Papa pede fim das guerras e rejeita justificativa da religião para violência
da Efe
da Folha Online
O papa Bento 16 fez neste domingo um "premente e aflito" apelo para que "sejam caladas as armas e parem todas as guerras no mundo". Ele afirmou que o verdadeiro diálogo inter-religioso nada tem a ver com as "tentações da indiferença à religião".
"É um dever para mim lançar daqui um premente e aflito apelo para que parem todos os conflitos armados que enchem de sangue a terra, que (...), em todas partes, o ódio ceda ao amor; a ofensa, ao perdão, e a discórdia, à união", afirmou o papa --que fez hoje sua primeira visita a Assis, como parte da celebração do oitavo centenário da conversão de Francisco de Assis (1182-1226).
Bento 16 acrescentou que todos lamentam pelos que "choram, sofrem e morrem devido à guerra e a suas trágicas conseqüências em todas as partes do mundo", referindo-se a todo o Oriente Médio, mencionando em particular o Iraque e o Líbano. Para ele, "infelizmente" os povos desses países conhecem há muito tempo "os horrores dos combates, do terrorismo e da violência cega, a ilusão de que a força pode resolver os conflitos, e a rejeição a ouvir as razões da outra parte e de fazer justiça".
"Somente um diálogo responsável e sincero, apoiado generosamente pela comunidade internacional, poderá colocar fim a tanta dor e devolver vida e dignidade às pessoas, às instituições e aos povos", afirmou.
"O espírito de Assis se opõe à violência, ao abuso da religião como pretexto para a violência", disse o papa. "Assis significa que as próprias convicções religiosas e a fidelidade, principalmente a Cristo, não são expressadas com violência e intolerância, mas no respeito ao outro, no diálogo, na liberdade, na razão e no compromisso pela paz e pela reconciliação."

