Mundo
31/07/2007 - 12h40

Ataque do Taleban mata dois em Cabul; polícia acha corpo de refém

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da Folha Online

Em meio à crescente tensão com o seqüestro de religiosos sul-coreanos no Afeganistão, o movimento radical islâmico Taleban assumiu a autoria de um ataque nesta terça-feira contra soldados dos Estados Unidos nos arredores de Cabul.

A explosão de um carro-bomba matou dois civis afegãos e feriu quatro soldados americanos e três afegãos na capital do Afeganistão, segundo um porta-voz militar. O atentado ocorreu pouco depois de a polícia afegã ter encontrado o corpo de Shim Sung-min, 29, o segundo refém a ser assassinado pelo Taleban desde o início do seqüestro de 23 sul-coreanos, no dia 19 de julho.

Arte Folha Online

O ataque de hoje, perpetrado por um homem-bomba, teve como alvo um comboio dos EUA perto de Camp Phoenix, uma base americana na estrada para Jalalabad. Depois do ataque, soldados americanos abriram fogo contra policiais que chegavam ao local, matando ao menos um deles.

"Houve um engano entre as forças presentes na cena do ataque suicida e as novas forças que chegavam lá nesta manhã", afirmou um porta-voz do Ministério do Interior, Zemerai Bashary.

Zabiullah Mujaheed, que afirmou ser porta-voz do Taleban, disse que o grupo islâmico estava por trás do ataque. Ele identificou o suicida dentro do carro-bomba como Mullah Ahmad.

Refém

Também hoje, o Taleban deu ao governo afegão até as 12h desta quarta-feira (4h30 de Brasília) para o cumprimento das exigências para a libertação dos 21 reféns que ainda estão em poder do grupo e ameaçou matar outros sul-coreanos se não forem atendidos.

AP
Uma das reféns sul-coreanas é vista em vídeo divulgado na TV Al Jazira
Uma das reféns sul-coreanas é vista em vídeo divulgado na TV Al Jazira

Ex-funcionário de tecnologia da informação e missionário no Afeganistão, Shim Sung-min foi morto depois que dois outros prazos dados pelo grupo radical expiraram nesta segunda-feira. O Taleban pede a libertação de 23 prisioneiros do grupo em prisões afegãs em troca da soltura dos reféns, além da retirada das tropas sul-coreanas do Afeganistão. O grupo seqüestrou 23 religiosos sul-coreanos na Província de Ghazni no dia 19 de julho.

O primeiro refém a ser morto foi o pastor Bae Hyung-kyu, 42, na última quarta-feira (25). Hoje, o corpo de Shim foi encontrado em um campo perto de uma estrada em Arzoo, uma vila a cerca de 10 km da cidade de Ghazni.

"Se o governo em Cabul e o governo sul-coreano não nos derem uma resposta positiva sobre a libertação dos prisioneiros talebans até amanhã às 12h, vamos começar a matar mais reféns", disse o porta-voz dos radicais Qari Mohammad Yousuf à agência Reuters, por telefone, de um local desconhecido.

Apelo em Seul

Famílias sul-coreanas pediram nesta terça-feira que os Estados Unidos e a comunidade internacional ajudem a resolver pacificamente o seqüestro que já dura 13 dias no Afeganistão.

"Apelamos por apoio do povo dos EUA e ao redor do mundo para resolver essa crise o quanto antes", disse Kim Jung-ja, mãe de Lee Sun-young, uma das 21 pessoas ainda reféns.

AP
Corpo de refém morto na última quarta chega a Seul; Taleban anuncia nova execução
Corpo de refém morto na última quarta chega a Seul; Taleban anuncia nova execução

"Especialmente, as famílias querem que os EUA desconsiderem interesses políticos e dêem mais apoio ativo para salvar a vida de 21 inocentes", disse ela, lendo um comunicado em nome das famílias, em Seul.

O apelo reforçou um comunicado divulgado anteriormente, nesta terça-feira, pelo governo da Coréia do Sul. "O governo está bem ciente de como a comunidade internacional lida com esses tipos de casos de seqüestro", afirmou Seul em comunicado. "Mas também acredita que seria útil adotar flexibilidade na causa de salvar a preciosa vida daqueles ainda reféns e está apelando à comunidade internacional para isso."

Apesar das novas mortes, o presidente afegão, Hamid Karzai, se nega a libertar prisioneiros talebans. Um porta-voz do governo afirmou que ceder às exigências apenas encorajaria mais seqüestros. "Estamos fazendo o melhor possível pelos interesses dos reféns e do governo", afirmou o porta-voz.

Em março, Karzai foi duramente criticado por libertar um grupo de prisioneiros talebans em troca da libertação de um jornalista italiano seqüestrado pelos radicais. O porta-voz governamental afirmou ainda que qualquer tentativa de libertar os reféns colocaria as vidas dos sul-coreanos em risco.

Apelo internacional

Em meio à crise, ministros das Relações Exteriores de 16 países asiáticos fizeram um apelo nesta terça-feira pela libertação incondicional dos reféns, e observaram um minuto de silêncio pela memória dos dois seqüestrados assassinados pelo Taleban.

"Os ministros expressaram sua mais profunda compaixão pelas famílias das vítimas, pelo povo e pelo governo da Coréia do Sul", afirmou em um comunicado a Associação dos Países do Sudeste da Ásia (Asean) depois de um encontro em Manila.

"Eles emitiram um apela pela soltura imediata e incondicional dos reféns que ainda restam para que eles possam ser reunidos novamente com suas famílias", disse ainda o texto.

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Com Reuters e Associated Press

 

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