17/04/2007
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15h11
O sul-coreano Cho Seung-hui, 23, identificado como autor do massacre que deixou 32 mortos ontem Instituto Politécnico da Virgínia (EUA) aparentemente premeditou sua ação violenta.
Em carta encontrada pela polícia em um dos dormitórios, o agressor se queixa dos garotos "ricos, festeiros e charlatões" da universidade e afirma que foram eles que "causaram a tragédia".
Ontem, em dois ataques que ocorreram em cerca de duas horas, o estudante protagonizou o mais grave ataque a mão armada em um campus de universidade nos EUA desde 1966. Cho matou 32 pessoas [a maioria estudantes] e se suicidou.
Segundo o jornal "Chicago Tribune", ele dava sinais de comportamento violento e fora do normal, tendo inclusive ateado fogo a um dormitório e assediado estudantes da universidade.
De acordo com Carolyn Rude, chefe do Departamento de Inglês, seu comportamento causava apreensão entre professores. "Havia preocupação a respeito dele", disse ela.
Cho vivia nos Estados Unidos desde 1992, de acordo com o porta-voz do Departamento de Imigração americano, Chris Bentley. Ele morava com a família em Centreville, na Virgínia.
Seus pais são donos de uma lavanderia e sua irmã é aluna da Universidade de Princeton.
"Ele era um solitário, estamos tendo dificuldades para obter informações a seu respeito", disse o porta-voz da universidade, Larry Hincker.
"Ele era muito quieto e estava sempre sozinho", afirmou o vizinho Abdul Shash. Segundo ele, Cho passava grande parte de seu tempo livre jogando basquete e não respondia quando alguém o cumprimentava.
Segundo a polícia, ele chegou a ser submetido a tratamento para depressão. Seu corpo foi encontrado entre os 31 mortos em Norris Hall, prédio da Engenharia. De acordo com a polícia, os corpos das vítimas foram encontrados em quatro salas de aula e nas escadas.
Testes balísticos apontam que as mesmas armas --duas no total-- foram utilizadas em ambos os ataques, segundo a polícia da Virgínia. De acordo com a polícia, foi encontrada na mochila do estudante a nota fiscal de uma pistola Glock 9 milímetros adquirida em março último.
O Ministério de Relações Exteriores sul-coreano expressou suas condolências, dizendo esperar que a tragédia não suscite "preconceito ou discriminação racial". "Estamos em choque", disse o representante Cho Byung-se.
"Expressamos condolências às vítimas, aos familiares e ao povo americano", acrescentou.
Homenagem
Um ato em homenagem às vítimas teve início às 14h (15h de Brasília) desta terça-feira, com a presença do presidente americano, George W. Bush, da primeira-dama, Laura Bush, e do governador da Virgínia, Tim Kaine.
Após a ação --o pior contra o campus de uma universidade da história dos Estados Unidos-- o governador da Virgínia, Tim Kaine, declarou estado de emergência em todo o Estado americano. Com o estado de emergência, todos os prédios públicos da Virgínia deverão hastear suas bandeiras a meio mastro em sinal de luto pela tragédia.
As duas ações, que ocorreram em lados opostos do campus, tiveram início às 7h15 (8h15 de Brasília) em West Ambler Johnston Hall, residência estudantil que abriga ao menos 895 pessoas. Duas pessoas morreram. Duas horas depois, Norris Hall, edifício da engenharia, foi alvo de outro ataque a tiros. Outras 30 pessoas morreram, na maioria estudantes.
Os tiroteios despertaram lembranças de outro massacre, que ocorreu em Columbine, no Colorado, e completa oito anos nesta semana. No episódio, dois alunos mataram 12 colegas e um professor antes de se suicidarem em 20 de abril de 1999.
Antes de segunda-feira (16), o pior ataque contra um campus da história dos EUA havia ocorrido em 1966 na Universidade do Texas, quando Charles Whitman subiu em uma torre de observação de 27 andares e abriu fogo. Ele matou 16 pessoas antes de ser baleado e morto.
