Mundo
30/07/2007 - 11h04

Taleban dá mais dois dias de prazo para libertação de reféns

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da Folha Online

Após o vencimento de dois ultimatos nesta segunda-feira para o cumprimento de exigências do grupo radical islâmico Taleban, guerrilheiros afegãos voltaram a estender até a próxima quarta-feira (1) o prazo para a libertação --ou morte-- de 22 reféns sul-coreanos seqüestrados no sul do Afeganistão, informou a agência Associated Press.

O Taleban pede a libertação de 23 prisioneiros do grupo em prisões afegãs em troca da soltura dos reféns e afirma que eles serão mortos caso o governo em Cabul não atenda à exigência.

Lee Jae-hyuk/Reuters
Parentes de reféns sul-coreanos participam de vigília pedindo retorno do grupo
Parentes de reféns sul-coreanos participam de vigília pedindo retorno do grupo

O governador da Província de Ghazni, Marajudin Pathan, afirmou à Associated Press que os talebans concordaram em estender o prazo para permitir mais tempo para as negociações. Segundo a rede de TV americana CNN o governo afegão rejeitou a possibilidade de libertar guerrilheiros talebans em troca dos reféns.

Inúmeros outros prazos dados pelo grupo se esgotaram sem que reféns tenham sido mortos, apesar de o Taleban ter matado a tiros o líder dos sul-coreanos na última quarta-feira (25). O grupo de religiosos sul-coreanos foi seqüestrado na Província de Ghazni em 19 de julho.

Pathan afirmou que as autoridades negociaram com o Taleban neste domingo e pediram por mais dois dias de prazo. "Felizmente eles não rejeitaram nosso pedido a princípio, mas disseram que precisavam falar com seus líderes", disse o governador mais cedo hoje.

Apesar de os governos em Cabul e Seul terem rejeitado planos de libertarem os reféns à força, as tentativas de negociar a soltura do grupo até agora falharam. O presidente afegão, Hamid Karzai, apelou para as tradições de hospitalidade e cavalheirismo do país para pedir a libertação das 18 mulheres do grupo de reféns, mas não obteve sucesso.

Em seus primeiros comentários sobre o seqüestro, Karzai criticou o Taleban por levar "hóspedes estrangeiros", especialmente mulheres, o que seria contrário aos princípios do Islã. "A prática deste ato hediondo em nosso solo é uma subversão total de nossos valores islâmicos e afegãos", disse o presidente ao enviado sul-coreano no país durante um encontro no palácio presidencial.

O porta-voz do Taleban, no entanto, invocou o princípio de "olho por olho", afirmando que militares do Ocidente mantêm mulheres afegãs presas em bases em Bagram e Candahar, e que por isso o grupo pode fazer o mesmo.

Apelos

Até o papa Bento 16 fez um apelo pela libertação dos reféns neste domingo. Para o papa, as ações do grupo são "graves violações da dignidade humana, que contrastam com qualquer norma elementar de civilização e de direito, e ofendem gravemente a lei divina".

Reuters
Corpo do sul-coreano Bae Hyung-kyu, morto pelo Taleban, chega a Incheon, oeste de Seul
Corpo do sul-coreano Bae Hyung-kyu, morto pelo Taleban, chega a Incheon, oeste de Seul

Bento 16 lançou um apelo para que "os autores dos atos criminosos desistam do mal realizado e devolvam imunes a suas vítimas". Ele criticou, ainda, "a prática de instrumentalizar pessoas inocentes" para fazer reivindicações.

Vários líderes envolveram-se nas negociações, incluindo um antigo comandante do Taleban, Abdul Salaam Rocketi, atualmente membro do parlamento. Muitos são de Qarabagh, perto de onde os sul-coreanos foram seqüestrados no dia 19 de julho, quando faziam o trajeto rodoviário de Cabul para Candahar.

No entanto, o porta-voz Qari Yousef Ahmadi, do Taleban, afirmou que a delegação de líderes "não tem o poder de libertar prisioneiros". A questão é o principal pedido do Taleban para libertar os reféns.

Ele afirmou que o Taleban deseja que os reféns "vão para casa sãos", mas que antes devem ser soltos 23 militantes de prisões afegãs. Originalmente 23 pessoas foram seqüestradas pelo grupo, mas uma foi morta por razões que ainda não estão claras.

O morto é o pastor Bae Hyung-kyu, 42.

Com Associated Press e Reuters

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