30/12/2006
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19h49
A comissão de política exterior da Assembléia Nacional da Venezuela repudiou, neste sábado, a execução do ditador iraquiano Saddam Hussein, fato considerado como uma "violação dos direitos humanos".
Carlos Escarrrá, vice-presidente da comissão de política exterior, criticou o fato de Saddam ter sido submetido a um "julgamento artificial, para logo aplicar-lhe a pena de morte, ato por si só repudiável".
Segundo o deputado, "os Estados Unidos devem evitar um banho de sangue e sair prontamente do Iraque, para deixar que esse povo seja uma nação soberana e independente".
A Assembléia Nacional venezuelana está conformada unicamente por partidários do presidente esquerdista Hugo Chávez, uma vez que a oposição boicotou as eleições legislativas de 2005 e retirou todos os seus candidatos.
Saddam Hussein, 69, derrotado por uma invasão armada liderada pelos Estados Unidos quatro anos atrás, foi enforcado na madrugada deste sábado em Bagdá.
O ditador, que dirigiu o país com mãos de ferro durante quase 25 anos (de 1979 a 2003), foi condenado a morrer na forca em 5 de novembro pela matança de 148 xiitas do povoado de Dujail, em represália por um atentado frustrado contra si em 1982.
Alemanha
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, reiterou hoje a rejeição de seu governo à pena de morte, mas disse, algumas horas após a execução do ditador iraquiano em Bagdá, que "respeita" a sentença contra ele.
"Respeitamos a sentença, mas todos sabem que o governo alemão é contrário à pena de morte", disse Merkel.
Pouco antes, o Ministério de Exteriores alemão havia reiterado a rejeição geral à pena de morte "sem importar onde seja aplicada", apesar de ter dito entender o povo iraquiano.
"Compreendemos os sentimentos do povo iraquiano e não temos nenhuma dúvida sobre os crimes de Saddam Hussein", afirmou o ministro adjunto de Exteriores Gernot Erler.
"Porém, opomo-nos à pena de morte onde quer que seja aplicada", declarou Erler.
Os partidos de oposição também criticaram a execução do ex-ditador. O vice-presidente do grupo parlamentar do Partido Liberal (FDP), Werner Hoyer, disse que "a pena de morte é inaceitável mesmo sendo aplicada contra Saddam Hussein".
O presidente do grupo parlamentar do Partido da Esquerda, Gregor Gysi, afirmou que a execução não contribuía em nada para a paz no Iraque. Da mesma forma, o presidente do grupo parlamentar do Partido dos Verdes, Fritz Kuhn, pediu o fim do ciclo de "morte e vingança" que pode se prolongar após a morte de Saddam Hussein.
"A execução acaba com o perigo de que os partidários de Saddam Hussein no futuro o vejam como um mártir", declarou Kuhn.
Norte da África
Os governos dos países norte-africanos, como a Líbia, o Egito e o Marrocos, todos islâmicos, também condenaram a execução de Saddam.
O ditador líbio, Muammar Gaddafi, criticou, nessa sexta-feira à noite, a execução programada de Saddam Hussein, afirmando que seu julgamento foi "ilegal" e "hipócrita" --além de ter decretado luto oficial no país.
O Governo marroquino afirmou hoje, através de um comunicado emitido pelo seu Ministério de Exteriores, que é necessário defender a unidade do Iraque após a execução de Saddam Hussein.
Já o Ministério de Exteriores egípcio expressou hoje seu pesar pela execução, que coincidiu com a festa muçulmana do sacrifício (Eid al Adha), segundo a agência "Mena".
Além disso, a agência acrescenta que o Ministério sente que a sentença tenha sido executada coincidindo com os ritos da peregrinação para Meca, que acabaram hoje, e sem considerar os sentimentos dos muçulmanos ou o respeito para com esta data, "considerada uma oportunidade para o perdão e para a tolerância".
Enquanto isso, o Ministério de Exteriores do Marrocos diz que "reitera sua postura de conservar a unidade do Iraque, necessária para a reconciliação entre os diferentes componentes do povo iraquiano, chamado a viver em paz, segurança e progresso que permitam a este povo irmão voltar a seu lugar no mundo árabe muçulmano e no mundo em geral".
Várias manifestações foram organizadas hoje em cidades marroquinas, sobretudo em Rabat e em Casablanca, para condenar a execução de Saddam.
Os manifestantes, reunidos diante da representação da ONU convocados por várias ONGs marroquinas, classificaram o enforcamento de "assassinato político". "Esta execução é contrária ao direito internacional", acrescentaram.
A Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) pediu, em comunicado, que "os dirigentes americanos e seu chefe George W.Bush sejam levados ante um tribunal internacional".
Outra associação, o Grupo Marroquino de Apoio ao Iraque e à Palestina, classificou o processo de Saddam Hussein de "uma farsa conduzida por um tribunal manipulado pela ocupação", afirma o comunicado.
