Mundo
28/02/2007 - 20h37

ONU pede esforço internacional conjunto para reconstruir Haiti

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da Efe
da Folha Online

ONU pediu nesta quarta-feira à comunidade internacional que inicie imediatamente um esforço conjunto e coerente para reconstruir o Haiti, frente ao temor de que a população haitiana comece a perder a confiança no governo.

A convocação foi feita pelo representante especial adjunto da ONU no Haiti, Joel Bourtroue, que alertou para a possibilidade de perder tudo o que foi conquistado desde o estabelecimento de um governo eleito democraticamente, presidido por René Préval.

Bourtroue ressaltou que a população precisa ver mudanças e melhoras das condições, depois que a Polícia nacional, com a ajuda da Missão para a Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) desmantelou os grupos armados dos bairros marginalizados da capital, Porto Príncipe.

"As ações de pacificação continuam no caminho certo. Mas se não fizermos algo para a população nas áreas onde os grupos foram extintos, pode ser que percam a confiança no governo e na comunidade internacional", disse.

Poucos resultados

O representante afirmou que os haitianos passaram por décadas de sofrimento e que, até o momento, os acordos de cooperação eram basicamente bilaterais e não obtiveram resultados.

"Devemos atuar conjuntamente e oferecer um apoio coerente ao Haiti (...) Isso requer uma injeção de dinheiro nos bairros marginais. Não vejo como a população pode sair da pobreza sem o apoio financeiro. Realmente, devemos ser mais ativos e agressivos", ressaltou.

As ações, afirmou, devem ser de curto prazo, com planos trabalhistas específicos e a reconstrução de escolas e da infra-estrutura. Ele também defendeu trabalhos a longo prazo, como a assistência na reforma do corpo da polícia nacional haitiana e do sistema judiciário.

"A ajuda externa deve ser destinada às prioridades que a comunidade internacional, em seu conjunto, impôs. Devemos trabalhar juntos para potencializar o impacto ao máximo", afirmou
Lembrou os esforços feitos pela Minustah em Cité Soleil, um dos bairros mais violentos e pobres da capital haitiana, que nas últimas semanas não registrou nenhum ato de violência.

Brasileiros

Com a renovação, no dia 15 de fevereiro, do mandato da força de paz internacional no Haiti pelo Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas (ONU), os 1.200 soldados brasileiros que atuam na missão permanecerão pelo menos mais oito meses no país.

A missão, que é comandada pelo Brasil, terá a função especial de intensificar a luta contra gangues armadas e reestabelecer a segurança no país.

Os soldados do contingente brasileiro da missão de paz iniciaram sua campanha de entrega de alimentos e água potável, e instalaram uma clínica móvel em uma quadra de basquete, depois das sucessivas operações para livrar o bairro de grupos armados.

A força de paz da ONU --que atualmente conta com aproximadamente 8.800 efetivos (6.800 soldados e 2.000 policiais) foi destacada para o Haiti pouco depois da derrubada do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide em uma rebelião armada em fevereiro de 2004. A Minustah é formada por tropas dos seguintes países: Argentina, Benin, Bolívia, Brasil, Canadá, Chade, Chile, Croácia, França, Jordânia, Nepal, Paraguai, Peru, Portugal, Turquia e Uruguai.

O Brasil é o país com o maior número de militares e vem liderando a missão desde o seu primeiro mandato, em 2004.

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