Hamas invade prédio do Fatah em Gaza; ao menos 21 morrem
da Folha Online
Ao menos 21 pessoas morreram nesta terça-feira depois que homens do grupo islâmico e partido político Hamas, que possui braço armado, invadiram uma sede da segurança do rival Fatah na Cidade de Gaza. O Fatah confirmou a invasão.
Cerca de 200 homens cercaram o complexo, onde ao menos de 500 membros do Fatah ficaram isolados. O Hamas lançou morteiros e granadas contra o edifício.
Forças leais ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, ordenaram que seus homens defendam suas posições em Gaza para deter uma suposto tentativa de "golpe" do Hamas para tomar o controle da segurança na região.
"Avancem, entrem em confronto com os que tentam realizar um golpe. Defendam sua dignidade e sua honra militar. Defendam a segurança de seu povo", disse a Força Nacional de Segurança de Abbas em um comunicado divulgado em Gaza.
O comunicado descreve o Hamas como um partido "violento que visa lançar um golpe contra o presidente [Abbas], contra a ANP e contra o governo de união nacional".
O Fatah e o Hamas dividem o controle do governo palestino, mas as divergências entre as facções geraram confrontos armados que já mataram ao menos 20 pessoas nos últimos quatro dias.
Os dois partidos disputam o controle da segurança desde que o Hamas venceu as eleições parlamentares de janeiro de 2006. Desde então, cerca de 630 palestinos morreram nos confrontos internos em Gaza.
O acordo para o governo de coalizão palestino, que divide o poder entre os dois grupos, foi firmado em fevereiro último, mas não foi capaz de apaziguar os conflitos.
Reunião
O Fatah, do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, anunciou para as 20h (14h de Brasília) de hoje uma reunião de seu Comitê central para discutir a manutenção do governo de divisão de poder entre os dois grupos.
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Mais cedo hoje, o Hamas havia estipulado um prazo para que o Fatah retirasse seus homens das ruas da Cidade de Gaza.
O ultimato, transmitido pela rádio do Hamas, deu até as 14h (8h de Brasília) para que todos os membros da guarda presidencial, da guarda nacional e outros órgãos de segurança ligados ao Fatah deixem as ruas.
O porta-voz do Fatah, Abdel Hakim Awad, rejeitou o ultimato e afirmou que "as forças de segurança não darão nenhuma atenção a essa bobagem e vão defender a sede da segurança com todo o seu poder".
As Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, braço armado do Fatah, declarou estado de emergência em Gaza. Abbas emitiu um apelo para um cessar-fogo imediato e por novas reuniões entre as facções e mediadores egípcios. As tréguas anteriores foram rapidamente violadas.
Ataques
Também nesta terça-feira, granadas e morteiros atingiram a casa do premiê palestino, Ismail Haniyeh, do Hamas, e o escritório do presidente da ANP. Não houve registro de feridos nas ações.
Segundo o filho de Haniyeh, Abdel Salam, uma granada caiu na lateral da casa, danificando-a, enquanto a família estava no local, próximo do campo de refugiados de Shati.
Em outro episódio, membros da guarda presidencial, ligada a Abbas, seqüestraram dois funcionários e apreenderam equipamentos em um escritório da rede de TV Al Aqsa --ligada ao Hamas-- em Ramallah, na Cisjordânia. A emissora transmite imagens da faixa de Gaza.
Dois homens armados --um do Hamas e outro do Fatah-- morreram em confrontos em Gaza.
Um grupo armado também seqüestrou e matou um membro do braço armado do Hamas, que é sobrinho de Abdel Aziz Rantissi, líder do Hamas assassinado em Israel em 2004.
Hospital
Também hoje, confrontos eclodiram em frente ao Hospital Europeu na cidade de Khan Younis, no sul de Gaza. Homens do Hamas posicionados em telhados trocaram tiros com membros do Fatah.
Crianças que brincavam na linha de tiro foram levadas às pressas para dentro do prédio do hospital, que é financiado por doações de países europeus.
Em outra ação, membros do Hamas atacaram a casa de um alto oficial da segurança do Fatah com morteiros e granadas, matando seu filho de 14 anos e três mulheres.
Integrantes do Fatah invadiram a casa de um legislador do Hamas e atearam fogo no local.
Com Reuters e Efe
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