Casamento real foi marcado por adultério e tentativas de suicídio
da Folha Online
Na TV, um conto de fadas da realeza; por trás das câmeras, adultério, mentiras e tentativas de suicídio. Segundo biógrafos e a mídia especializada, assim foi o casamento entre Diana Spencer e o príncipe Charles.
Lady Diana se tornou a princesa de Gales em 29 de julho de 1981, quando se casou com Charles na Catedral de Saint Paul, em Londres, em uma cerimônia transmitida ao vivo para entre 750 milhões e 1 bilhão de telespectadores em todo o mundo.
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| Princesa Diana e o príncipe Charles acenam para o público após casamento em 1981 |
Nas ruas que levavam à igreja, outros dois milhões de pessoas se espremiam na tentativa de ver a chegada da noiva, protegida por 4.000 policiais e 2.228 soldados. Uma das mais esperadas visões era a do vestido da futura princesa, desenhado pelos estilistas David e Elizabeth Emanuel e guardado como segredo de Estado até a data.
O conto fadas, porém, só funcionava para o público. "Acho que o dia do meu casamento foi o pior dia da minha vida", disse ela, anos mais tarde, segundo fitas de áudio divulgadas pela rede de TV americana NBC. As fitas foram a base de uma das inúmeras biografias da princesa, "Diana: Her True Story", de Andrew Morton.
Desde antes do casamento, a imprensa já perseguia Diana insistentemente, a ponto de sua mãe ter enviado uma carta à revista "People" perguntando: "Vocês precisam mesmo assediar minha filha todos os dias?".
Para muitos biógrafos, no entanto, a própria Diana cativava a atenção exagerada dos jornais, marcando almoços com jornalistas, fazendo confidências e posando para os paparazzi. "Ela própria uma aristocrata, Diana sabia que a aristocracia por nascimento era agora irrelevante. Só o que importa hoje é a aristocracia da exposição", afirma a jornalista britânica Tina Brown em sua recém-lançada biografia da princesa, "The Diana Chronicles".
Nem todos os problemas, porém, foram culpa da mídia. Especula-se que mesmo antes das bodas reais, Charles já não era fiel. Camilla Parker-Bowles, que atualmente carrega o título de princesa de Gales, conhecera e se tornara amiga do príncipe nos anos 70.
O site Biography Online afirma que Camilla, tendo sido rejeitada como noiva em potencial por sua "falta de linhagem real, farta experiência sexual e idade" --ela é pouco mais de um ano mais velha do que o príncipe--ajudou Charles a selecionar Diana para futura mulher.
Charles só admitiu publicamente, porém, ter se tornado amante de Camilla a partir de 1986, cinco anos depois de se casar.
Filhos e fracasso
Após o casamento, a vida de Diana foi ocupada com cerca de 170 eventos oficiais por ano como membro da família real. Meses depois do casamento, em novembro de 1981, Diana anunciou ao mundo que estava grávida.
Seu primeiro filho, William, nasceu em 21 de junho de 1982, às 21h03, no hospital St Mary, em Paddington, Londres. Pouco mais de dois anos depois, em 15 de setembro de 1984, Diana teve o príncipe Henry de Wales conhecido como Harry.
Pouco depois, em meados dos anos 1980, o fracasso do casamento de Charles e Diana começou a ser amplamente divulgado na mídia mundial. O príncipe era caracterizado na imprensa como um homem que se comportava como um velho, e sua jovem mulher aparecia como figura solitária e vítima da sisudez da corte.
Amantes
Segundo a biógrafa da princesa Tina Brown, a verdade é que o "tédio" tomou conta do casamento real. Charles retomou o relacionamento com Camilla e Diana também teve vários amantes.
O amante mais conhecido da princesa é o capitão de um regimento da guarda real e instrutor de montaria James Hewitt, com quem ela confessou ter se relacionado em uma entrevista ao jornalista Martin Bashir. "Sim, me apaixonei por ele. Eu o adorava", disse a princesa na TV.
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| A princesa Diana, morta em um acidente de carro em agosto de 1997 |
Além de Hewitt, ela também teria sido amante de James Gilbey, amigo de longa data. Gilbey nega até hoje o romance, mas foi protagonista do escândalo conhecido como "Squidgygate".
O caso se tornou notório quando fitas de áudio de uma conversa telefônica entre os dois no Ano Novo de 1989 foram divulgadas pela imprensa: Diana chama o vendedor de "darling" [querido] e ele se refere à princesa pelo apelido de "squidgy" [qualidade associada à maciez].
Outro suposto amante de Diana foi um de seus guarda-costas, Barry Mannakee, com quem teria se relacionado em 1985. Mannakee morreu em um acidente de motocicleta em 1987. A princesa chegou a comentar com jornalistas, inclusive com Tina Brown, que achava que Mannakee poderia ter sido assassinado.
Segundo Brown, também foram amantes da princesa o negociador de arte Oliver Hoare e o jogador de rugby Will Carling. A mulher do último pediu o divórcio alegando o caso dele com a princesa.
Divórcio
Os príncipes de Gales se separaram em 9 de dezembro de 1992, e seu divórcio foi finalizado em 28 de agosto de 1996. A separação ocorreu em meio a um novo escândalo, desta vez envolvendo Charles e Camilla, quando o caso entre os dois se tornou público.
Depois do divórcio, quando deu entrevistas explosivas, Diana afirmou que "havia três pessoas no casamento", em referência a Camilla. "Estava um pouco cheio demais", disse, irônica.
Em 2004, sete anos após sua morte, a rede de TV americana NBC divulgou fitas nas quais Diana discute seu casamento com Charles e afirma ter tentado cometer o suicídio.
Numa amostra das fitas, exibida no site da NBC, a princesa afirma: "Estava tentando cortar meus pulsos com giletes (...) Tentávamos nos esconder de todos (...) Eu estava tão desesperada".
As fitas ficaram com a princesa durante sua vida, mas depois que ela morreu, uma batalha judicial terminou entregando o material ao treinador de voz de Diana, que as filmou originalmente.
Morte
Depois da separação, Diana namorou publicamente o cirurgião de origem indiana Hasnat Khan, que, segundo Tina Brown, foi "o verdadeiro amor" da princesa.
O caso não durou muito tempo, e em breve Diana se envolveu com Dodi al Fayed, o filho milionário do dono da loja de departamento Harrods.
Em 1997, Diana e Al Fayed morreram em um acidente automobilístico em Paris. O pai de Dodi especulou publicamente que eles foram assassinados em um complô da realeza britânica, que se opunha ao namoro da mãe do herdeiro do trono com um homem de origem árabe.
Charles, depois de manter o relacionamento com Camilla por anos, finalmente se casou com a amante em abril de 2005. Ela se tornou duquesa da Cornualha e hoje acompanha com freqüência o marido em suas visitas oficiais ao exterior.
Com "Times", "The New York Times", "The Diana Chronicles", Biography Online, Biography.com, e Britannica
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