Mundo
08/11/2006 - 09h38

Em nova audiência, advogado de Saddam pede investigação

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da Folha Online

Um advogado do ex-ditador Saddam Hussein exigiu nesta quarta-feira que o júri investigue a denúncia de que a equipe de defesa teria sido retida na zona verde [área de segurança de Bagdá onde ficam a Embaixada dos EUA e os prédios do governo iraquiano] nesta teça-feira.

O pedido foi feito por Badee Izzat Aref, após a retomada do processo, com a realização da 22ª audiência. "Eu exijo a abertura de uma investigação no lado americano, porque a área é vigiada pelo Exército dos EUA, que atira em qualquer pessoa que se aproxima".

Foi a primeira vez que Aref compareceu à corte desde 21 de setembro, quando a defesa anunciou o boicote ao julgamento em protesto à rejeição de outros pedidos feitos ao júri, entre eles, a participação de juízes árabes e estrangeiros no processo.

AP
Saddam Hussein durante nova audiência de processo por genocídio
Saddam e outros seis réus respondem por crime de genocídio devido à sua participação na Operação Anfal, realizada em 1988, contra curdos do norte do Iraque. Segundo a promotoria, mais de 180 mil foram mortos, muitos envenenados com gás.

No domingo (5), Saddam foi condenado por crimes contra a humanidade pela execução de 148 xiitas na cidade de Dujail, após uma tentativa de assassinato contra o ex-ditador, na década de 80. Uma corte de apelações deve revisar a sentença de morte ainda neste ano.

Testemunhas

Nesta terça-feira, Saddam voltou à corte para ser julgado por genocídio, e pediu que os iraquianos deixem de lado a violência sectária e vivam em paz. "Peço a todos os iraquianos, árabes e curdos que perdoem uns aos outros, se reconciliem e dêem as mãos", afirmou.

Na sessão de hoje, a corte ouviu sobreviventes curdos sobre os ataques da Operação Anfal. Abdellah Mohammed relatou que seu vila foi alvo de um ataque químico em 1988.

"Tínhamos dificuldade para respirar, e eu disse aos moradores que a vila havia sido atingida por um ataque químico. Eu vi pássaros caindo e líquidos escorrendo dos narizes das pessoas".

Outra testemunha, Tawfeeq Abdul Aziz Mustafa, disse que ele e outros moradores fugiram para a Turquia após um ataque químico contra sua comunidade, em 1988. "Nós olhávamos para as vilas e havia fumaça amarela saindo. Nossos olhos ficaram irritados e vermelhos".

Mustafa disse ter perdido 40% da visão devido à exposição a armas químicas.

Com Efe e agências internacionais

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