Moshe Katsav renuncia à Presidência de Israel
da Efe, em Jerusalém
O presidente de Israel, Moshe Katsav, apresentou nesta sexta-feira sua carta de renúncia à presidente do Parlamento [Knesset], Dalia Itzik, após um acordo fora dos tribunais no qual admite sua culpa em acusações de assédio sexual.
Ontem, ele teve a confirmação de que será processado por atos indecentes e assédio sexual, e não por estupro, como se esperava em um princípio. Segundo informou a rádio pública israelense, a Procuradoria deve apresentar uma ata de acusação revisada no domingo (1º).
| 19.jun.2006/Efe |
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| Moshe Katsav renuncia à Presidência de Israel |
A renúncia entrará em vigor no domingo de manhã. Itzik assumirá a Presidência de forma interina, até a posse do presidente eleito, Shimon Peres, prevista para 15 de julho.
Organizações de mulheres e a favor das vítimas de abusos sexuais convocaram para a noite de sábado uma manifestação na praça Rabin, em Tel Aviv.
Elas vão pedir a anulação do acordo negociado entre os advogados de Katsav e a Promotoria, e o julgamento do presidente por estupro.
O assessor jurídico do Estado, Menachem Mazuz, destacou que as acusações a Katsav poderiam ser punidas com uma pena máxima de 10 anos de prisão. Mas a Procuradoria Geral recomendou que ele seja condenado apenas à liberdade condicional.
Katsav, que ainda é formalmente presidente, apesar de se encontrar licenciado de suas funções, deverá também pagar a suas vítimas uma indenização cujo montante não foi revelado.
Acusações
Uma das mulheres que acusam Katsav, uma jovem identificada como "A", insistiu ontem que foi forçada a manter relações sexuais três ou quatro vezes. O chefe de Estado ameaçou arruinar a sua vida se ela não cedesse, afirmou.
Em entrevista coletiva em Tel Aviv, a denunciante explicou que Katsav se jogou sobre ela no escritório e foi forçada a manter relações sexuais porque não teve "forças para impedir".
"A", que tem mantido a sua identidade oculta durante todo o processo legal, disse que Katsav costumava telefonar para a sua casa de manhã e pedir que ela fosse ao trabalho de minissaia e sem roupa íntima. Numa ocasião, o presidente também comentou que sonhava com ela quando fazia sexo com sua mulher, Gila.
A denunciante chamou o político de "pervertido e um assediador sexual em série" e disse que ele havia "aterrorizado seu corpo e sua alma". "Os criminosos sexuais são autorizados e legitimados a fazer qualquer coisa que quiserem, sem ser castigados pela lei", criticou.
O acordo com a Procuradoria recebeu críticas da imprensa e da opinião pública. Mazuz, porém, reafirmou que não havia provas que confirmassem as suspeitas de violência sexual.
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