Mundo
01/08/2007 - 17h33

Taleban diz que reféns estão vivos; Exército pede esvaziamento da região

Publicidade

da Folha Online

Todos os 21 reféns sul-coreanos atualmente seqüestrados no Afeganistão continuam vivos, afirmou nesta quarta-feira Qari Mohammad Yousuf, porta-voz do movimento radical islâmico Taleban, enquanto o Exército alertava moradores para esvaziar áreas próximas de onde se acredita que os insurgentes estejam mantendo os reféns.

O último prazo dado pelo Taleban para o cumprimento de exigências em troca da libertação dos reféns venceu às 12h (4h30 de Brasília) desta quarta-feira, aumentando a tensão sobre a situação do grupo.

AP
Uma das reféns sul-coreanas é vista em vídeo divulgado na TV Al Jazira
Uma das reféns sul-coreanas é vista em vídeo divulgado na TV Al Jazira

"Sim, eles estão vivos", disse Yousuf à agência Reuters por telefone de um local desconhecido. "Mas o risco [de assassinato] ainda permanece. É possível que eles sejam mortos" disse ele, sem estabelecer prazos.

Os radicais islâmicos seqüestraram 23 religiosos sul-coreanos no último dia 19 de julho na Província de Ghazni. Pela libertação do grupo, o Taleban exige a soltura de guerrilheiros islâmicos e a retirada das tropas sul-coreanas do Afeganistão. Dois reféns já foram assassinados quando prazos anteriores expiraram --Shim Sung-min, 29, foi morto na última segunda-feira (30), e o pastor Bae Hyung-kyu, 42, na última quarta-feira (25).

O Taleban informou que seu líder, Mulá Omar, designou três membros do alto conselho do grupo para supervisionar a situação dos reféns. Os três líderes poderão ordenar a morte dos sul-coreanos a qualquer momento.

O governo afegão já se manifestou contrário à libertação de prisioneiros em troca da soltura dos reféns, alegando que isso estimularia ações similares.

Alerta do Exército

O Ministério da Defesa afirmou que helicópteros do Exército afegão lançaram panfletos nesta quarta-feira avisando moradores de Ghazni para irem a áreas seguras, para evitar mortes de civis durante uma operação que deve ser lançada "nas próximas semanas".

Mas o ministério afirmou se tratar de uma operação de rotina, sem relação com o seqüestro. Tanto tropas afegãs quanto estrangeiras estão posicionadas na área, segundo uma autoridade local.

Até hoje, operações para resgatar os reféns foram descartadas pelo governo afegão, que afirma que ações do tipo colocariam os sul-coreanos em grande risco. O Taleban afirmou que dividiu as 18 mulheres e três homens em grupos menores e os detém em diferentes regiões do país.

Por telefone, o porta-voz do Taleban afirmou nesta quarta-feira que o Exército não iniciou operações de resgate pelos reféns, mas disse que o Taleban notou um aumento no movimento de tropas afegãs na Província de Ghazni nas últimas 24 horas.

Ele alertou que qualquer tentativa de resgate pode pôr em risco a vida dos sul-coreanos

Doentes

O porta-voz do Taleban afirmou nesta quarta-feira que duas reféns estão muito doentes. "A maioria dos reféns estão doentes, mas duas mulheres estão seriamente doentes e há possibilidade de morrerem", disse Yousuf. Ele acrescentou que ambas estão com uma doença desconhecida e que o Taleban não tem os medicamentos adequados para tratá-las.

37.jul.2007/AP
O corpo de Shim Sung-min, 29, foi encontrado ontem por policiais afegãos
O corpo de Shim Sung-min, 29, foi encontrado ontem por policiais afegãos

Famílias sul-coreanas pediram ontem que os Estados Unidos e a comunidade internacional ajudem a resolver pacificamente o seqüestro que já dura 13 dias no Afeganistão.

"Apelamos por apoio do povo dos EUA e ao redor do mundo para resolver essa crise o quanto antes", disse Kim Jung-ja, mãe de Lee Sun-young, uma das 21 pessoas ainda reféns.

"Especialmente, as famílias querem que os EUA desconsiderem interesses políticos e dêem mais apoio ativo para salvar a vida de 21 inocentes", disse ela, lendo um comunicado em nome das famílias, em Seul.

Pressão internacional

O apelo reforçou um comunicado divulgado anteriormente, nesta terça-feira, pelo governo da Coréia do Sul.

Arte Folha Online

"O governo está bem ciente de como a comunidade internacional lida com esses tipos de casos de seqüestro", afirmou Seul em comunicado. "Mas também acredita que seria útil adotar flexibilidade na causa de salvar a preciosa vida daqueles ainda reféns e está apelando à comunidade internacional para isso."

Também ontem, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), o sul-coreano Ban Ki-moon, condenou em comunicado oficial nesta terça-feira o assassinato dos dois reféns pelo Taleban.

Ki-moon também demonstrou preocupação com a libertação dos 21 sul-coreanos que ainda permanecem reféns, e destacou que no grupo de cristãos voluntários há "muitas mulheres jovens que chegaram para ajudar ao povo do Afeganistão e não deveriam ser parte do conflito desse país".

Em meio à crise, ministros das Relações Exteriores de 16 países asiáticos fizeram um apelo nesta terça-feira pela libertação incondicional dos reféns, e observaram um minuto de silêncio pela memória dos dois seqüestrados assassinados pelo Taleban.

Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br

Com France Presse, Reuters e Associated Press

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca