Mundo
30/07/2007 - 16h43

TV Al Jazira exibe imagens de sul-coreanos reféns do Taleban

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da Folha Online

A emissora árabe de TV Al Jazira exibiu nesta segunda-feira um vídeo que mostra vários dos sul-coreanos mantidos como reféns por insurgentes do grupo radical islâmico Taleban, no Afeganistão. O vídeo foi ao ar horas depois de o grupo ter anunciado a morte de um dos seqüestrados.

arquivo/Efe
Foto cedida pela igreja SamMool mostra o grupo sul-coreano antes de partir para o Afeganistão
Foto cedida pela igreja SamMool mostra o grupo sul-coreano antes de partir para o Afeganistão

A emissora de TV por satélite não informou como obteve o vídeo, cuja autenticidade não pôde ser confirmada imediatamente. "A Al Jazira conseguiu imagens mostrando os reféns coreanos mantidos pelo movimento [Taleban] com uma fonte de fora do Afeganistão", disse um jornalista da emissora, sem dar detalhes.

As imagens mostraram ao menos sete mulheres usando véus na cabeça de acordo com a lei islâmica --quatro sentadas no chão, de olhos fechados ou olhando para baixo, e as demais paradas perto de homens em trajes afegãos, aparentemente guerrilheiros.

O rosto de um homem asiático também vestindo tradicionais trajes afegãos foi mostrado, mas não ficou claro se ele era refém ou insurgente.

As mulheres pareciam não estar machucadas no vídeo curto e de imagens tremidas, aparentemente gravado por um cinegrafista amador. O vídeo foi gravado em um ambiente escuro, provavelmente um cômodo. A emissora não divulgou o áudio do vídeo, mas os reféns não estavam falando.

Morte dos reféns

Nesta segunda-feira, um porta-voz do Taleban, citado pela agência Reuters, confirmou a morte de mais um dos reféns. "Matamos um refém do sexo masculino porque o governo não ouviu nossas exigências", disse Qari Mohammad Yousuf à Reuters por telefone.

AP
Corpo de refém morto na última quarta chega a Seul; Taleban anuncia nova execução
Corpo de refém morto na última quarta chega a Seul; Taleban anuncia nova execução

O Taleban pede a libertação de 23 prisioneiros do grupo em prisões afegãs em troca da soltura dos reféns e afirma que eles serão mortos caso o governo em Cabul não atenda à exigência. O grupo seqüestrou 23 religiosos sul-coreanos em Ghazni no dia 19 de julho.

O primeiro a ser morto foi o pastor Bae Hyung-kyu, 42, na última quarta-feira (25). Hoje, o grupo anunciou a morte do refém Sung Sin, assassinado a tiros e jogado em uma estrada de Quarabagh, em Ghazni.

Yousuf disse ainda que o Taleban vai matar mais reféns se Cabul ignorar a exigência de libertar prisioneiros, mas não deu novo prazo. Ele afirmou que o corpo do refém foi jogado em uma estrada.

Negociações

Anteriormente, o governador da Província de Ghazni, Marajudin Pathan, havia afirmado à agência Associated Press que os talebans concordaram em estender o prazo para permitir mais tempo para as negociações até a próxima quarta-feira (1). Segundo a rede de TV americana CNN, o governo afegão rejeitou a possibilidade de libertar guerrilheiros talebans em troca dos reféns.

Ahn Young-joon/AP
Manifestantes sul-coreanos pedem retirada das tropas do Afeganistão e retorno de reféns
Manifestantes sul-coreanos pedem retirada das tropas do Afeganistão e retorno de reféns

Pathan afirmou que as autoridades negociaram com o Taleban neste domingo e pediram por mais dois dias de prazo. "Felizmente eles não rejeitaram nosso pedido a princípio, mas disseram que precisavam falar com seus líderes", disse o governador mais cedo hoje.

Apesar de os governos em Cabul e Seul terem rejeitado planos de libertarem os reféns à força, as tentativas de negociar a soltura do grupo até agora falharam. O presidente afegão, Hamid Karzai, apelou para as tradições de hospitalidade e cavalheirismo do país para pedir a libertação das mulheres do grupo de reféns, mas não obteve sucesso.

Em seus primeiros comentários sobre o seqüestro, Karzai criticou o Taleban por levar "hóspedes estrangeiros", especialmente mulheres, o que seria contrário aos princípios do Islã. "A prática deste ato hediondo em nosso solo é uma subversão total de nossos valores islâmicos e afegãos", disse o presidente ao enviado sul-coreano no país durante um encontro no palácio presidencial.

O porta-voz do Taleban, no entanto, invocou o princípio de "olho por olho", afirmando que militares do Ocidente mantêm mulheres afegãs presas em bases em Bagram e Candahar, e que por isso o grupo pode fazer o mesmo.

Apelos

Até o papa Bento 16 fez um apelo pela libertação dos reféns neste domingo. Para o papa, as ações do grupo são "graves violações da dignidade humana, que contrastam com qualquer norma elementar de civilização e de direito, e ofendem gravemente a lei divina".

Lee Jae-hyuk/Reuters
Parentes de reféns sul-coreanos participam de vigília pedindo retorno do grupo
Parentes de reféns sul-coreanos participam de vigília pedindo retorno do grupo

Bento 16 lançou um apelo para que "os autores dos atos criminosos desistam do mal realizado e devolvam imunes a suas vítimas". Ele criticou, ainda, "a prática de instrumentalizar pessoas inocentes" para fazer reivindicações.

Vários líderes envolveram-se nas negociações, incluindo um antigo comandante do Taleban, Abdul Salaam Rocketi, atualmente membro do parlamento. Muitos são de Qarabagh, perto de onde os sul-coreanos foram seqüestrados no dia 19 de julho, quando faziam o trajeto rodoviário de Cabul para Candahar.

No entanto, o porta-voz Qari Yousef Ahmadi, do Taleban, afirmou que a delegação de líderes "não tem o poder de libertar prisioneiros". A questão é o principal pedido do Taleban para libertar os reféns.

Ele afirmou que o Taleban deseja que os reféns "vão para casa sãos", mas que antes devem ser soltos 23 militantes de prisões afegãs.

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Com Reuters e Associated Press

 

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