Mundo
30/07/2007 - 14h12

Taleban anuncia morte de mais um refém sul-coreano no Afeganistão

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da Folha Online

Enquanto autoridades afegãs e líderes guerrilheiros estudavam um novo prazo para o cumprimento de exigências em troca da libertação de 22 reféns sul-coreanos no Afeganistão, o movimento radical islâmico Taleban matou mais um seqüestrado nesta segunda-feira, afirmou um porta-voz citado pela agência Reuters. "Matamos um refém do sexo masculino porque o governo não ouviu nossas exigências", disse Qari Mohammad Yousuf à Reuters por telefone.

O Taleban pede a libertação de 23 prisioneiros do grupo em prisões afegãs em troca da soltura dos reféns e afirma que eles serão mortos caso o governo em Cabul não atenda à exigência. O grupo seqüestrou 23 religiosos sul-coreanos em Ghazni no dia 19 de julho. O primeiro a ser morto foi o pastor Bae Hyung-kyu, 42, na última quarta-feira (25). Hoje, o grupo anunciou a morte do refém Sung Sin, assassinado a tiros e jogado em uma estrada de Quarabagh, em Ghazni.

AP
Corpo de refém morto na última quarta chega a Seul; Taleban anuncia nova execução
Corpo de refém morto na última quarta chega a Seul; Taleban anuncia nova execução

Yousuf disse ainda que o Taleban vai matar mais reféns se Cabul ignorar a exigência de libertar prisioneiros, mas não deu novo prazo. Ele afirmou que o corpo do refém foi jogado em uma estrada.

Anteriormente, o governador da Província de Ghazni, Marajudin Pathan, havia afirmado à agência Associated Press que os talebans concordaram em estender o prazo para permitir mais tempo para as negociações até a próxima quarta-feira (1). Segundo a rede de TV americana CNN, o governo afegão rejeitou a possibilidade de libertar guerrilheiros talebans em troca dos reféns.

Pathan afirmou que as autoridades negociaram com o Taleban neste domingo e pediram por mais dois dias de prazo. "Felizmente eles não rejeitaram nosso pedido a princípio, mas disseram que precisavam falar com seus líderes", disse o governador mais cedo hoje.

Apesar de os governos em Cabul e Seul terem rejeitado planos de libertarem os reféns à força, as tentativas de negociar a soltura do grupo até agora falharam. O presidente afegão, Hamid Karzai, apelou para as tradições de hospitalidade e cavalheirismo do país para pedir a libertação das mulheres do grupo de reféns, mas não obteve sucesso.

Em seus primeiros comentários sobre o seqüestro, Karzai criticou o Taleban por levar "hóspedes estrangeiros", especialmente mulheres, o que seria contrário aos princípios do Islã. "A prática deste ato hediondo em nosso solo é uma subversão total de nossos valores islâmicos e afegãos", disse o presidente ao enviado sul-coreano no país durante um encontro no palácio presidencial.

O porta-voz do Taleban, no entanto, invocou o princípio de "olho por olho", afirmando que militares do Ocidente mantêm mulheres afegãs presas em bases em Bagram e Candahar, e que por isso o grupo pode fazer o mesmo.

Apelos

Até o papa Bento 16 fez um apelo pela libertação dos reféns neste domingo. Para o papa, as ações do grupo são "graves violações da dignidade humana, que contrastam com qualquer norma elementar de civilização e de direito, e ofendem gravemente a lei divina".

Reuters
Corpo do sul-coreano Bae Hyung-kyu, morto pelo Taleban, chega a Incheon, oeste de Seul
Corpo do sul-coreano Bae Hyung-kyu, morto pelo Taleban, chega a Incheon, oeste de Seul

Bento 16 lançou um apelo para que "os autores dos atos criminosos desistam do mal realizado e devolvam imunes a suas vítimas". Ele criticou, ainda, "a prática de instrumentalizar pessoas inocentes" para fazer reivindicações.

Vários líderes envolveram-se nas negociações, incluindo um antigo comandante do Taleban, Abdul Salaam Rocketi, atualmente membro do parlamento. Muitos são de Qarabagh, perto de onde os sul-coreanos foram seqüestrados no dia 19 de julho, quando faziam o trajeto rodoviário de Cabul para Candahar.

No entanto, o porta-voz Qari Yousef Ahmadi, do Taleban, afirmou que a delegação de líderes "não tem o poder de libertar prisioneiros". A questão é o principal pedido do Taleban para libertar os reféns.

Ele afirmou que o Taleban deseja que os reféns "vão para casa sãos", mas que antes devem ser soltos 23 militantes de prisões afegãs.

Com Associated Press e Reuters

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