Após acordo na Turquia, premiê iraquiano visita Irã para discutir segurança
da Folha Online
Nouri al Maliki, primeiro-ministro do Iraque, chegou nesta quarta-feira ao Irã para conversar sobre relações bilaterais e como melhorar a segurança em seu país. A viagem representa a segunda visita do premiê ao país vizinho em menos de um ano e deve durar três dias. As informações são da Associated Press.
| Hasan Sarbakhshian/AP |
![]() |
| Al Maliki (no centro) é recebido hoje pelo vice-presidente do Irã, Parviz Davoodi (à esq.) |
O primeiro-ministro chega a Teerã um dia depois de visitar a Turquia, onde assinou um compromisso de ação conjunta na identificação de um grupo rebelde curdo no norte iraquiano. Al Maliki disse que o Parlamento do Iraque teria a palavra final em relação aos esforços para coibir a guerrilha rebelde curda, acusada de cruzar a fronteira para realizar ataques na Turquia.
A Turquia havia ameaçado enviar homens para o norte do Iraque a não ser que o país e os Estados Unidos reprimissem o grupo separatista Partida dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Há décadas o grupo mantém bases nas montanhas curdas do Iraque.
"Nós chegamos a um acordo para para acabar com a presença do Partido dos Trabalhadores do Curdistão no Iraque", disse o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan, em entrevista coletiva, ao lado de Nouri al Maliki.
A cooperação entre os países pode barrar uma possível incursão turca no Iraque, ação que encontra resistência em Washington. Os EUA dizem que o PKK é um grupo terrorista, mas que as forças americanas estão ocupadas com o caos em outras regiões do Iraque e querem preservar o norte do país, de maioria curda, como uma área de relativa tranqüilidade.
O governo de Al Maliki, já enfraquecido, foi atingido pela saída de membros de grupos sunitas, mas continua com a porção curda de sua coalizão. No entanto, alguns membros desta minoria questionam a participação do grupo no governo e o premiê deve teme perder o apoio dos curdos, segundo a Associated Press.
Apesar de assinar o acordo sobre os rebeldes turcos, Al Maliki se recusou a assinar um acordo de de combate ao terrorismo. O premiê disse que não estava em seu poder decidir sobre uma questão como essa sem consultar seu Parlamento, segundo um oficial iraquiano.
Al Maliki disse que se recusou a assinar o pacto contra o terrorismo devido às objeções curdas de que o PKK seja uma organização terrorista.O curdos alegam que o uso de tal classificação daria aos turcos um pretexto para invadir a região, segundo o oficial.
Apenas neste ano, a escalada de violência em acontecimentos envolvendo o PKK deixou 80 soldados turcos mortos.
Ontem, rebeldes mataram um tenente e feriram dois guardas na explosão de uma bomba em uma estrada na Província de Hakkari, que faz fronteira com Iraque e Irã, enquanto generais turcos estavam no funeral de um oficial morto pelos rebeldes na capital.
Com Associated Press e Reuters
Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br
Leia mais
- Funcionários da ONU pedem retirada do Iraque
- Tropas americanas no Iraque chegam a recorde de 162 mil soldados
- Governo decretará toque de recolher em Bagdá durante peregrinação
Especial


