Rússia propõe a EUA e Otan criar um sistema antimísseis global até 2020
da Folha Online
da Efe
A Rússia propõe aos Estados Unidos (EUA) e à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que criem juntos até 2020 um sistema global de defesa contra mísseis, e para isso está disposta a trocar "tecnologias sensíveis", afirmou neste domingo o vice-primeiro-ministro russo Serguei Ivanov.
Em entrevista para o canal de televisão Rossia, o político defendeu as últimas iniciativas do Kremlin de cooperação militar, como alternativa ao plano dos EUA de instalar seu escudo antimísseis na Europa do Leste perto das fronteiras russas.
'Propomos criar, aproximadamente para 2020, um sistema global único de defesa contra mísseis, com participação eqüitativa de muitos Estados e com acesso de todos ao comando desse sistema', disse Ivanov na entrevista, divulgada pela agência russa de notícias "Interfax".
Ivanov acrescentou que essa alternativa russa a um escudo antimísseis global dos EUA e da Otan incluiria "a troca de tecnologias militares muito sensíveis", o que contribuiria para criar 'um clima de mais confiança' entre eles. "Isso mudaria toda a arquitetura de segurança e o nível de confiança mútua, pois as partes, ao ter acesso eqüitativo, não se considerariam mais inimigos ou rivais, e deixariam definitivamente no passado a Guerra Fria."
Rússia e EUA vêm atravessando um momentos de tensão nos últimos meses devido à proposta dos Estados Unidos de construir instalações de defesa antimísseis no Leste Europeu. Segundo o governo americano, as novas instalações seriam coordenáveis no futuro com os sistemas da Otan, para defesa de possíveis ataques de países como Irã e Coréia do Norte.
O governo russo afirma que o plano dos EUA ameaça seus próprios mísseis e coloca em cheque a doutrina de distensão que vem marcando as relações entre os dois países desde o fim da União Soviética e da chamada Guerra Fria. A Rússia afirma que países como o Irã levariam 15 ou 20 anos para criar mísseis próprios de longo alcance. Ivanov disse hoje que "nunca questionamos o fato de que a proliferação de tecnologias de mísseis entranha uma grave ameaça para a segurança de muitos países, incluindo a Rússia".
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