Mundo
15/02/2007 - 16h48

Soldados brasileiros ficarão mais oito meses no Haiti

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ANDREA MURTA
da Folha Online

Com a renovação, nesta quinta-feira, do mandato da força de paz internacional no Haiti pelo Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas (ONU), os 1.200 soldados brasileiros que atuam na missão permanecerão pelo menos mais oito meses no país, confirmou à Folha Online o Ministério da Defesa do Brasil. A missão, que é comandada pelo Brasil, terá a função especial de intensificar a luta contra gangues armadas e reestabelecer a segurança no país.

11.jan.2007/Reuters
O general Carlos Alberto Cruz assume comando da Minustah em Porto Príncipe
O general Carlos Alberto Cruz assume comando da Minustah em Porto Príncipe
Na resolução 1.743 do CS da ONU, aprovada por unanimidade pelos 15 membros do conselho, foi prorrogado até 15 de outubro o mandato da missão para a estabilização do Haiti (Minustah), que expiraria hoje.

Os Estados Unidos e o gabinete do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, haviam recomendado uma extensão de um ano na missão de paz. A recomendação foi feita também por um grupo que aconselha o Haiti e é formado por Canadá, Reino Unido, França e Brasil, que é também responsável pelo comando das tropas de paz no país.

Apenas a China, que não possui laços diplomáticos com o Haiti, defendeu uma renovação de seis meses para a missão, para permitir que o CS da ONU supervisione melhor a ação. A proposta de renovação de oito meses [ que expiraria em 15 de outubro], vem de um acordo entre os países que defendem o novo prazo de um ano e a China.

Gangues

A força de paz da ONU --que atualmente conta com aproximadamente 8.800 efetivos --6.800 soldados e 2.000 policiais-- foi destacada para o Haiti pouco depois da derrubada do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide em uma rebelião armada em fevereiro de 2004. A Minustah é formada por tropas dos seguintes países: Argentina, Benin, Bolívia, Brasil, Canadá, Chade, Chile, Croácia, França, Jordânia, Nepal, Paraguai, Peru, Portugal, Turquia e Uruguai.

Com 1.200 homens, o Brasil é o país com o maior número de militares e vem liderando a missão desde o seu primeiro mandato, em 2004.

A resolução da ONU, elaborada pelo Peru, pede às tropas que aumentem as operações contra gangues criminosas, o que eles consideram "necessário para restaurar a segurança, notadamente em Porto Príncipe".

Centenas de soldados da ONU invadiram uma favela na capital haitiana na última sexta-feira (9) para tentar minar o poder de uma gangue local. A operação gerou um tiroteio que matou uma pessoa e deixou vários feridos, incluindo dois soldados da força de paz.

Apesar da violência politicamente motivada ter aparentemente diminuído desde que o presidente Rene Preval foi eleito quase um ano atrás, a pobreza, o desemprego e o tráfico de drogas alimentam o crime generalizado no país.

A resolução "critica e condena qualquer ataque contra o pessoal da missão da ONU no Haiti".

Com agências internacionais

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