Vítimas
Entre os 32 mortos nos ataques estão ao menos três professores da universidade: o israelense Liviu Librescu, 76, o americano Kevin Granata e o indiano G.V. Loganathan, 51.
Librescu que era sobrevivente do Holocausto, lecionava na Faculdade de Engenharia e Mecânica e tentou impedir o atirador de entrar em sua sala de aula. Sua atitude permitiu que vários alunos fugissem pela janela da sala. O professor foi morto com um tiro na cabeça.
Loganathan era indiano e lecionava no Departamento de Engenharia Civil. Granata dava aulas no Departamento de Biomecânica e era um dos cinco maiores especialistas dos EUA na área.
Outras vítimas foram os norte-americanos Emily Jane Hilscher, 19, de Woodville; Mary Karen Read, 19, de Annandale; Ross Abdallah Alameddine, 20, de Saugus (Massachusetts); e Daniel Perez Cueva, 21, que era peruano.
Os estudantes Ryan Clark, de Martinez (Georgia) também foi morto nos ataques, segundo a polícia e Caitlin Hammaren, 19, de Westtown (Nova York) também morreram na tragédia.
Ataques
O estudante Trey Perkins relatou ao jornal americano "The Washington Post" que o atirador disparou contra a cabeça de Librescu e, em seguida, abriu fogo na sala de aula. "Ele deveria ter cerca de 19 anos e tinha um olhar sério mas calmo em seu rosto", conta o aluno.
"Todos atiraram-se no chão na hora", disse Perkins, que é estudante do segundo ano de Engenharia Mecânica. "E os tiros pareciam que iriam durar para sempre".
Segundo Alec Calhoun, 20, que também estava no local do ataque, vários alunos pularam pela janela para fugir do atirador. "Acho que eu fui o oitavo ou o nono a pular", afirmou. Ele relata que viu dois estudantes serem feridos, mas que acredita que eles sobreviveram.
A estudante Erin Sheehan, que estava na sala de aula vizinha, conta que foi uma das quatro pessoas que conseguiram deixar a sala ilesas.
Os outros alunos-- ao menos 20-- foram feridos ou mortos pelo atirador.
Segundo ela, o agressor tinha aparência asiática, vestia roupas escuras e aparentava ser "um jovem comum".
Críticas
A tragédia suscitou críticas de estudantes a respeito da segurança dentro do campus.
Muitos alunos questionaram a falta de um alerta das autoridades entre um ataque e outro, que tiveram um intervalo de duas horas. "A universidade tem sangue nas mãos devido à falta de ação após o primeiro incidente", afirmou Billy Bason, 18, que mora no 7º andar de West Ambler Johnston, residência estudantil onde os ataques tiveram início.
Segundo relatos de estudantes, a primeira mensagem da universidade sobre o episódio foi um e-mail mais de duas horas depois do início do ataque, quando o atirador já estava atirando em Norris Hall.
O presidente da universidade, Charles Steger, disse que as autoridades inicialmente acreditaram que o tiroteio no dormitório estudantil era uma briga doméstica e que o atirador havia fugido do campus. "Não tínhamos motivos para suspeitar que outro ataque iria acontecer. Só podemos tomar decisões com base nas informações que temos."
O site da universidade informou que o campus recebeu duas ameaças de bombas neste mês, e que havia uma recompensa de US$ 5.000 em troca de informações que levassem aos responsáveis.
Choque
Os ataques chocaram os alunos da instituição, entre eles a brasileira Deise Galan, 19, presidente da Associação de Estudantes Brasileiros. "Estamos todos chocados e muito tristes. Nunca vivi nada parecido aqui", disse ela por telefone à Folha Online.
"Há forte comoção. É difícil dizer exatamente o que está acontecendo", disse ontem Jason Anthony Smith, 19, que mora no dormitório onde um dos ataques a tiros ocorreu.
O Instituto Politécnico da Virgínia tem 26 mil estudantes e fica a 390 km de Washington.
