Palestinos estão à beira de uma guerra civil, diz Abbas
da Folha Online
O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, afirmou nesta terça-feira que os palestinos estão à beira de uma guerra civil, e que o atual governo de coalizão palestino é a "última oportunidade" para se salvar dessa catástrofe.
As declarações foram dadas por Abbas no dia que marca o 40º aniversário da Guerra dos Seis Dias, na qual Israel ocupou a Cisjordânia, a faixa de Gaza e Jerusalém, em 1967.
A respeito da ocupação, Abbas disse que a ocasião é um "dia negro" para os palestinos.
"Junho de 1967 entrou para a história do Oriente Médio e do mundo como uma enorme derrota infligida aos árabes por Israel", declarou Abbas em discurso em Ramallah.
| Loay Abu Haykel/Reuters |
![]() |
| Garoto palestino participa de protesto em Ramallah contra os 40 anos da ocupação |
"Nossa revolta, apesar de todas as dificuldades, está à altura desta derrota, e esperamos apagá-la da memória com o final da ocupação dos territórios árabes e palestinos e a criação de nosso Estado independente", acrescentou o líder palestino.
No discurso, Abbas focou os conflitos internos entre os partidos rivais palestinos Hamas e Fatah, que já mataram ao menos 50 pessoas. Os dois partidos formaram uma coalizão em março, mas, após um ano de governo do Hamas, voltaram a confrontar-se em maio.
"A respeito de nossa situação interna, o que nos preocupa é o caos e, mais especificamente, o fato de estarmos à beira de uma guerra civil", disse Abbas.
Ele disse ter passado horas negociando com as facções e tentando dar fim à violência, e percebeu que, para os palestinos, a crise interna é "ainda mais perigosa que a ocupação".
Críticas
Para Abbas, os confrontos entre as facções rivais atingem os palestinos "em todo o mundo".
| Arte Folha Online |
![]() |
Ele também criticou grupos palestinos que seqüestraram, há um ano, um soldado israelense, e que continuam a lançar foguetes contra Israel, mesmo após a retirada de Gaza, em 2005.
Segundo o líder palestino, os extremistas provocaram uma retalização israelense que matou "centenas de palestinos".
O Parlamento palestino deve realizar uma sessão especial para marcar os 40 anos da ocupação. Em Israel, não deve haver cerimônias oficiais hoje porque o país segue um calendário hebraico para eventos especiais.
Em 15 de maio, o premiê israelense, Ehud Olmert, fez um discurso no Knesset [Parlamento] para marcar a ocupação de Jerusalém Leste.
Protestos
Nesta terça-feira à tarde, israelenses pacifistas devem fazer manifestações contrárias às ocupações.
| Yonathan Weitzman/Reuters |
![]() |
| Judeu ortodoxo caminha por rua de Jerusalém; ocupação faz 40 anos |
A primeira manifestação será em Tel Aviv e a segunda deve ocorrer no bairro palestino de Anata, em Jerusalém Leste.
Em Tel Aviv, os manifestantes simularão situações humilhantes ocorridas nos mais de 500 postos de controle israelense na Cisjordânia.
O grupo israelense anti-colonização "Paz Agora" deve realizar um protesto na cidade palestina de Hebron, em cujo centro estão instalados cerca de 60 colonos judeus dos mais fanáticos.
"Queremos aproveitar a oportunidade para chamar a atenção para a colonização e dizer ao público israelense que a política de colonização prejudica os interesses de Israel", declarou à agência France Presse o líder da organização, Yaariv Oppenheimer.
Leia mais
- Triunfo na Guerra dos Seis dias se tornou ameaça para Israel
- Israel celebra 40 anos da Guerra dos Seis dias nesta terça-feira
- Ocupação israelense completa 40 anos sem solução
- Ex-soldados lembram conflito que consolidou força de Israel
Especial




