Após tomar Gaza, Hamas quer controle de passagem para o Egito
da Folha Online
O grupo extremista islâmico Hamas anunciou nesta sexta-feira que planeja tomar o controle da passagem de Rafah, que liga Gaza ao Egito, após assumir o controle total em Gaza.
A passagem foi fechada desde o início da onda de violência entre o Hamas e seu rival Fatah, que já matou mais de cem em uma semana. Em cumprimento a um acordo entre os governos palestino e israelense, a passagem é monitorada por observadores europeus.
Anteriormente, Rafah era controlada por homens ligados ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. A guarda presidencial foi uma das forças de segurança ligadas ao Fatah que foram derrotadas pelo Hamas nos confrontos em Gaza.
| Mohammed Saber/Efe |
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| Membros do Hamas exibem armas em Gaza; grupo quer tomar de passagem de Rafah |
Forças de segurança egípcias e israelense se preparam para a possibilidade de uma tentativa de saída em massa de palestinos de Gaza, de acordo com a rádio de Israel.
O Egito reforçou a fronteira com Gaza, enviando mais veículos blindados e tropas.
Também nesta sexta-feira, líderes do Fatah foram detidos pelo Hamas na faixa de Gaza, mas foram libertados pouco depois sem nada sofrerem, de acordo com um porta-voz do Hamas.
O Hamas declarou vitória na faixa de Gaza nesta quinta-feira depois de tomar o principal complexo de segurança do Fatah na Cidade de Gaza. Bandeiras verdes do Hamas foram hasteadas no telhado do centro de segurança, em um ato que simboliza a vitória do grupo.
Integrantes do grupo foram às ruas para celebrar a tomada do complexo do Fatah. Eles atiraram para o alto e entregaram chocolates para a população, em comemoração.
Membros do Fatah tentaram revidar à ofensiva do Hamas na Cisjordânia, ferindo um homem do Fatah perto de Ramallah e seqüestrando integrantes do grupo em Jenin e em Nablus, onde também invadiram um escritório do Hamas e atiraram computadores pela janela.
A rádio do Fatah cancelou suas transmissões da Cidade de Gaza.
Governo dissolvido
Após a vitória do Hamas, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, dissolveu o governo de coalizão e declarou estado de emergência em Gaza.
Abbas também pretende convocar a formação de uma força multinacional em Gaza, e planeja indicar um político independente como novo premiê palestino, para substituir o atual, Ismail Haniyeh, do Hamas, de acordo com seus assessores.
Após o anúncio, o Hamas divulgou um comunicado rejeitando a decisão. "Rejeitamos a decisão de Abbas. Em termos práticos, suas decisões não têm validade. O premiê Haniyeh continuará a ser o chefe do governo, mesmo que ele seja dissolvido por Abbas", disse o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, à agência de notícias Reuters.
No início desta semana, ministros do Fatah suspenderam sua participação no governo palestino devido à violência em Gaza, mas não desmantelaram a coalizão. Os dois grupos disputam o controle da segurança desde que o Hamas venceu as eleições parlamentares de janeiro de 2006. Desde então, cerca de 630 palestinos morreram nos confrontos em Gaza.
Golpe
Homens do Hamas tomaram o escritório de Abbas na Cidade de Gaza, dizendo que o "último bastião da corrupção" do Fatah na faixa de Gaza foi derrubado.
| Arte Folha Online |
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De acordo com o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, o grupo foi "forçado" a tomar o controle do Fatah porque seus serviços de segurança "são corruptos" e "geravam caos".
"O que ocorreu no centro de segurança foi a segunda liberação da faixa de Gaza, a primeira delas foi a retirada das tropas e dos colonos de Israel da região, em setembro de 2005", disse ele em um comunicado em Gaza.
"Estamos dizendo ao nosso povo que a era do passado acabou e não irá voltar", disse Islam Shahawan, porta-voz do Hamas, à rádio do grupo. "A era da Justiça e da lei islâmica chegou".
"Não haverá diálogo com o Fatah, apenas a espada e as armas", afirmou Nezar Rayyan, um dos líderes do grupo, à rádio do Hamas. "Se Deus quiser, nós lideraremos a oração de sexta-feira no escritório do presidente [Abbas], e transformaremos o complexo de segurança [da Cidade de Gaza] em uma grande mesquita".
Ajuda internacional
Diante da possibilidade de se estabelecer um governo liderado pelo Hamas na faixa de Gaza, o premiê israelense, Ehud Olmert, afirmou que o envio de uma força internacional para a fronteira com o Egito deveria ser considerado.
A Comissão Européia (CE) suspendeu o envio de ajuda humanitária para Gaza. "A situação humanitária é catastrófica, tivemos que suspender nossas operações", afirmou o comissário para a Ajuda Européia e o Desenvolvimento, Louis Michel, à Reuters em Bruxelas.
O chefe de política externa da União Européia (UE), Javier Solana, afirmou na quarta-feira (13) que a participação de uma força internacional está sendo analisada pela UE.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também levantou a possibilidade do envio de uma força internacional à região durante almoço entre membros do Conselho de Segurança.
Com "Haaretz" e Reuters
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