escritor. Baseado nesta investigação jornalística, Dória publicou uma matéria, na revista "Caros Amigos", intitulada "O nome dela é Roseana, mas pode chamar de Sarney". O texto teve grande repercussão, inclusive porque envolvia denúncias contra a empresa do marido de Roseana, Jorge Murad. Pouco tempo depois, uma operação da Polícia Federal realizou uma batida na sede da empresa de Murad, onde apreendeu cerca de um milhão de reais num cofre. A partir daí a candidatura de Roseana desandou. Mas Dória percebeu que aquela família ainda renderia muito assunto para livros. "Não se pode falar da Roseana sem falar do pai, visto que ele coordena toda a família. E um ano antes de o Sarney virar pela terceira vez presidente do Senado eu já estava acompanhando seus passos em razão da investigação da Polícia Federal sobre o seu filho, Fernando, com chamada operação Boi Barrica", declara. Ouça o autor: Sobre o controle das atividades da família e a proteção de Sarney aos filhos, Dória fala num dos primeiros trecho do livro: "Em 2008, o senador José Sarney voltou a ser manchete, principalmente das páginas policiais, quando revelada a organização criminosa da qual seu filho fazia parte. Para não deixar o filho ir para a cadeia, ele teve de disputar no ano seguinte a presidência do Senado. Foi preciso colocar a cara para bater. O poderoso coronel voltou para dar forças aos filhos, para salvá-los". E é neste tom, sem meias palavras, que o jornalista segue em seu relato, sem poupar adjetivos a nenhum dos filhos do "coronel". Sobre o mais velho, Fernando, ele fala ser o cérebro financeiro da família. Teria sido o responsável pela administração do dinheiro na campanha da irmã. Em outro trecho, refere-se à Roseana como princesinha do Calhau, uma menção à mansão colonial que ela tem na praia do Calhau, ocupando um quarteirão inteiro, em uma área de 20 mil metros quadrados. Do filho mais novo, também envolvido com a política, o autor diz que ele não tem a inteligência de Roseana, nem o bom coração de Fernando. "Quando no debruçamos sobre a folha corrida dos três pimpolhos do velho coronel, encontramos mais razões para um pai corar de vergonha do que para orgulhar-se. No entanto, o senador sempre demonstrou verdadeira devoção paterna por seus meninos, com indisfarçável xodó pela menina, a mimada mais velha dos três". Em relação ao alcance do poder de Sarney, o autor é enfático em dizer que ele controla mais do que o Maranhão. "O Sarney domina o sistema elétrico de cima a baixo com o Ministério de Minas e Energia, cargo de seu aliado Édson Lobão. Controla também um sistema de comunicação, tem o controle de terras, além do poder da caneta, de nomear, gerando vários aliados", explica. Na área das comunicações, a família é dona de quatro emissoras de TV, que transmitem a programação da Rede Globo no Maranhão. O grupo também controla catorze emissoras de rádio, espalhadas pela capital e interior do Estado. Além de ser dono do jornal "O Estado do Maranhão", principal diário de São Luís. Em relação à duração da era Sarney, Dória diz que não se pode determinar. "Ele é uma espécie de morto-vivo. É difícil prever até quando estará no poder, porque sempre parece que ele vai cair e não cai", comenta. Além disso, fala que Sarney estaria preparando seu filho mais velho para assumir um cargo de deputado estadual, ou federal e assim continuar a impunidade. Além de dedicar um capítulo para refazer toda a cronologia da vida de Sarney, relacionando-a com os acontecimentos no Brasil, o livro contém ainda um caderno especial de 16 páginas com charges assinadas pelos irmãos Caruso - Chico e Paulo - feitas em vários momentos da trajetória política de Sarney. E para provar que "o coronel" continua no controle de uma forma ou de outra, Dória conta ter recebido recentemente a notícia de que "Honoráveis Bandidos" não chegou às livrarias no Maranhão.
"Honoráveis Bandidos" |
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