Mundo
07/08/2007 - 14h19

Presidente do Irã defende programa nuclear e criação de "OPEP" do gás

Publicidade

da Folha Online

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse em uma entrevista na Argélia nesta terça-feira que o país persa vai continuar a desenvolver seu controverso programa nuclear apesar da oposição internacional. Ele também afirmou que se recusa a conversar com qualquer país que não reconheça o direito iraniano de uso civil desta fonte de energia.

Zohra Bensemra/Reuters
Presidente do Irã chega a palácio presidencial em Argel hoje para visita diplomática
Presidente do Irã chega a palácio presidencial em Argel hoje para visita diplomática

"O Irã não pode manter conversas com países que não reconhecem este direito", disse o presidente em uma entrevista coletiva realizada em Argel, capital da Argélia. "Os iranianos vão continuar com seus esforços em adquirir energia nuclear para fins pacíficos", afirmou Ahmadinejad.

O Irã é suspeito de desenvolver tecnologia nuclear para para fins militares.

O Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) impôs sanções ao país por repetidamente se recusar a suspender o enriquecimento de urânio.

Os questionamentos da ONU em relação às intenções nucleares do Irã reconhecem o direito do país à energia nuclear, mas não ao desenvolvimento de armas. A Rússia constrói um reator nuclear no país asiático sob supervisão internacional, apesar do acordo ter atrasos repetidos.

Diplomatas americanos e europeus disseram hoje que os atrasos russos em relação a seus compromissos com a ativação do reator nuclear de Bushehr representam um esforço para pressionar a República Islâmica a mostrar mais adequação com os pedidos do CS da ONU.

EUA

Ahmadinejad acusou a comunidade internacional de tentar mobilizar energias para isolar o Irã no que concerne a seu programa nuclear. O presidente iraniano não nomeou quais países seriam estes, mas as críticas foram uma alusão aos Estados Unidos, segundo a Associated Press.

Um dos "culpados" deste isolamento, segundo Ahmadinejad, são "as forças de ocupação no Iraque, por abastecerem o terrorismo internacional".

"Alguns países querem impor sua vontade e hegemonia no mundo. Para proteger seus interesses, eles contribuem para a exacerbação do terrorismo", disse o presidente iraniano.

Argélia

A visita de Ahmadinejad à Argélia colocou o país do Norte da África em uma situação diplomática complicada. O governo argelino é um aliado na guerra ao terror liderada pelos Estados Unidos e assinou um acordo de cooperação de energia nuclear com o país da América do Norte em junho.

A questão nuclear do Irã com o Ocidente foi um dos diversos itens da agenda de conversas nesta segunda-feira entre Ahmadinejad e o presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika.

O presidente iraniano falou do "apoio" argelino ao Irã e disse também que os dois países estão " na vanguarda da luta contra a hegemonia colonial" nesta terça-feira.

A Argélia cortou relações diplomáticas com o Irã em 1993, quando acusou o governo de Teerã de apoiar extremistas islâmicos. Na época, o Exército argelino lutava contra a insurgência islâmica que estourou no país nos anos 90 e continua a existir em algumas regiões. As relações foram restauradas em 2002.

Gás

Ahmadinejad convidou os argelinos a aderir a uma espécie de OPEP (organização que reúne os principais países exportadores de petróleo do mundo) para o gás natural. O presidente iraniano volta a se reunir hoje com o presidente argelino para tratar de uma série de acordos para cooperação.

Assuntos como tráfego aéreo, dupla taxação de impostos e a construção de uma fábrica de cimento estão na pauta dos governantes.

O Irã quer promover uma cooperação com a Argélia nos setores de energia, construção, agronomia, metalúrgico e da indústria automobilística, segundo o presidente iraniano.

Racionamento

No Irã, motoristas enfrentam um racionamento do gasolina desde o dia 27 de junho. Apesar de ser o segundo maior produtor de petróleo da OPEP, o Irã não tem a capacidade de refinar todo o combustível de que precisa e importa cerca de 40% de suas demandas internas.

O governo teme que oferecer o produto por preços mais altos, sem o subsídio governamental, aumente a inflação, que está na casa dos 16%. Há um mercado negro para o produto no país.

Uma das saídas para o racionamento é a de que os iranianos podem comprar sua cota com um avanço de até seis meses, mas analistas dizem que isto apenas adiaria o teste real porque os motoristas podem não sentir a pressão em seus hábitos de direção agora.

Com Associated Press, Reuters e EFE

Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca