Mundo
31/05/2007 - 22h07

Estudantes aceitam dialogar com governo venezuelano

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da Efe, em Caracas

Estudantes que desde segunda-feira estão nas ruas para apoiar o canal privado RCTV, que não teve sua concessão renovada por ordem do presidente Hugo Chávez, aceitaram nesta quinta-feira um convite de diálogo feito pelo governo da Venezuela e afirmaram que estão lutando pelos "direitos civis" dos venezuelanos.

Em entrevista coletiva realizada na Universidade Simón Bolívar, uma das mais prestigiadas do país, o grupo de estudantes também convocou para esta sexta-feira uma nova passeata até a sede da Assembléia Nacional.

O porta-voz do grupo estudantil, John Goicoechea, disse que uma comissão irá à sede do Ministério do Interior para atender o convite de diálogo feito pelo titular da pasta, Pedro Carreño.

O representante estudantil disse que "não há uma greve nacional de estudantes" e garantiu que os objetivos das manifestações nas ruas têm a ver com os "direitos civis".

Nesse sentido, citou a liberdade de expressão, a liberdade de protestar em segurança e uma nova forma de atuação do governo e dos meios de comunicação.

Goicoechea criticou que haja veículos esperando que o governo renove a licença de transmissão porque isso "pode gerar autocensura".

Ele também pediu que os meios de comunicação, tanto os privados como os públicos, dêem espaço "aos cidadãos para divulgar suas opiniões de maneira independente", sem que a filiação política tenha importância. Segundo ele, a mídia deve ter "uma conduta responsável e garantir a pluralidade de opiniões".

Independência

Goicoechea disse que os estudantes que se manifestam desde segunda-feira são independentes dos partidos e grupos de oposição e que não seguem as formas de atuação deles.

"Somos estudantes, não somos políticos", afirmou o porta-voz dos universitários.

Apesar de não pertencerem aos partidos de oposição, os estudantes são contra o projeto revolucionário comandado pelo presidente Hugo Chávez. Goicoechea esclareceu que a "revolução" dos estudantes é a do progresso e da liberdade.

O estudante anunciou que amanhã será realizada uma manifestação que partirá da praça La India, no oeste da capital, e seguirá até a sede da Assembléia Nacional, no centro da cidade, para protestar contra declarações de alguns deputados que são contrários a suas atuações.

O porta-voz, que disse ser estudante de direito, informou que a permissão para a passeata está tramitando para que possam contar com a proteção dos corpos de segurança.

A rede Radio Caracas Televisión (RCTV), a mais antiga do país, com 53 anos, encerrou as transmissões em sinal aberto à 0h da última segunda-feira, quando venceu sua última concessão. Em seu lugar, a nova televisão de serviço público, TVES, começou a ser transmitida.

A retirada da RCTV do ar e a entrada da TVES provocou manifestações favoráveis e contrárias, que em geral foram pacíficas.

 

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