11/03/2007
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10h27
Enviado especial da Folha de S.Paulo a Porto Príncipe
Os soldados brasileiros da Minustah têm sido alvo de milhares de disparos vindos dos bandos armados das favelas de Porto Príncipe. Relatórios diários de ação dos militares do Batalhão de Força de Paz Haiti revelam que os brasileiros foram alvejados cerca de 11 mil vezes só no mês de fevereiro.
Regidos por regras de engajamento da ONU, que só autorizam disparos em reação, proporcionais à ameaça e com a visualização do alvo, os brasileiros atiraram de volta cerca de 5.000 vezes no mês. Fevereiro teve intensos confrontos para a tomada de Boston, região da violenta Cité Soleil.
Desde junho de 2004 liderando os capacetes azuis no país caribenho, o Brasil ainda não registrou nenhum militar morto em confronto. A única morte foi a do general Urano Bacellar, chefe militar da Minustah, que se suicidou em janeiro do ano passado.
Documento de 4 de fevereiro relata episódio da véspera: "Às 16h30, o Ponto Forte [base com ponto de observação] Coxim recebeu cerca de 300 tiros (...) vindos da direção de Boston. Após identificar a origem dos disparos, a tropa respondeu com 160 disparos (...) Não foram identificadas baixas".
"Esta é a nossa 'guerra'", disse o coronel Pedroza, da Comunicação Social do Batalhão, que reclama a conscientização no Brasil da importância da presença do país no Haiti.
O alto número de disparos dos integrantes dos grupos armados reflete, segundo militares brasileiros, despreparo e tiros a esmo. Apesar disso, eles utilizam uma série de táticas militares para dificultar a progressão das tropas de paz. Enormes fossos de até 3 m de profundidade e extensão são cavados nas ruas de acesso aos seus quartéis-generais --normalmente um imóvel no interior das comunidades-- para impedir a entrada de blindados com soldados.
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Especial
Leia o que já foi publicado sobre a Minustah
Brasileiros são alvo de 11 mil tiros em um mês no Haiti
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RAPHAEL GOMIDEEnviado especial da Folha de S.Paulo a Porto Príncipe
Os soldados brasileiros da Minustah têm sido alvo de milhares de disparos vindos dos bandos armados das favelas de Porto Príncipe. Relatórios diários de ação dos militares do Batalhão de Força de Paz Haiti revelam que os brasileiros foram alvejados cerca de 11 mil vezes só no mês de fevereiro.
Regidos por regras de engajamento da ONU, que só autorizam disparos em reação, proporcionais à ameaça e com a visualização do alvo, os brasileiros atiraram de volta cerca de 5.000 vezes no mês. Fevereiro teve intensos confrontos para a tomada de Boston, região da violenta Cité Soleil.
Desde junho de 2004 liderando os capacetes azuis no país caribenho, o Brasil ainda não registrou nenhum militar morto em confronto. A única morte foi a do general Urano Bacellar, chefe militar da Minustah, que se suicidou em janeiro do ano passado.
Documento de 4 de fevereiro relata episódio da véspera: "Às 16h30, o Ponto Forte [base com ponto de observação] Coxim recebeu cerca de 300 tiros (...) vindos da direção de Boston. Após identificar a origem dos disparos, a tropa respondeu com 160 disparos (...) Não foram identificadas baixas".
"Esta é a nossa 'guerra'", disse o coronel Pedroza, da Comunicação Social do Batalhão, que reclama a conscientização no Brasil da importância da presença do país no Haiti.
O alto número de disparos dos integrantes dos grupos armados reflete, segundo militares brasileiros, despreparo e tiros a esmo. Apesar disso, eles utilizam uma série de táticas militares para dificultar a progressão das tropas de paz. Enormes fossos de até 3 m de profundidade e extensão são cavados nas ruas de acesso aos seus quartéis-generais --normalmente um imóvel no interior das comunidades-- para impedir a entrada de blindados com soldados.
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