Mundo
15/06/2007 - 13h45

Conferência sobre desarmamento termina sem consenso entre Rússia e Otan

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da Efe, em Viena

A Rússia e os países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) não chegaram a um consenso na conferência extraordinária sobre o tratado de Forças Convencionais na Europa (FCE), que terminou nesta sexta-feira em Viena sem um documento final.

As duas partes mantêm posturas antagônicas sobre a presença de tropas russas em território das ex-repúblicas soviéticas da Moldávia e da Geórgia.

Enquanto os membros da Otan condicionam sua ratificação do FCE --revisado em 1999 para adaptá-lo à realidade após a guerra fria-- à retirada das forças russas das ex-repúblicas soviéticas, Moscou reitera que esta exigência não tem nada a ver com o tratado.

A Rússia convocou em 28 de maio a conferência extraordinária de quatro dias sobre o FCE --que limita as armas pesadas e as forças convencionais do Atlântico até os Urais-- para expressar seu mal-estar com as condições atuais.

"Não fomos ouvidos. Continuaram nos exortando, nos pressionando, brincando com nosso interesse de cooperar construtivamente com todos os países da Europa", disse Anatoli Antonov, chefe da delegação russa, que qualificou a reunião de "insatisfatória".

Em meio a uma crescente tensão dialética sobre a instalação de um escudo antimísseis americano na República Tcheca e na Polônia, o presidente russo, Vladimir Putin, ameaçou em abril se retirar do tratado.

"Putin disse que, caso não consiga resultados aceitáveis, a retirada [do tratado] seria colocada em prática", disse Antonov, acrescentando que sua delegação preparará um resumo das discussões para o presidente russo.

O FCE foi assinado em 1990 e entrou em vigor em 1992, após o fim da União Soviética.

A delegação russa explicou que sua atual aplicação vai contra seus interesses estratégicos, por isso pede a ratificação e entrada em vigor do documento revisado em 1999.

"O Pacto de Varsóvia não existe, e o tratado FCE continua regulando o equilíbrio de forças convencionais entre países desta aliança que não existe e da Otan", assegurou.

Antonov disse que, com a versão atual do tratado, a Rússia não pode movimentar tropas livremente em seu próprio território e que as forças militares de antigos parceiros do Pacto de Varsóvia que aderiram à Otan continuam contando como forças da aliança militar comunista.

É por isso que uma das propostas da delegação russa é reduzir os armamentos dos países da Otan para compensar o potencial obtido pela Otan com sua ampliação.

 

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