Mundo
11/10/2006 - 08h20

Coréia do Norte ameaça fazer segundo teste nuclear

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da Folha Online

A Coréia do Norte ameaçou hoje realizar mais testes nucleares e tomar "medidas físicas" contra os Estados Unidos caso prossigam as "atitudes hostis" contra o país, aumentando a tensão na região.

"Se os Estados Unidos pressionarem nosso país, persistentemente o prejudicando, nós tomaremos medidas físicas, considerando [a atitude americana] uma declaração de guerra", afirmou o Ministério das Relações Exteriores norte-coreano em um comunicado. O governo não especificou, no anúncio, que tipo de medidas seriam tomadas.

O vice-presidente norte-coreano, Kim Yong Nam, afirmou que futuros testes nucleares dependerão "da política do governo americano". "Se os EUA continuarem com sua atitude hostil e mantiverem a pressão de várias formas, não teremos escolha senão tomar medidas físicas".

As declarações norte-coreanas ocorrem dois dias depois que o país alarmou países do mundo todo ao anunciar a realização de um teste nuclear, causando o início de uma campanha liderada pelos EUA para que o Conselho de Segurança da ONU acirre as sanções contra o país.

Pela manhã, líderes de vários países ficaram em alerta após o rumor de um segundo teste nuclear nesta quarta-feira. Especula-se que a Coréia do Norte realize novos testes devido à suspeita de que o primeiro, realizado na segunda-feira, tenha falhado parcialmente.

Agências de notícias japonesas informam que tremores foram detectados pelos centro sismológicos do país, aumentando as chances de que um novo teste tenha sido realizado.

No entanto, os centros de medição dos EUA e da Coréia do Sul afirmam não ter detectado novos abalos. O premiê japonês, Shinzo Abe, negou que uma segunda explosão tenha ocorrido.

ONU

Na ONU, a crise nuclear norte-coreana causou um debate diplomático, com a China aprovando punições aplicadas "de forma prudente" contra a Coréia do Norte e os EUA defendendo a aplicação de medidas "severas" para barrar as ambições nucleares do país asiático.

Os EUA pedem que o Conselho de Segurança da ONU imponha um embargo comercial parcial à Coréia do Norte, que incluiria a limitação da importação de armas e o congelamento de bens.
Todas as importações seriam inspecionadas, para impedir a entrada de armas nucleares, químicas e biológicas.

A Coréia do Norte exige negociar a questão diretamente com os EUA e ameaça lançar um míssil nuclear caso os EUA não atendam à exigência. O governo americano insiste no diálogo entre seis países, que inclui a Rússia, a China, a Coréia do Sul e o Japão.

Japão

Nesta quarta-feira, o governo japonês anunciou novas sanções contra a Coréia do Norte, informaram as redes de TV de Tóquio.

A rede de TV NHK informou que a decisão do governo deve ser anunciada formalmente ainda hoje. O Japão também pressiona por novas sanções da ONU contra Pyongyang. O CS deve anunciar sua decisão a respeito na sexta-feira (13).

Vários países parecem ter entrado em um consenso a respeito da aplicação de sanções, com exceção da Rússia e da China, que é o principal parceiro comercial da Coréia do Norte.

Falha

Uma reportagem do jornal americano "The New York Times" publicada ontem informa que a explosão da bomba norte-coreana pode ter obtido apenas sucesso parcial.

Segundo o "Times", as explosões que visam ter poder de destruição nuclear têm entre 10 mil e 60 mil toneladas --10 a 60 quilotons-- de explosivos TNT.

Mas a força da explosão realizada no teste norte-coreano aparentemente era bem menor, algo em torno de um quiloton ou menos, de acordo com cientistas citados pelo "Times".

O Centro de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos disse ter detectado um tremor de 4,2 graus da península coreana, o que seria causado por um explosivo de cerca de mil toneladas.

No entanto, o ministro da Defesa russo, Sergei B. Ivanov, disse à agência de notícias Itar-Tass que seu governo acredita que a força da explosão tenha sido de 5 a 15 quilotons (5.000 a 15 mil toneladas). Ele não especificou como a potência da explosão foi medida.

De acordo com informações de autoridades norte-americanas, Pyongyang dispõe de duas ou três armas atômicas, 20 instalações nucleares, entre 2.500 e 5.000 toneladas de armas químicas e dez tipos armas bacteriológicas.

De acordo com informações da Federation American Scientists (FAS), os mísseis que a Coréia do Norte possui hoje podem alcançar a Coréia do Sul e o Japão. Mas Pyongyang estaria desenvolvendo dois novos mísseis, o Taepo Dong 2 e sua versão de três etapas, que pretendem alcançar alvos dentro dos Estados Unidos.

Veja lista de mísseis da Coréia do Norte:

Scud B
Alcance: 300 km
Carga: 1.000 kg

Scud C
Alcance: 550 km
Carga: 1.000 kg

Nodong
Alcance: 1.300 km
Carga: 750 kg

Taepo Dong 1
Alcance: 1.500 km a 2.000 km
Carga: 770 kg

Em desenvolvimento

Taepo Dong 2
Alcance: 5.000 km a 6.000 km
Carga: 1.000 kg

Taepo Dong 2 [com três etapas --previsto para 2015]
Alcance: 10 mil km a 12 mil km
Carga: 2.000 kg

Atualmente, existem cinco potências nucleares declaradas: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia. Outros três países possuiriam tecnologia atômica: Índia, Israel e Paquistão.

Com agências internacionais

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