Pré-candidatos respondem a perguntas enviadas pelo YouTube nos EUA
da Efe, em Washington
A internet invadiu de forma definitiva o processo eleitoral dos Estados Unidos. Pela primeira vez na história, oito pré-candidatos democratas à Presidência responderam a perguntas formuladas por eleitores pelo site YouTube.
Ao contrário do que aconteceu nos três debates anteriores, os aspirantes democratas à Casa Branca responderam a perguntas feitas principalmente por jovens americanos sem muita experiência política.
O debate foi organizado pela rede de televisão CNN e pelo YouTube. Foram duas horas de perguntas e respostas na Academia Militar Citadel, na Carolina do Sul, o primeiro Estado a receber eleições primárias do Partido Democrata, no dia 29 de janeiro.
As perguntas cobriram uma ampla gama de temas. Os candidatos tiveram que falar sobre racismo, casamento homossexual, salário mínimo, Guerra do Iraque e a possibilidade de diálogo com governantes estrangeiros como o presidente de Cuba, Fidel Castro, e o da Venezuela, Hugo Chávez.
Nas últimas semanas, 2.300 vídeos com perguntas foram enviados ao YouTube, mas só 20 foram aproveitados. Segundo John Rosa, decano da Academia Militar, o formato do debate não tem precedentes.
"A tecnologia está mudando a forma de fazer história e, claro, a forma de escolher nossos candidatos", disse Rosa.
Perguntas e respostas
A maior prova de que foi um momento histórico veio quando, em uma tela instalada em frente aos pré-candidatos, um jovem negro perguntou se, sendo políticos, eles eram capazes de responder de forma direta, "sem rodeios".
"Por que vocês acham que vão ser melhores que os republicanos na Casa Branca e no Congresso?", perguntou outro.
"Porque eu tenho uma perspectiva, que diz que as coisas em Washington têm que mudar", respondeu o senador Barack Obama.
A também senadora Hillary Clinton respondeu que o problema é saber quem está verdadeiramente preparado para desempenhar a tarefa desde o primeiro dia na Casa Branca, em 20 de janeiro de 2009.
A ex-primeira-dama, que pode ser a primeira presidente dos Estados Unidos, afirmou que tem uma experiência de 35 anos como agente de mudança e que pretende manter a trajetória na Casa Branca.
O ex-senador John Edwards defendeu a participação de Hillary, mas se definiu como o pré-candidato com "idéias mais concretas e mais atrevidas".
Como era de se esperar, os candidatos democratas criticaram o presidente de EUA, George W. Bush, e a Guerra do Iraque. Hillary rejeitou o termo liberal aplicado aos membros de seu partido, como equivalente a esquerdista.
"Prefiro o termo 'progressista', que tem um significado muito mais americano", disse.
O governador do estado do Novo México, Bill Richardson, que quer ser o primeiro hispânico a disputar a Presidência dos Estados Unidos, prometeu defender os direitos dos homossexuais. Já o senador Christopher Dodd disse que seu objetivo é conseguir a união de todos os americanos.
O também senador Joseph Biden se declarou partidário de enviar tropas a Darfur para acabar com a guerra civil no Sudão. No entanto, Hillary opinou que isso seria impossível, em um momento em que grande parte da força militar dos Estados Unidos está no Iraque.
Os outros dois participantes do debate foram o congressista Dennis Kucinich e o ex-governador Michael Gravel.
Baixas
O formato do debate mostrou a importância que a internet ganhou como meio usado pelos candidatos para conseguir votos, divulgar a sua mensagem e angariar fundos. O YouTube se tornou um instrumento fundamental na campanha, já deixando algumas vítimas no caminho.
Uma delas foi o republicano George Allen. Ele perdeu a reeleição para o Senado em 2006 e teve que renunciar a suas aspirações presidenciais. Tudo porque apareceu no YouTube referindo-se a uma mulher de origem oriental como "macaca".
No formato, os pré-candidatos apresentaram seus próprios vídeos durante o debate. O de Edwards brincou com os comentários sobre o excesso de cuidados com o seu penteado. Com o tema do musical "Hair" ao fundo, o vídeo termina dizendo "O que realmente importa? Você escolhe".
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