Vaticano apresenta documento que facilita celebração de missa em latim
da Folha Online
O Vaticano apresentou neste sábado o documento do papa Bento 16 que facilita a celebração da missa em latim. Em carta, o papa afirmou que a missa em latim nunca foi juridicamente suspensa e sempre esteve permitida, e que, nestes anos, muitas pessoas e movimentos permaneceram ligados a essa prática.
Por isso, ressaltou o papa, havia a necessidade de um regulamento mais claro para chegar também a "uma reconciliação interna na Igreja".
"Trata-se de chegar a uma reconciliação interna no seio da Igreja. Olhando para trás, há a impressão de que, em momentos críticos nos quais a divisão surgia, os responsáveis da Igreja não fizeram o suficiente para conservar ou conquistar a reconciliação e a unidade", afirma a carta.
"Esse olhar nos impõe hoje uma obrigação: fazer todos os esforços para que seja possível a todos aqueles que têm verdadeiro desejo de unidade", escreveu o Papa.
O papa manifestou na carta, dirigida aos bispos, que o documento é fruto de "longas reflexões, múltiplas consultas e de oração", e lamentou que "notícias e julgamentos sem informação suficiente tenham criado confusão".
Bento 16 acrescentou que, nestes meses, as reações foram divergentes, incluindo a "aceitação de uma oposição dura a um documento desconhecido", em referência às criticas de que era anti-semita e uma volta atrás no caminho aberto pelo Concílio Vaticano 2º.
O papa ressaltou que o "temor de que se menospreze e se coloque em dúvida" a autoridade do Concílio Vaticano 2º não existe, já que o missal publicado por Paulo 6º em 1970 "obviamente é, e permanece, a norma formal da liturgia ordinária", e o de 1962 é a "extraordinária".
Os párocos devem aceitar "de boa vontade" a realização da missa em latim quando for solicitada por um grupo estável de fiéis. Será possível celebrar em qualquer dia da semana e criar paróquias "tradicionalistas". Se algum pároco colocar impedimentos à missa em latim, os fiéis poderão reclamar ao bispo, que deverá "satisfazer" o desejo.
O documento entrará em vigor em 14 de setembro deste ano.
O abandono das missas em latim depois do Concílio Vaticano 2º (1965) foi uma das causas da ruptura protagonizada pelos seguidores do bispo francês Marcel Lefebvre, que era contrário a boa parte das idéias consagradas no Concílio, como o ecumenismo, o princípio da liberdade religiosa e a substituição do chamado rito tridentino (em que o sacerdote fica de costas para os fiéis e celebra a missa em latim).
João Paulo 2º autorizou a liturgia tridentina sob algumas condições, entre elas que seja autorizada pelo bispo da diocese em questão.
Lefebvre criou a Sociedade São Pio 10, defensora da tradição e da liturgia tridentinas. Apesar de um acordo com o então cardeal Joseph Ratzinger (hoje papa), Lefebvre consagrou seus sucessores em 1987 sem a aprovação de João Paulo 2º, que o excomungou em 1988. Bento 16 quer uma reaproximação.
Com informações da Efe
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