Mundo
28/05/2007 - 10h59

Judeus ultra-ortodoxos pedem proibição dos computadores

da Efe, em Jerusalém

Um grupo de judeus ultra-ortodoxos lançou uma campanha para proibir totalmente o uso de computadores, por considerar que são "o mal disfarçado" e o autêntico "Satã".

Os "gerrer", uma seita hassídica (corrente mística judia) fundada no século 19, batem de porta em porta tentando convencer os membros da comunidade que possuem um computador dos "perigos espirituais" que isto representa para sua família, segundo a edição desta segunda-feira do jornal "Haaretz".

Embora os ultra-ortodoxos sejam proibidos de ver televisão, ir ao cinema e usar o computador, muitos destes religiosos radicais têm o aparelho em suas casas. "A inclinação ao mal e o Satã corruptor se envolveram em uma inocente fantasia em forma de computador", afirmava ontem o editorial do jornal ultra-ortodoxo "Hamodia", controlado pela seita "Ger".

O jornal critica o "declive espiritual" da juventude "haredi" (em hebraico, os "temerosos" de Deus), exposta a imagens proibidas na internet.

No entanto, os líderes rabínicos são resistentes a proibir os computadores, conscientes da importância deste avanço tecnológico também entre os judeus mais religiosos.

Por isso, os "gerrer", que não pretendem mais convencer os "sábios de Israel" para que imponham este critério, assinam o editorial em nome dos "pais e educadores e dos que estão atentos ao mal-estar das pessoas que buscam um modo de vida fora do abismo".

Com sede em Jerusalém, a seita "Ger" é uma das mais influentes, apesar de a maioria de seus 200 mil adeptos europeus ter morrido durante o Holocausto.

Há poucos dias, o rabino Ovadia Yosef, líder espiritual do partido Shas sefardita, entrou no debate iniciado pelos ultra-religiosos asquenazes (originais do centro e leste da Europa), com a proposta de uma internet própria. Trata-se de um sistema que permitiria apenas o acesso a uma série de sites aprovados por um comitê rabínico especial.

 

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