É a segunda vez em menos de um ano que a universidade teve de ser fechada devido a um tiroteio. Em agosto de 2006, o reinício das aulas foi suspenso e a entrada no campus foi bloqueada depois que um fugitivo matou um segurança e um policial envolvidos em uma perseguição ocorrida em um ponto próximo da universidade.
Com agências internacionais
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Carta indica premeditação de massacre que matou 32 na Virgínia
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da Folha OnlineO sul-coreano Cho Seung-hui, 23, identificado como autor do massacre que deixou 32 mortos ontem Instituto Politécnico da Virgínia (EUA) aparentemente premeditou sua ação violenta.
Em carta encontrada pela polícia em um dos dormitórios, o agressor se queixa dos garotos "ricos, festeiros e charlatões" da universidade e afirma que foram eles que "causaram a tragédia".
Ontem, em dois ataques que ocorreram em cerca de duas horas, o estudante protagonizou o mais grave ataque a mão armada em um campus de universidade nos EUA desde 1966. Cho matou 32 pessoas [a maioria estudantes] e se suicidou.
| Reprodução |
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| O sul-coreano Cho Seung-Hui, 23, autor dos ataques contra universidade na Virgínia |
De acordo com Carolyn Rude, chefe do Departamento de Inglês, seu comportamento causava apreensão entre professores. "Havia preocupação a respeito dele", disse ela.
Cho vivia nos Estados Unidos desde 1992, de acordo com o porta-voz do Departamento de Imigração americano, Chris Bentley. Ele morava com a família em Centreville, na Virgínia.
Seus pais são donos de uma lavanderia e sua irmã é aluna da Universidade de Princeton.
"Ele era um solitário, estamos tendo dificuldades para obter informações a seu respeito", disse o porta-voz da universidade, Larry Hincker.
"Ele era muito quieto e estava sempre sozinho", afirmou o vizinho Abdul Shash. Segundo ele, Cho passava grande parte de seu tempo livre jogando basquete e não respondia quando alguém o cumprimentava.
Segundo a polícia, ele chegou a ser submetido a tratamento para depressão. Seu corpo foi encontrado entre os 31 mortos em Norris Hall, prédio da Engenharia. De acordo com a polícia, os corpos das vítimas foram encontrados em quatro salas de aula e nas escadas.
Testes balísticos apontam que as mesmas armas --duas no total-- foram utilizadas em ambos os ataques, segundo a polícia da Virgínia. De acordo com a polícia, foi encontrada na mochila do estudante a nota fiscal de uma pistola Glock 9 milímetros adquirida em março último.
O Ministério de Relações Exteriores sul-coreano expressou suas condolências, dizendo esperar que a tragédia não suscite "preconceito ou discriminação racial". "Estamos em choque", disse o representante Cho Byung-se.
"Expressamos condolências às vítimas, aos familiares e ao povo americano", acrescentou.
Homenagem
Um ato em homenagem às vítimas teve início às 14h (15h de Brasília) desta terça-feira, com a presença do presidente americano, George W. Bush, da primeira-dama, Laura Bush, e do governador da Virgínia, Tim Kaine.
| Casey Templeton/AP |
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| Estudantes acendem velas após ataques que mataram 32 em campus de universidade |
As duas ações, que ocorreram em lados opostos do campus, tiveram início às 7h15 (8h15 de Brasília) em West Ambler Johnston Hall, residência estudantil que abriga ao menos 895 pessoas. Duas pessoas morreram. Duas horas depois, Norris Hall, edifício da engenharia, foi alvo de outro ataque a tiros. Outras 30 pessoas morreram, na maioria estudantes.
Os tiroteios despertaram lembranças de outro massacre, que ocorreu em Columbine, no Colorado, e completa oito anos nesta semana. No episódio, dois alunos mataram 12 colegas e um professor antes de se suicidarem em 20 de abril de 1999.
Antes de segunda-feira (16), o pior ataque contra um campus da história dos EUA havia ocorrido em 1966 na Universidade do Texas, quando Charles Whitman subiu em uma torre de observação de 27 andares e abriu fogo. Ele matou 16 pessoas antes de ser baleado e morto.
