Mundo
14/06/2007 - 18h59

Hamas invade escritório e casa de presidente Abbas em Gaza

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da Folha Online

Membros do Hamas invadiram nesta quinta-feira a casa e o escritório do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas --do Fatah--, situados no litoral mediterrâneo de Gaza.

O Hamas tomou o controle total da faixa de Gaza, um território de 330 quilômetros quadrados e um milhão e meio de habitantes, após cinco dias de combates com forças de segurança e membros armados do Fatah.

"Todos os quartéis-generais dos serviços de segurança da faixa de Gaza estão sob o controle das Brigadas Ezzedin al Qassam, assim como o complexo da presidência palestina na cidade de Gaza", afirmou o porta-voz do grupo, Abu Obeida.

Antes disso, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, dissolveu o governo de coalizão palestino entre seu partido Fatah e o rival Hamas, e declarou estado de emergência em Gaza.

Mohammed Salem/Reuters
Membros do Hamas exibem armas em frente a prédio da segurança do Fatah em Gaza
Membros do Hamas exibem armas em frente a prédio da segurança do Fatah em Gaza

Ao menos 29 pessoas morreram em Gaza nesta quinta-feira --18 delas membros do Fatah. Desde o início dos confrontos, há seis dias, mais de cem pessoas morreram devido à violência na região.

Abbas também pretende convocar a formação de uma força multinacional em Gaza, e planeja indicar um político independente como novo premiê palestino, para substituir o atual, Ismail Haniyeh, do Hamas, de acordo com seus assessores.

Abbas já informou os Estados Unidos, a Jordânia e o Egito de sua decisão, segundo assessores. Após o anúncio, o Hamas divulgou um comunicado rejeitando a decisão.

"O Hamas rejeita a decisão de Abbas. Em termos práticos, suas decisões não têm validade. O premiê Haniyeh continuará a ser o chefe do governo, mesmo que ele seja dissolvido por Abbas", disse o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, à agência de notícias Reuters.

No início desta semana, ministros do Fatah suspenderam sua participação no governo palestino devido à violência em Gaza, mas não desmantelaram a coalizão.

Os dois grupos disputam o controle da segurança desde que o Hamas venceu as eleições parlamentares de janeiro de 2006. Desde então, cerca de 630 palestinos morreram nos confrontos em Gaza.

O acordo para o governo de coalizão palestino, que divide o poder entre os dois grupos, foi firmado em fevereiro último, mas não foi capaz de apaziguar os conflitos.

Vitória

O Hamas já havia declarado vitória na faixa de Gaza nesta quinta-feira depois de tomar o principal complexo de segurança do partido rival Fatah na Cidade de Gaza.

Eyad Albaba/AP
Palestinos correm em direção a explosão em centro de segurança do Fatah em Gaza
Palestinos correm em direção a explosão em centro de segurança do Fatah em Gaza

Bandeiras verdes do Hamas foram hasteadas no telhado do centro de segurança, em um ato que simboliza a vitória do grupo nos confrontos, que mataram quase cem em seis dias.

Vários integrantes do Fatah tentaram resistir, mas foram rendidos e levados do local.

Segundo o Fatah, sete de seus integrantes foram atingidos por tiros na cabeça em frente ao prédio de segurança. De acordo com Jihad Abu Ayad, que testemunhou a ação, os homens foram mortos diante de suas mulheres e filhos. "Eles estão executando um a um", disse Ayad. "Eles os carregam até uma região deserta e o executam", afirmou.

Ajuda internacional

Diante da possibilidade de se estabelecer um governo liderado pelo Hamas na faixa de Gaza, o premiê israelense, Ehud Olmert, afirmou que o envio de uma força internacional para a fronteira com o Egito deveria ser considerado.

"Temos de analisar outras opções além desta, embora ela seja tentadora", afirmou Amos Gilad, alto funcionário da segurança, à rádio de Israel

A Comissão Européia (CE) suspendeu o envio de ajuda humanitária para Gaza. "A situação humanitária é catastrófica, tivemos que suspender nossas operações", afirmou o comissário para a Ajuda Européia e o Desenvolvimento, Louis Michel, à Reuters em Bruxelas.

O chefe de política externa da União Européia (UE), Javier Solana, afirmou ontem que a participação de uma força internacional está sendo analisada pela UE.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também levantou a possibilidade do envio de uma força internacional à região durante almoço entre membros do Conselho de Segurança.

Com Efe, France Presse e Reuters

 

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