EUA armam sunitas para combater membros da Al Qaeda no Iraque
da Folha Online
Após quatro meses de uma operação militar que visa deter a violência sectária e ataques insurgentes no Iraque, que até agora alcançou poucos resultados, os EUA lançam agora uma nova estratégia no país, segundo reportagem do "New York Times".
De acordo com o jornal, o Exército americano tenta agora armar grupos sunitas que prometem lutar contra a rede terrorista Al Qaeda, de quem os insurgentes já foram aliados.
| Marcelo Katsuki/Fol |
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Em alguns casos, de acordo com o "Times", os grupos sunitas são suspeitos de envolvimento com ataques contra tropas americanas no Iraque. Mesmo assim, alguns deles receberão agora, por meio de unidades do Exército iraquiano ligadas aos EUA, com armas, munições e dinheiro.
Fontes do Exército americano ouvidas pelo jornal dizem que os grupos tinham ligação com a Al Qaeda no Iraque, mas teriam se decepcionado com as táticas extremas da rede, particularmente com ataques suicidas que mataram milhares de civis iraquianos.
De acordo com o "Times", comandantes americanos testaram a estratégia com sucesso na Província de Anbar, a oeste de Bagdá, e já se reuniram com grupos sunitas do centro e do norte do Iraque para negociações. Em troca do apoio americano, os grupo sunitas teriam aceito lutar contra a rede Al Qaeda e suspender ações contra alvos dos EUA no país.
As áreas incluiriam partes de Bagdá, como a região de Amiriya, considerada um bastião xiita; a área ao sul da capital, na Província de Babil, chamada de Triângulo da Morte; a Província de Diyala, ao norte e leste de Bagdá; e a Província de Salahuddin, ao norte de Bagdá.
Risco
De acordo com comandantes ouvidos pelo "Times", apesar dos riscos em armar grupos que, até o momento, eram considerados inimigos dos EUA no Iraque, o potencial de ganhos para o combate à rede Al Qaeda era "muito grande" para ser deixado de lado pelo Exército.
| Ali Jasim/Reuters |
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Mesmo que a estratégia seja apenas parcialmente bem-sucedida, segundo o jornal, ela pode ser útil para estabilizar o Iraque e acelerar o retorno das tropas americanas para casa.
Um declínio inicial na violência sectária registrado nos dois primeiros meses da operação militar em Bagdá foi revertido. Atualmente, cada vez mais corpos são encontrados a cada dia no Iraque.
No entanto, segundo o jornal americano, críticos da nova estratégia dizem que os EUA podem estar, com a nova tática, "armando os dois lados" em uma futura guerra civil.
Os EUA gastaram mais de US$ 15 bilhões no reforço do Exército e da polícia iraquiana, cuja maioria dos 350 mil membros é composta por xiitas.
De acordo com o jornal, há também a possibilidade de as armas serem utilizadas contra alvos americanos.
Com "The New York Times"
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