Israel celebra 40 anos da Guerra dos Seis dias nesta terça-feira
MARIANA BENEVIDES
Colaboração para a Folha Online
Israel celebra nesta terça-feira 40 anos do início da guerra em que seu Exército, em seis dias, derrotou forças do Egito, Jordânia e Síria, passando a ocupar um território três vezes maior.
A chamada Guerra dos Seis Dias entre árabes e israelenses ocorreu entre 5 e 10 de junho de 1967.
Israel passou a ocupar territórios em Jerusalém Oriental, na Cisjordânia e na faixa de Gaza, além do deserto egípcio do Sinai e as colinas sírias do Golã. Sob o governo do Partido Trabalhista, à época acreditou-se que os territórios ocupados poderiam servir como "moeda de troca" em negociações de paz com países árabes.
Passados 40 anos, Jerusalém Oriental, Cisjordânia e as colinas do Golã continuam ocupados. Mesmo a faixa de Gaza, desocupada em 2005, continua a sofrer incursões militares israelenses para operações específicas.
As "moedas de troca" não renderam uma negociação que tenha estabelecido a paz definitiva entre árabes e israelenses. Para muitos analistas, a interpretação mais positiva sobre a guerra de 1967 é a de que derrota fez os árabes começarem a aceitar que o Estado judaico não podia ser destruído.
Apesar de o governo palestino estar hoje sob o comando do grupo extremista Hamas, que defende que a região foi consagrada aos muçulmanos por Deus e que não é negociável, pesquisas apontam que a maioria dos palestinos está disposta a deixar Israel existir.
Nos territórios ocupados, o governo israelense impõe medidas como estradas exclusivas e centenas de pontos de inspeção e bloqueios. São medidas hostis que aumentam o extremismo palestino, fazendo com que se fortaleçam, em Israel, as lideranças que se opõem a um acordo histórico entre os dois povos.
O atual governo de Israel se diz comprometido com a solução de dois Estados, ou seja, com uma saída que assegure a existência de um Estado palestino ao lado do de Israel.
Mas com a Guerra do Líbano, em 2006, o governo israelense de Ehud Olmert ficou muito enfraquecido e desacreditado.
Pesquisas de opinião em Israel indicam que, se as eleições fossem realizadas hoje, venceria uma coalizão direitista que dificilmente levaria os israelenses a abrirem mão dos territórios ocupados.
Israelenses contrários à ocupação
Nesta terça-feira à tarde, israelenses pacifistas devem fazer manifestações contrárias às ocupações.
A primeira manifestação será em Tel Aviv e a segunda deve ocorrer no bairro palestino de Anata, em Jerusalém-Leste.
Em Tel Aviv, os manifestantes simularão situações humilhantes ocorridas nos mais de 500 postos de controle israelense na Cisjordânia.
O grupo israelense anti-colonização "Paz Agora" deve realizar um protesto na cidade palestina de Hebron, em cujo centro estão instalados cerca de 60 colonos judeus dos mais fanáticos.
"Queremos aproveitar a oportunidade para chamar a atenção para a colonização e dizer ao público israelense que a política de colonização prejudica os interesses de Israel", declarou à agência France Presse o líder da organização, Yaariv Oppenheimer.
Palestinos
O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, afirmou nesta terça-feira que os palestinos estão à beira de uma guerra civil, e que o atual governo de coalizão palestino é a "última oportunidade" para se salvar dessa catástrofe.
A respeito da ocupação, Abbas disse que a ocasião é um "dia negro" para os palestinos. "Junho de 1967 entrou para a história do Oriente Médio e do mundo como uma enorme derrota infligida aos árabes por Israel", declarou Abbas em discurso em Ramallah.
"Nossa revolta, apesar de todas as dificuldades, está à altura desta derrota, e esperamos apagá-la da memória com o final da ocupação dos territórios árabes e palestinos e a criação de nosso Estado independente", acrescentou o líder palestino.
No discurso, Abbas focou os conflitos internos entre os partidos rivais palestinos Hamas e Fatah, que já mataram ao menos 50 pessoas. Os dois partidos formaram uma coalizão em março, mas, após um ano de governo do Hamas, voltaram a confrontar-se em maio.
"A respeito de nossa situação interna, o que nos preocupa é o caos e, mais especificamente, o fato de estarmos à beira de uma guerra civil", disse Abbas.
Ele disse ter passado horas negociando com as facções e tentando dar fim à violência, e percebeu que, para os palestinos, a crise interna é "ainda mais perigosa que a ocupação".
Com Efe e France Presse
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