Vítimas
Entre os 32 mortos nos ataques estão ao menos três professores da universidade: o israelense Liviu Librescu, 76, o americano Kevin Granata e o indiano G.V. Loganathan, 51.
| Divulgação |
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| Liviu Librescu, 76, um dos professores mortos na tragédia |
Loganathan era indiano e lecionava no Departamento de Engenharia Civil. Granata dava aulas no Departamento de Biomecânica e era um dos cinco maiores especialistas dos EUA na área.
Outras vítimas foram os norte-americanos Emily Jane Hilscher, 19, de Woodville; Mary Karen Read, 19, de Annandale; Ross Abdallah Alameddine, 20, de Saugus (Massachusetts); e Daniel Perez Cueva, 21, que era peruano.
Os estudantes Ryan Clark, de Martinez (Georgia) também foi morto nos ataques, segundo a polícia e Caitlin Hammaren, 19, de Westtown (Nova York) também morreram na tragédia.
Ataques
O estudante Trey Perkins relatou ao jornal americano "The Washington Post" que o atirador disparou contra a cabeça de Librescu e, em seguida, abriu fogo na sala de aula. "Ele deveria ter cerca de 19 anos e tinha um olhar sério mas calmo em seu rosto", conta o aluno.
"Todos atiraram-se no chão na hora", disse Perkins, que é estudante do segundo ano de Engenharia Mecânica. "E os tiros pareciam que iriam durar para sempre".
Segundo Alec Calhoun, 20, que também estava no local do ataque, vários alunos pularam pela janela para fugir do atirador. "Acho que eu fui o oitavo ou o nono a pular", afirmou. Ele relata que viu dois estudantes serem feridos, mas que acredita que eles sobreviveram.
A estudante Erin Sheehan, que estava na sala de aula vizinha, conta que foi uma das quatro pessoas que conseguiram deixar a sala ilesas.
Os outros alunos-- ao menos 20-- foram feridos ou mortos pelo atirador.
Segundo ela, o agressor tinha aparência asiática, vestia roupas escuras e aparentava ser "um jovem comum".
Críticas
A tragédia suscitou críticas de estudantes a respeito da segurança dentro do campus.
| AP |
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| Parentes reúnem-se após tragédia que matou 32 na Virgínia |
Segundo relatos de estudantes, a primeira mensagem da universidade sobre o episódio foi um e-mail mais de duas horas depois do início do ataque, quando o atirador já estava atirando em Norris Hall.
O presidente da universidade, Charles Steger, disse que as autoridades inicialmente acreditaram que o tiroteio no dormitório estudantil era uma briga doméstica e que o atirador havia fugido do campus. "Não tínhamos motivos para suspeitar que outro ataque iria acontecer. Só podemos tomar decisões com base nas informações que temos."
O site da universidade informou que o campus recebeu duas ameaças de bombas neste mês, e que havia uma recompensa de US$ 5.000 em troca de informações que levassem aos responsáveis.
Choque
Os ataques chocaram os alunos da instituição, entre eles a brasileira Deise Galan, 19, presidente da Associação de Estudantes Brasileiros. "Estamos todos chocados e muito tristes. Nunca vivi nada parecido aqui", disse ela por telefone à Folha Online.
"Há forte comoção. É difícil dizer exatamente o que está acontecendo", disse ontem Jason Anthony Smith, 19, que mora no dormitório onde um dos ataques a tiros ocorreu.
O Instituto Politécnico da Virgínia tem 26 mil estudantes e fica a 390 km de Washington.
É a segunda vez em menos de um ano que a universidade teve de ser fechada devido a um tiroteio. Em agosto de 2006, o reinício das aulas foi suspenso e a entrada no campus foi bloqueada depois que um fugitivo matou um segurança e um policial envolvidos em uma perseguição ocorrida em um ponto próximo da universidade.
Com agências internacionais
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