Mundo
22/04/2007 - 13h54

Eleição presidencial na França tem comparecimento recorde

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da Folha Online

Ao comparecerem em massa às urnas neste domingo para escolherem o novo presidente da França, os eleitores aproximaram o país de um recorde. Segundo pesquisas dos institutos Ipsos e Ifop, a participação na eleição (que não é obrigatória) será de cerca de 87% do eleitorado, o que tornaria esta a eleição com maior participação --superando o índice de 1965, quando 84,75% dos eleitores registrados votaram.

Às 17h (12h de Brasília), a três horas do fechamento dos últimos colégios eleitorais, 73,81% dos eleitores já havia ido até as urnas para votar, informou o Ministério do Interior francês. Os dados representam um aumento de mais de 15% sobre o primeiro turno das eleições presidenciais de 2002 e superam mesmo a participação total naquele ano, que foi de 73%.

A diferença deve aumentar ainda mais porque em grande parte do território francês, como em Paris e sua periferia, e outras grandes cidades com Marselha, Toulouse e Lyon, a votação só termina às 20h.

Em 70% dos colégios eleitorais, a votação foi encerrada às 18h (13h de Brasília), enquanto que nas cidades medianas as urnas ficarão abertas por uma hora a mais e nas maiores localidades o processo só acabará às 20h (15h de Brasília).

Candidatos

Nicolas Sarkozy, 52, ex-ministro do Interior de posições firmes, liderou a socialista Ségolène Royal e outros dez candidatos nas pesquisas de opinião durante toda a campanha, que se encerrou na última sexta-feira (20). Segundo as pesquisas, porém, nenhum candidato deverá conseguir maioria, o que levará a um segundo turno no dia 6 de maio no qual disputarão a Presidência os dois mais votados.

A campanha foi dominada pela defesa de uma mudança no cenário político francês após 12 anos da liderança conservadora do presidente Jacques Chirac, que deixa um dos países mais ricos do mundo em meio a lutas por reforma econômica, geração de empregos e integração social.

Todos os candidatos à Presidência já deram seu voto hoje. O primeiro a votar foi Sarkozy, que compareceu em um colégio eleitoral de Neuilly-sul-Seine, nos arredores de Paris, acompanhado de sua mulher, Cécilia, e das duas filhas desta.

A socialista Ségolène Royal votou em um colégio de Melle, no centro da França, na região de Poitou-Cherentes, da qual é presidente. Ela compareceu sem seu companheiro, o primeiro-secretário do Partido Socialista, François Hollande, que votou em Tulle, localidade onde é prefeito.

O centrista François Bayrou votou na cidade de Pau, no sul da França. O candidato da extrema-direita, Jean-Marie Le Pen, votou em Saint-Cloud, uma outra periferia elegante de Paris.

As primeiras estimativas oficiais de quem disputará o segundo turno, no dia 6 de maio, serão divulgadas quando as urnas se fecharem.

Voto eletrônico

Polêmico desde o início, o voto através de urnas eletrônicas, utilizado hoje pela primeira vez na eleição presidencial do país, provocou problemas em vários colégios eleitorais, além de protestos e denúncias.

A principal disfunção ocorreu em Reims, no noroeste da França, onde um problema elétrico atrasou a abertura de alguns dos colégios equipados com as máquinas.

No total, 1,5 milhão dos 44,5 milhões de eleitores registrados no país deveriam usar a urna eletrônica hoje.

As urnas foram implantadas em 82 municípios com mais de 3.500 habitantes. Em vários deles, os problemas foram causados pelos protestos da população, que desconfia das máquinas.

O conselheiro regional de Ile-de-France, Daniel Guérin, do Movimento Republicano Cidadão (MRC), anunciou que pediu ao Conselho Constitucional que investigue supostas disfunções nas vistorias feitas nas urnas eletrônicas de Villeneuve-le-Roi, perto de Paris.

Em Issy-les-Moulineaux, outra cidade da periferia parisiense, uma pequena manifestação de eleitores contra o sistema eletrônico foi realizada para protestar contra atrasos e problemas.

Bombas

A calma geral que precedeu a eleição foi interrompida durante a madrugada deste sábado para domingo na ilha francesa de Córsega.

Na cidade de Bastia, duas bombas explodiram depois de confrontos durante uma demonstração separatista na ilha nos quais cinco policiais ficaram feridos. As bombas deixaram um pedestre ferido.

Pesquisas

As últimas pesquisas de opinião foram divulgadas até a última sexta-feira (20), quando a campanha se encerrou oficialmente.

De acordo com sondagem CSA, Sarkozy e Royal possuem 26,5% e 25,5%, respectivamente, das intenções de voto no primeiro turno, enquanto o candidato de ultradireita Jean-Marie Le Pen, em alta de 0,5 ponto, com 16,5%, ultrapassa o candidato de centro François Bayrou, com 16%.

Para o segundo turno, Ségolène Royal e Nicolas Sarkozy estão empatados em 50-50, segundo a pesquisa CSA.

De acordo com o instituto Ipsos, Sarkozy aparece estável com 30% e Royal ganha 0,5 ponto, com 23,5%. Nesta enquete, o terceiro homem é François Bayrou, com 17%, e Jean-Marie Le Pen obteria 13,5% (+0,5) dos votos.

No segundo turno, Sarkozy ficaria com 53,5% dos votos e Royal, 46,5%.

De acordo com a pesquisa BVA, Sarkozy estaria com 29% das intenções de voto, na frente de Royal, que ganha um ponto, 26%, seguida de Bayrou com mais 2 pontos, 17%. Le Pen baixa meio ponto, com 12,5% das intenções de voto.

No segundo turno, Sarkozy venceria Royal com 52% (queda de um ponto com relação ao levantamento anterior) dos votos contra 48% (crescimento de um ponto).

Segundo estes três institutos, nenhum dos outros oito candidatos ultrapassa os 5%, pontuação obtida por Olivier Besancenot da Liga Comunista Revolucionária (LCR).

A primeira pesquisa de opinião indicando um resultado possível é esperada para o final da votação, às 20h (15h de Brasília).

Com Efe, Reuters e France Presse

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