Reino Unido faz explosões controladas; suspeitos são interrogados
da Folha Online
Equipes de especialistas em explosivos realizaram três explosões controladas em um carro deixado em frente a uma mesquita na Escócia nesta terça-feira, no mesmo dia em que oito suspeitos de terrorismo --entre eles ao menos três médicos --são interrogados.
Uma das explosões foi realizada em um carro suspeito em frente a uma mesquita em Glasgow. "Não há informações específicas de que o veículo seja uma ameaça, mas estamos trabalhando conjuntamente com especialistas em explosivos nos últimos dias", afirmou o superintendente Stewart Daniels, da polícia de Strathclyde, à rede britânica BBC.
Em Londres, a polícia detonou um pacote suspeito perto da estação de metrô Hammersmith.
| Andy Rain/Efe |
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| Policiais patrulham ruas de Londres; suspeitos são investigados |
Segundo a polícia, no entanto, não foram encontrados explosivos em nenhum dos dois locais.
O número de detidos por suspeita de conexão com terrorismo subiu para oito na noite desta segunda-feira, depois que autoridades anunciaram a prisão de um médico indiano na Austrália, que estaria ligado aos ataques ocorridos na Inglaterra e na Escócia.
Na sexta-feira (29), dois veículos munidos com cilindros de gás, galões de gasolina e pregos foram desativados no centro de Londres. No sábado (30), um carro em chamas foi lançado contra o aeroporto de Glasgow, na Escócia. Ninguém morreu nos ataques.
Segundo autoridades australianas, o suspeito, identificado como Muhammad Haneef, foi detido no aeroporto da cidade de Brisbane, na região leste do país. "A primeira pessoa que está em custódia é um cidadão indiano trazido para a Austrália pelo Departamento de Saúde do Estado de Queensland", afirmou o premiê australiano, John Howard, à imprensa.
De acordo com Howard, um segundo médico estaria sendo interrogado pela polícia australiana. Um porta-voz do Departamento Médico de Queensland não comentou o caso.
Mais médicos
Ao menos outro dois médicos --um palestino e um iraquiano-- estariam entre os sete detidos no Reino Unido. Segundo autoridades britânicas, Bilal Talal Abdul, iraquiano que trabalhava no Hospital de Glasgow, foi um dos dois detidos no aeroporto de Glasgow no sábado.
| Andrew Milligan/AP |
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| Especialistas forenses examinam veículo deixado em frente a mesquita na Escócia |
O motorista do veículo em chamas, que não foi identificado pela polícia, está sendo tratado por graves queimaduras no Hospital Royal Alexandra, em Glasgow, onde está sob custódia.
Um homem detido em uma rodovia no centro da Inglaterra no sábado também foi identificado como um médico chamado Mohammed Jamil Abdelqader Asha, segundo a polícia.
Palestino nascido na Arábia Saudita e com passaporte jordaniano, Asha se graduou em 2004 e trabalha como neurologista na Universidade de North Staffordshire, em Stoke-on-Trent.
A polícia diz acreditar que Asha era o mentor dos atentados. Ele foi detido ao lado da mulher, Marwah, 27, que era assistente médica do Serviço Nacional de Saúde, em uma estrada no Condado de Cheshire.
Em Amã, na Jordânia, o pai de Asha descreveu o filho como um "bom muçulmano" e rejeitou as acusações de que ele estaria envolvido em uma ação terrorista ao estilo da rede Al Qaeda.
Segundo o jornal britânico "Muslim News", mais um médico, um homem detido no sábado em Liverpool seria um indiano de Bangalore, também médico, que trabalhava no hospital de Halton, no Condado de Cheshire.
Um de seus colegas afirmou ao jornal que ele foi detido, aparentemente, por utilizar o carro, o telefone celular e a conta de internet de outra pessoa, que abandonou recentemente o Reino Unido.
Segurança
Veículos foram proibidos de se aproximar diretamente de aeroportos, e medidas de segurança foram intensificadas, enquanto autoridades mantém o nível de ameaça terrorista como "crítico", o que significa que é iminente a possibilidade de um novo atentado.
Os atentados são um teste para o novo premiê britânico, Gordon Brown, que na semana passada substituiu Tony Blair.
Brown disse acreditar que os novo ataques foram feitos por terroristas ligados à Al Qaeda.
A nova ministra do Interior, Jacqui Smith, afirmou que o Reino Unido enfrenta uma "séria ameaça terrorista" e pediu que a população fique em alerta. ''Não vamos deixar este terrorismo nos intimidar', disse ela à rede de TV Sky News. "Obviamente, precisamos acirrar as medidas de segurança, e precisamos que a população fique o mais vigilante possível".
Em julho de 2005, o Reino Unido tornou-se o primeiro país da Europa Ocidental a ser alvo de ataques suicidas, após uma série de atentados contra a rede de transportes londrina, que matou 52 pessoas.
Com Efe e Reuters
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