Mundo
13/06/2007 - 08h17

Hamas toma controle de principal estrada de Gaza; seis morrem

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da Folha Online

Violentos confrontos continuam a atingir a faixa de Gaza nesta quarta-feira, com membros do grupo islâmico Hamas tomando a principal estrada que liga as áreas sul e norte da região. Enquanto a violência se intensifica, cresce o temor por uma guerra civil na região. Desde a segunda-feira (11), mais de 50 pessoas morreram em decorrência dos combates.

O Hamas --partido político que possui braço armado-- se confronta com o partido rival Fatah, que também possui representação armada, para ocupar locais estratégicos como edifícios altos na Cidade de Gaza, que servem como posições para franco-atiradores que atuam na disputa entre as duas facções.

Seis homens do Hamas morreram na invasão da casa de um comandante do Fatah na Cidade de Gaza.

Suhaib Salem/Reuters
Homens do Hamas vigiam funeral de membro do grupo em Gaza
Homens do Hamas vigiam funeral de membro do grupo em Gaza

Os dois grupos disputam o controle da segurança desde que o Hamas venceu as eleições parlamentares de janeiro de 2006. Desde então, cerca de 630 palestinos morreram nos confrontos em Gaza. O acordo para o governo de coalizão palestino, que divide o poder entre os dois grupos, foi firmado em fevereiro último, mas não foi capaz de apaziguar os conflitos.

O Fatah se reuniu ontem para discutir a interrupção de sua participação no governo dividido.

Anteriormente, o Hamas deu um prazo para que o Fatah retirasse seus homens das ruas da Cidade de Gaza. O ultimato, transmitido pela rádio do Hamas, deu até as 14h (8h de Brasília) desta terça-feira para que todos os membros da guarda presidencial, da guarda nacional e outros órgãos de segurança ligados ao Fatah deixem as ruas.

O porta-voz do Fatah, Abdel Hakim Awad, rejeitou o ultimato e afirmou que "as forças de segurança não darão nenhuma atenção a essa bobagem e vão defender a sede da segurança com todo o seu poder".

As Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, braço armado do Fatah, declarou estado de emergência em Gaza nesta terça-feira.

"Loucura"

Lojas da Cidade de Gaza permaneceram fechadas, e as ruas estavam desertas nesta quarta-feira. Assustados, moradores preferiram ficar em casa para evitar os confrontos.

Abed Omar Qusini/Reuters
Membros de braço armado do Fatah exibem armas em Gaza
Membros de braço armado do Fatah exibem armas em Gaza

A ONU anunciou que, devido à violência, não será possível distribuir alimentos em cerca de 30% da faixa de Gaza, que depende da ajuda internacional.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, pediu o fim imediato dos confrontos. "É uma loucura o que está ocorrendo em Gaza agora", afirmou.

O premiê israelense, Ehud Olmert, expressou preocupação com a situação em Gaza nesta terça-feira e advertiu que, "se a região cair nas mãos do Hamas, haverá grande repercussão regional". Israel considera o Hamas um grupo terrorista.

O Departamento de Estado americano alertou para a situação "muito perigosa" da segurança em Gaza, pedindo que jornalistas americanos que estejam na área deixem a região.

Protestos

A onda de violência ocasionou protestos em duas grandes cidades da faixa de Gaza.

Centenas de líderes tribais, mulheres, crianças e integrantes do Jihad Islâmico foram às ruas de Gaza para protestar contra os confrontos.

Segundo testemunhas, homens armados do Hamas atiraram contra os manifestantes quando estes se aproximaram da casa de um comandante do Fatah invadida em Gaza.

A multidão ficou cercada. Bilal Qurashali, um dos manifestantes, disse ter visto um homem ser baleado na cabeça. "Não conseguíamos sair, ficamos cercados", disse ele.

Homens do Hamas posicionados em cima de um edifício abriram fogo contra cerca de mil manifestantes na cidade de Khan Younis, ferindo uma pessoa e dispersando o protesto.

Com Associated Press

 

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