27/04/2007
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11h45
Em um aumento da tensão entre a Rússia e os Estados Unidos devido ao plano americano de instalar um sistema de defesa antimísseis no leste europeu, o presidente russo, Vladimir Putin, enfatizou nesta sexta-feira sua oposição à proposta. Putin afirmou que, caso os EUA insistam em instalar o escudo antimísseis na região, Moscou tomará medidas para responder ao ato.
Os Estados Unidos tentam sem sucesso convencer a Rússia a aceitar --e mesmo participar-- do sistema de defesa. O argumento é que o escudo americano está orientado "contra um inimigo potencial dotado de um arsenal pequeno", como pode ser o caso do Irã, escreveram a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e seu colega da Defesa, Robert Gates, em artigo publicado na edição de ontem do jornal russo "Nezavissimaya Gazeta".
"Este sistema é ineficaz contra o gigantesco arsenal nuclear e balístico que a Rússia possui. Falar de uma nova corrida armamentista com a Rússia é um anacronismo sem fundamento real", insistiram.
Apesar das tentativas, Putin reiterou hoje sua rejeição à insistência dos EUA, que querem instalar um escudo antimísseis e um sistema de radares na Polônia e na República Tcheca. Para o presidente russo, não há uma ameaça real para os EUA que justifique a implantação do sistema de defesa.
Suspeitas
Moscou suspeita que os EUA estejam considerando o arsenal de mísseis estratégicos da Rússia como um alvo. Putin fez as afirmações de hoje depois de se reunir com o presidente da República Tcheca, Vaclav Klaus, que disse ter se "esforçado para explicar ao presidente Putin que para os tchecos este plano não é voltado contra a Federação Russa".
A negociação não convenceu. "Esses sistemas irão controlar o território russo até os montes Urais --se, é claro, não fizermos nada a respeito, mas vamos fazer", disse Putin. O presidente comparou a instalação do sistema de defesa ao deslocamento de mísseis americanos na Europa durante a Guerra Fria, e disse que isso irá mudar toda o sistema de segurança da Europa.
Putin afirmou ainda que a Rússia está pronta para convidar "especialistas da Polônia, República Tcheca e outros países para provar que nem terroristas, nem a Coréia do Norte nem o Irã" têm mísseis que demandariam um sistema de defesa do tipo do americano.
"Não há qualquer base para o destacamento de sistemas de defesa de mísseis na Europa", completou o presidente.
Putin não questiona apenas o escudo americano, mas o fato de que Washington estacione tropas na Romênia e Bulgária, vizinhos da Rússia.
Tratado
A polêmica já começou a gerar conseqüências concretas. A Rússia anunciou nesta quinta-feira que deixará de cumprir temporariamente um acordo que limita a mobilização de tropas na Europa.
O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, confirmou ontem a representantes dos 26 países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, aliança militar liderada pelos EUA) reunidos em uma conferência que a Rússia considera suspensa a aplicação do tratado sobre as Forças Convencionais na Europa (FCE), podendo mesmo se retirar completamente do acordo, anunciou o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jaap de Hoop Scheffer.
O tratado do FCE foi firmado em 1990, ao término da Guerra Fria, e foi adaptado em 1999. A Rússia o ratificou em 2004, mas os países da Otan se recusam a firmar a versão adaptada deste tratado porque a Rússia não retirou suas tropas da Geórgia e da Moldávia.
"A Rússia é, na realidade, o único país a aplicar o tratado. Não queremos ser os únicos atores de um teatro do absurdo", afirmou Lavrov, defendendo que "temos de sair desse beco sem saída e voltar ao controle do armamento sem discriminação", afirmou Putin após a reunião com a Otan.
Com Associated Press e France Presse
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Rússia ameaça resposta a escudo antimísseis dos EUA na Europa
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da Folha OnlineEm um aumento da tensão entre a Rússia e os Estados Unidos devido ao plano americano de instalar um sistema de defesa antimísseis no leste europeu, o presidente russo, Vladimir Putin, enfatizou nesta sexta-feira sua oposição à proposta. Putin afirmou que, caso os EUA insistam em instalar o escudo antimísseis na região, Moscou tomará medidas para responder ao ato.
| Alexander Zemlianichenko/Reuters |
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| Vaclav Klaus e Putin discutiram sistema de defesa dos EUA |
"Este sistema é ineficaz contra o gigantesco arsenal nuclear e balístico que a Rússia possui. Falar de uma nova corrida armamentista com a Rússia é um anacronismo sem fundamento real", insistiram.
Apesar das tentativas, Putin reiterou hoje sua rejeição à insistência dos EUA, que querem instalar um escudo antimísseis e um sistema de radares na Polônia e na República Tcheca. Para o presidente russo, não há uma ameaça real para os EUA que justifique a implantação do sistema de defesa.
Suspeitas
Moscou suspeita que os EUA estejam considerando o arsenal de mísseis estratégicos da Rússia como um alvo. Putin fez as afirmações de hoje depois de se reunir com o presidente da República Tcheca, Vaclav Klaus, que disse ter se "esforçado para explicar ao presidente Putin que para os tchecos este plano não é voltado contra a Federação Russa".
A negociação não convenceu. "Esses sistemas irão controlar o território russo até os montes Urais --se, é claro, não fizermos nada a respeito, mas vamos fazer", disse Putin. O presidente comparou a instalação do sistema de defesa ao deslocamento de mísseis americanos na Europa durante a Guerra Fria, e disse que isso irá mudar toda o sistema de segurança da Europa.
Putin afirmou ainda que a Rússia está pronta para convidar "especialistas da Polônia, República Tcheca e outros países para provar que nem terroristas, nem a Coréia do Norte nem o Irã" têm mísseis que demandariam um sistema de defesa do tipo do americano.
"Não há qualquer base para o destacamento de sistemas de defesa de mísseis na Europa", completou o presidente.
Putin não questiona apenas o escudo americano, mas o fato de que Washington estacione tropas na Romênia e Bulgária, vizinhos da Rússia.
Tratado
A polêmica já começou a gerar conseqüências concretas. A Rússia anunciou nesta quinta-feira que deixará de cumprir temporariamente um acordo que limita a mobilização de tropas na Europa.
O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, confirmou ontem a representantes dos 26 países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, aliança militar liderada pelos EUA) reunidos em uma conferência que a Rússia considera suspensa a aplicação do tratado sobre as Forças Convencionais na Europa (FCE), podendo mesmo se retirar completamente do acordo, anunciou o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jaap de Hoop Scheffer.
O tratado do FCE foi firmado em 1990, ao término da Guerra Fria, e foi adaptado em 1999. A Rússia o ratificou em 2004, mas os países da Otan se recusam a firmar a versão adaptada deste tratado porque a Rússia não retirou suas tropas da Geórgia e da Moldávia.
"A Rússia é, na realidade, o único país a aplicar o tratado. Não queremos ser os únicos atores de um teatro do absurdo", afirmou Lavrov, defendendo que "temos de sair desse beco sem saída e voltar ao controle do armamento sem discriminação", afirmou Putin após a reunião com a Otan.
Com Associated Press e France Presse
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