Com agências internacionais
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Parlamento venezuelano repudia execução de Saddam Hussein
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da Folha Online, em CaracasA comissão de política exterior da Assembléia Nacional da Venezuela repudiou, neste sábado, a execução do ditador iraquiano Saddam Hussein, fato considerado como uma "violação dos direitos humanos".
Carlos Escarrrá, vice-presidente da comissão de política exterior, criticou o fato de Saddam ter sido submetido a um "julgamento artificial, para logo aplicar-lhe a pena de morte, ato por si só repudiável".
Segundo o deputado, "os Estados Unidos devem evitar um banho de sangue e sair prontamente do Iraque, para deixar que esse povo seja uma nação soberana e independente".
A Assembléia Nacional venezuelana está conformada unicamente por partidários do presidente esquerdista Hugo Chávez, uma vez que a oposição boicotou as eleições legislativas de 2005 e retirou todos os seus candidatos.
Saddam Hussein, 69, derrotado por uma invasão armada liderada pelos Estados Unidos quatro anos atrás, foi enforcado na madrugada deste sábado em Bagdá.
O ditador, que dirigiu o país com mãos de ferro durante quase 25 anos (de 1979 a 2003), foi condenado a morrer na forca em 5 de novembro pela matança de 148 xiitas do povoado de Dujail, em represália por um atentado frustrado contra si em 1982.
Alemanha
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, reiterou hoje a rejeição de seu governo à pena de morte, mas disse, algumas horas após a execução do ditador iraquiano em Bagdá, que "respeita" a sentença contra ele.
"Respeitamos a sentença, mas todos sabem que o governo alemão é contrário à pena de morte", disse Merkel.
Pouco antes, o Ministério de Exteriores alemão havia reiterado a rejeição geral à pena de morte "sem importar onde seja aplicada", apesar de ter dito entender o povo iraquiano.
"Compreendemos os sentimentos do povo iraquiano e não temos nenhuma dúvida sobre os crimes de Saddam Hussein", afirmou o ministro adjunto de Exteriores Gernot Erler.
"Porém, opomo-nos à pena de morte onde quer que seja aplicada", declarou Erler.
Os partidos de oposição também criticaram a execução do ex-ditador. O vice-presidente do grupo parlamentar do Partido Liberal (FDP), Werner Hoyer, disse que "a pena de morte é inaceitável mesmo sendo aplicada contra Saddam Hussein".
O presidente do grupo parlamentar do Partido da Esquerda, Gregor Gysi, afirmou que a execução não contribuía em nada para a paz no Iraque. Da mesma forma, o presidente do grupo parlamentar do Partido dos Verdes, Fritz Kuhn, pediu o fim do ciclo de "morte e vingança" que pode se prolongar após a morte de Saddam Hussein.
"A execução acaba com o perigo de que os partidários de Saddam Hussein no futuro o vejam como um mártir", declarou Kuhn.
Norte da África
Os governos dos países norte-africanos, como a Líbia, o Egito e o Marrocos, todos islâmicos, também condenaram a execução de Saddam.
O ditador líbio, Muammar Gaddafi, criticou, nessa sexta-feira à noite, a execução programada de Saddam Hussein, afirmando que seu julgamento foi "ilegal" e "hipócrita" --além de ter decretado luto oficial no país.
O Governo marroquino afirmou hoje, através de um comunicado emitido pelo seu Ministério de Exteriores, que é necessário defender a unidade do Iraque após a execução de Saddam Hussein.
Já o Ministério de Exteriores egípcio expressou hoje seu pesar pela execução, que coincidiu com a festa muçulmana do sacrifício (Eid al Adha), segundo a agência "Mena".
Além disso, a agência acrescenta que o Ministério sente que a sentença tenha sido executada coincidindo com os ritos da peregrinação para Meca, que acabaram hoje, e sem considerar os sentimentos dos muçulmanos ou o respeito para com esta data, "considerada uma oportunidade para o perdão e para a tolerância".
Enquanto isso, o Ministério de Exteriores do Marrocos diz que "reitera sua postura de conservar a unidade do Iraque, necessária para a reconciliação entre os diferentes componentes do povo iraquiano, chamado a viver em paz, segurança e progresso que permitam a este povo irmão voltar a seu lugar no mundo árabe muçulmano e no mundo em geral".
Várias manifestações foram organizadas hoje em cidades marroquinas, sobretudo em Rabat e em Casablanca, para condenar a execução de Saddam.
Os manifestantes, reunidos diante da representação da ONU convocados por várias ONGs marroquinas, classificaram o enforcamento de "assassinato político". "Esta execução é contrária ao direito internacional", acrescentaram.
A Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) pediu, em comunicado, que "os dirigentes americanos e seu chefe George W.Bush sejam levados ante um tribunal internacional".
Outra associação, o Grupo Marroquino de Apoio ao Iraque e à Palestina, classificou o processo de Saddam Hussein de "uma farsa conduzida por um tribunal manipulado pela ocupação", afirma o comunicado.
Com agências internacionais
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