Mundo
24/11/2006 - 08h04

Vítimas de ataque em série já são 202 no Iraque; nova ação mata 22

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da Folha Online

Um dia depois do pior episódio de violência sectária após o início da guerra no Iraque, em março de 2003, o país voltou a ser cenário de ataques terroristas com alto número de vítimas civis nesta sexta-feira.

Dois ataques suicidas --um deles perpetrado com um carro-bomba e outro com bombas escondidas nas roupas de um terrorista--, mataram 22 pessoas e feriram ao menos 26 na cidade de Tal Afar, no norte do Iraque, de acordo com a polícia de Mossul.

Ontem, explosões coordenadas de carros-bomba deixaram ao menos 202 mortos em Sadr City, uma região predominantemente xiita de Bagdá.

Os ataques de hoje, que aparentemente tinham civis como alvo, foram realizados em um mercado de veículos ao ar livre.

Tal Afar, que fica perto da fronteira com a Síria, já foi uma região dominada pela insurgência de grupos sunitas ligados à rede terrorista Al Qaeda. Os grupos haviam sido combatidos na região e, antes destes ataques, a cidade era considerada um exemplo bem-sucedido das ações de contra-insurgência do Exército dos EUA.

A maioria da população de Tal Afar é de etnia turca. Há tanto seguidores dos sunitas quanto dos xiitas na região. A comunidade sunita em Tal Afar alertou, no entanto, para a chegada das forças de segurança iraquianas dominadas pelos xiitas, que sob a supervisão dos EUA, estariam oprimindo e discriminando a população sunita.

Recorde de mortos

Nesta sexta-feira, o balanço das mortes causadas pelos ataques de ontem no bairro de maioria xiita Sadr City, em Bagdá, já subiu para mais de 200 vítimas, de acordo com informações divulgadas pela TV iraquiana Al Iraqiya e pelo jornal americano "The New York Times".

Além dos mortos, as explosões de seis carros-bomba e dois ataques com morteiros deixaram outras 250 pessoas feridas. Foi o atentado mais mortífero desde o início da invasão do Iraque, em março de 2003.

O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al Maliki, ordenou que as forças de segurança sejam deslocadas para as vias que ligam Bagdá à região de Nayaf, para garantir a segurança dos cortejos fúnebres que seguirão para a cidade, localizada 150 km ao sul da capital.

Al Maliki não soube dizer de quanto serão as indenizações para as famílias das vítimas, nem que organismo governamental será responsável pela compensação financeira.

Os xiitas iraquianos --que são maioria das vítimas nos ataques de ontem-- costumam enterrar seus mortos em um grande cemitério de Nayaf conhecido como Dar el Salam. Para cruzar a distância entre Bagdá e Nayaf, é preciso passar pelo chamado "triângulo da morte", um cinturão de cidades ao sul de Bagdá onde grupos insurgentes são muito ativos e os atentados contra as forças de segurança americanas e iraquianas são freqüentes.

A polícia iraquiana e o Exército estão em estado de alerta máximo nesta sexta-feira, e vários postos de checagem de segurança foram armados nas estradas, em uma tentativa de impedir novos atentados terroristas.

Com agências internacionais

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