28/11/2006
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08h37
Ao iniciar uma visita de quatro dias à Turquia, o papa Bento 16 afirmou nesta terça-feira que sua viagem "não é uma viagem política, mas sim pastoral" e que tem como objetivo "o diálogo e o compromisso comum pela paz". A viagem do papa gerou inúmeros protestos entre os turcos, de maioria islâmica.
Bento 16 já chegou ao país de destino (às 9h de Brasília). As declarações foram feitas poucos minutos antes da decolagem de seu avião, no aeroporto romano de Fiumicino. Após saudar os jornalistas que o acompanham, o papa destacou a importância do diálogo entre cristãos e ortodoxos e entre a Igreja e o Islã.
O pontífice ressaltou os encontros que terá em Ancara e em Istambul com as autoridades civis da Turquia e as religiosas do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla.
O objetivo da viagem é a reunião com a Igreja Ortodoxa, por ocasião da festa de seu padroeiro, Santo André (30 de novembro), e com a pequena comunidade católica local.
No entanto, a polêmica suscitada pelo discurso que pronunciou em Regensburg (Alemanha) em setembro, no qual fez uma citação que associa Maomé e o Islã à violência, gera temores de uma escalada de protestos durante a viagem. O discurso foi considerado ofensivo pelo mundo muçulmano.
Mensagens
Como é habitual nessas viagens, o papa enviou telegramas aos presidentes dos países que o avião sobrevoaria - Itália, Albânia e Grécia.
Na mensagem enviada ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, Bento 16 afirmou que viaja para se reunir com representantes do povo turco "e em particular com os irmãos e irmãs na fé, para compartilhar com eles momentos de forte espiritualidade e incentivar o diálogo ecumênico".
O Pontífice também ressaltou o diálogo ecumênico (com os muçulmanos).
Na mensagem enviada ao presidente da Albânia, Alfred Moisiu, o Bispo de Roma pediu a Deus que abençoe o país com o "dom da paz e a prosperidade".
Os mesmos desejos serão expressados ao presidente da Grécia, Karolos Papoulias, quando o avião papal sobrevoar o país. O papa João Paulo II visitou a Grécia em 2001, em uma viagem histórica, quando pediu perdão aos ortodoxos gregos pelos danos causados pelos católicos ao longo dos séculos.
Esta é a primeira visita de Bento 16 a um país predominantemente muçulmano.
Conflito de agendas
O premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, mudou seus planos e decidiu se encontrar com Bento 16 na Turquia na próxima quinta-feira (30), anunciou ontem o Vaticano.
Erdogan originalmente afirmou que não iria se encontrar com o papa.
Ele deveria estar em uma reunião da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, aliança militar liderada pelos Estados Unidos) na Letônia durante a visita do pontífice.
A agenda foi alterada para permitir que o premiê se encontre com Bento 16 no aeroporto quando o papa chegar à Turquia e antes de o premiê partir para a Letônia, informou ontem o porta-voz do Vaticano reverendo Frederico Lombardi.
A mudança de planos foi um sinal claro da abertura do premiê para a visita, que vem sendo contestada por vários turcos ainda irritados com a fala de Bento 16 que ligou o Islã à violência.
Protestos
Uma multidão estimada em 15 mil manifestantes protestou neste domingo (26) em Istambul, na Turquia, contra a visita do papa ao país, programada para durar até o dia 1º de dezembro.
O protesto foi organizado pelo partido político turco pró-islâmico chamado "Felicity". Líderes do partido se disseram ofendidos pelas declarações do papa.
A multidão foi acompanhada por cerca de 4.000 policiais, que contavam com apoio de veículos blindados e caminhões de forças de choque.
Com agências internacionais
Especial
Veja a galeria de fotos do protesto na Turquia
Leia o que já foi publicado sobre Bento 16
Papa vai a Turquia em viagem polêmica
da Folha OnlineAo iniciar uma visita de quatro dias à Turquia, o papa Bento 16 afirmou nesta terça-feira que sua viagem "não é uma viagem política, mas sim pastoral" e que tem como objetivo "o diálogo e o compromisso comum pela paz". A viagem do papa gerou inúmeros protestos entre os turcos, de maioria islâmica.
Bento 16 já chegou ao país de destino (às 9h de Brasília). As declarações foram feitas poucos minutos antes da decolagem de seu avião, no aeroporto romano de Fiumicino. Após saudar os jornalistas que o acompanham, o papa destacou a importância do diálogo entre cristãos e ortodoxos e entre a Igreja e o Islã.
O pontífice ressaltou os encontros que terá em Ancara e em Istambul com as autoridades civis da Turquia e as religiosas do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla.
O objetivo da viagem é a reunião com a Igreja Ortodoxa, por ocasião da festa de seu padroeiro, Santo André (30 de novembro), e com a pequena comunidade católica local.
No entanto, a polêmica suscitada pelo discurso que pronunciou em Regensburg (Alemanha) em setembro, no qual fez uma citação que associa Maomé e o Islã à violência, gera temores de uma escalada de protestos durante a viagem. O discurso foi considerado ofensivo pelo mundo muçulmano.
Mensagens
Como é habitual nessas viagens, o papa enviou telegramas aos presidentes dos países que o avião sobrevoaria - Itália, Albânia e Grécia.
Na mensagem enviada ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, Bento 16 afirmou que viaja para se reunir com representantes do povo turco "e em particular com os irmãos e irmãs na fé, para compartilhar com eles momentos de forte espiritualidade e incentivar o diálogo ecumênico".
O Pontífice também ressaltou o diálogo ecumênico (com os muçulmanos).
Na mensagem enviada ao presidente da Albânia, Alfred Moisiu, o Bispo de Roma pediu a Deus que abençoe o país com o "dom da paz e a prosperidade".
Os mesmos desejos serão expressados ao presidente da Grécia, Karolos Papoulias, quando o avião papal sobrevoar o país. O papa João Paulo II visitou a Grécia em 2001, em uma viagem histórica, quando pediu perdão aos ortodoxos gregos pelos danos causados pelos católicos ao longo dos séculos.
Esta é a primeira visita de Bento 16 a um país predominantemente muçulmano.
Conflito de agendas
O premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, mudou seus planos e decidiu se encontrar com Bento 16 na Turquia na próxima quinta-feira (30), anunciou ontem o Vaticano.
| Reuters |
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| Manifestantes muçulmanos realizam protesto em Istambul (Turquia) |
Ele deveria estar em uma reunião da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, aliança militar liderada pelos Estados Unidos) na Letônia durante a visita do pontífice.
A agenda foi alterada para permitir que o premiê se encontre com Bento 16 no aeroporto quando o papa chegar à Turquia e antes de o premiê partir para a Letônia, informou ontem o porta-voz do Vaticano reverendo Frederico Lombardi.
A mudança de planos foi um sinal claro da abertura do premiê para a visita, que vem sendo contestada por vários turcos ainda irritados com a fala de Bento 16 que ligou o Islã à violência.
Protestos
Uma multidão estimada em 15 mil manifestantes protestou neste domingo (26) em Istambul, na Turquia, contra a visita do papa ao país, programada para durar até o dia 1º de dezembro.
O protesto foi organizado pelo partido político turco pró-islâmico chamado "Felicity". Líderes do partido se disseram ofendidos pelas declarações do papa.
A multidão foi acompanhada por cerca de 4.000 policiais, que contavam com apoio de veículos blindados e caminhões de forças de choque.
Com agências internacionais
Especial


