Mundo
05/06/2007 - 09h14

Palestinos estão à beira de uma guerra civil, diz Abbas

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da Folha Online

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, afirmou nesta terça-feira que os palestinos estão à beira de uma guerra civil, e que o atual governo de coalizão palestino é a "última oportunidade" para se salvar dessa catástrofe.

As declarações foram dadas por Abbas no dia que marca o 40º aniversário da Guerra dos Seis Dias, na qual Israel ocupou a Cisjordânia, a faixa de Gaza e Jerusalém, em 1967.

A respeito da ocupação, Abbas disse que a ocasião é um "dia negro" para os palestinos.

"Junho de 1967 entrou para a história do Oriente Médio e do mundo como uma enorme derrota infligida aos árabes por Israel", declarou Abbas em discurso em Ramallah.

Loay Abu Haykel/Reuters
Garoto palestino participa de protesto em Ramallah contra os 40 anos da ocupação
Garoto palestino participa de protesto em Ramallah contra os 40 anos da ocupação

"Nossa revolta, apesar de todas as dificuldades, está à altura desta derrota, e esperamos apagá-la da memória com o final da ocupação dos territórios árabes e palestinos e a criação de nosso Estado independente", acrescentou o líder palestino.

No discurso, Abbas focou os conflitos internos entre os partidos rivais palestinos Hamas e Fatah, que já mataram ao menos 50 pessoas. Os dois partidos formaram uma coalizão em março, mas, após um ano de governo do Hamas, voltaram a confrontar-se em maio.

"A respeito de nossa situação interna, o que nos preocupa é o caos e, mais especificamente, o fato de estarmos à beira de uma guerra civil", disse Abbas.

Ele disse ter passado horas negociando com as facções e tentando dar fim à violência, e percebeu que, para os palestinos, a crise interna é "ainda mais perigosa que a ocupação".

Críticas

Para Abbas, os confrontos entre as facções rivais atingem os palestinos "em todo o mundo".

Arte Folha Online

Ele também criticou grupos palestinos que seqüestraram, há um ano, um soldado israelense, e que continuam a lançar foguetes contra Israel, mesmo após a retirada de Gaza, em 2005.

Segundo o líder palestino, os extremistas provocaram uma retalização israelense que matou "centenas de palestinos".

O Parlamento palestino deve realizar uma sessão especial para marcar os 40 anos da ocupação. Em Israel, não deve haver cerimônias oficiais hoje porque o país segue um calendário hebraico para eventos especiais.

Em 15 de maio, o premiê israelense, Ehud Olmert, fez um discurso no Knesset [Parlamento] para marcar a ocupação de Jerusalém Leste.

Protestos

Nesta terça-feira à tarde, israelenses pacifistas devem fazer manifestações contrárias às ocupações.

Yonathan Weitzman/Reuters
Judeu ortodoxo caminha por rua de Jerusalém; ocupação faz 40 anos
Judeu ortodoxo caminha por rua de Jerusalém; ocupação faz 40 anos

A primeira manifestação será em Tel Aviv e a segunda deve ocorrer no bairro palestino de Anata, em Jerusalém Leste.

Em Tel Aviv, os manifestantes simularão situações humilhantes ocorridas nos mais de 500 postos de controle israelense na Cisjordânia.

O grupo israelense anti-colonização "Paz Agora" deve realizar um protesto na cidade palestina de Hebron, em cujo centro estão instalados cerca de 60 colonos judeus dos mais fanáticos.

"Queremos aproveitar a oportunidade para chamar a atenção para a colonização e dizer ao público israelense que a política de colonização prejudica os interesses de Israel", declarou à agência France Presse o líder da organização, Yaariv Oppenheimer.

 

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