Mundo
01/08/2007 - 11h46

Bloco sunita abandona governo do Iraque

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da Associated Press

O maior bloco político sunita do Iraque anunciou sua retirada do governo nesta quarta-feira, em uma ação que mina os esforços do premiê iraquiano Nouri al Maliki para buscar a reconciliação entre as facções rivais do país.

O anúncio chega uma semana depois que a Frente de Acordo do Iraque, que possui seis ministros e 44 dos 275 parlamentares do Iraque, apresentou uma série de exigências a Al Maliki. O grupo havia dado ao premiê até esta quarta-feira para cumprir as demandas e, como não foi atendido, renunciou.

"O governo continua com sua arrogância, se recusando a mudar de posição, e fechou as portas para qualquer reforma significativa que poderia salvar o Iraque", disse Rafaa al Issawi, um dos líderes da Frente de Acordo, em uma entrevista coletiva.

"Esperávamos que o governo responderia a essas demandas, ou amenos reconheceria as falhas em suas políticas, que levaram o Iraque a um nível de miséria inédito na história moderna. Mas sua posição não nos surpreendeu. A Frente de Acordo do Iraque anuncia sua retirada do governo de Nouri al Maliki", completou o legislador.

Al Issawi disse que o bloco de seis ministros submeteria sua resignação mais tarde hoje.

Exigências

Entre as exigências do bloco, estavam o perdão para prisioneiros detidos sem acusações específicas; o desmantelamento de grupos armados; e a participação de todos os grupos representados no governo em discussões sobre assuntos de segurança.

A ação do bloco sunita representa a segunda retirada do governo de "unidade nacional" de Al Maliki. Cinco ministros leais ao clérigo radical xiita Moqtada al Sadr deixaram o governo em abril para protestar contra a relutância do premiê em anunciar um cronograma de retirada das tropas dos Estados Unidos do Iraque.

Al Issawi afirmou que o bloco continuará a ser ativo politicamente. O vice-presidente sunita Tariq al Hashemi, disse que a semana de prazo dada a Al Maliki fora suficiente para uma decisão.

"Nossas experiências passadas não eram encorajadoras. Não acreditamos que uma extensão do prazo com base em promessas seria frutífera", disse Al Hashemi, que lidera o moderado Partido Islâmico do Iraque, um dos que fazem parte da Frente de Acordo.

O vice-presidente, no entanto, não descartou uma possível volta ao governo. "Se a reforma chegar amanhã, a Frente poderá reconsiderar sua decisão. Não vamos abandonar nosso papel no processo político, então as portas estão abertas", afirmou.

Nova aliança

O presidente do Iraque, Jalal Talabani, que mediava o diálogo entre a Frente de Acordo e Al Maliki, tentou sem sucesso atrair Al Hashemi para longe dos outros grupos do bloco sunita.

Talabani quer a presença do vice-presidente na nova Aliança dos Moderados, que deverá incluir dois dos maiores partidos xiitas, dois partidos curdos e legisladores independentes.

Al Hashemi, no entanto, deixou claro nos últimos dias que não se unirá a uma nova coalizão com os mesmos parceiros que, segundo ele, "vêm marginalizando a minoria sunita".

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