EUA investigam morte de brasileiro em prisão de Rhode Island
da Folha Online
Autoridades dos Estados Unidos investigam a morte do brasileiro Edmar Alves Araújo, 34, pouco após sua prisão em Rhode Island (Nova Inglaterra, leste), informou nesta quinta-feira (9) o jornal americano "The Boston Globe". A família de Araújo afirma que Edmar morreu depois que a polícia se recusou a repassar a ele remédios para epilepsia que o brasileiro precisava tomar diariamente.
Segundo a polícia, havia uma ordem de deportação contra Araújo de 2002. Ele foi preso na tarde da última terça-feira (7), passou mal na prisão e foi levado a um hospital, onde morreu poucas horas depois.
A irmã do brasileiro, Irene Araújo, conta que imediatamente após receber um telefonema de Edmar da prisão levou sua medicação, Gardenal, até a estação de polícia de Woonsocket. Segundo Irene, porém, os policiais se recusaram a aceitar o remédio.
"Eu disse a eles que Edmar precisava da medicação, tentei explicar que ele sofria de problemas com convulsões", disse. "Ele não pode passar nem um dia sem seus remédios".
Irene afirma, porém, que as autoridades disseram que qualquer condição médica específica deveria ser reportada pelo próprio detido. Ela diz que oficiais ignoraram seus pedidos repetidos e alertas de urgência.
"Eles não me deram chance de mostrar nada. Não disseram nada", diz Irene, citada pelo "Boston Globe".
Imigração
Uma porta-voz da Agência de Imigração e Alfândegas dos EUA confirmou que Edmar Araújo morreu na terça-feira enquanto estava sob custódia federal, segundo o "Boston Globe". Ela não comentou sobre as acusações da família do brasileiro a respeito da recusa em fornecer medicação.
A porta-voz, Paula Grenier, não soube explicar se há alguma regra que impede a transferência de medicamentos para um detido. "O bem-estar dos presos é uma preocupação primordial", disse, de acordo com o jornal.
Grenier informou que autoridades federais estavam investigando a morte.
Prisão
Irene Araújo disse que seu irmão vivia nos EUA havia mais de cinco anos e trabalhava em um posto de gasolina, além de realizar trabalhos como pintor, na cidade de Milford.
Ela disse ainda que Edmar tinha um filho de 13 anos, que vivia na Itália, e que sempre que possível enviava dinheiro para sua mãe, de 65 anos, que vive no Brasil. "Ele sustentava nossa mãe", afirmou.
Segundo o relato de Irene ao "Boston Globe", Araújo estava dirigindo para Woonsocket para visitá-la na última terça-feira (7) quando foi aparentemente parado por policiais devido a uma infração de trânsito.
Ele foi então levado para a estação policial de Woonsocket, de onde fora levado por agentes federais na mesma tarde devido à descoberta de um mandado de deportação datado de 2002 contra ele.
Morte
A porta-voz da Imigração federal afirmou que o brasileiro estava sendo fichado no Escritório de Detenção e Remoção de Providence quando começou a dar sinais de perturbações. Ela disse que o serviço de emergência foi chamado e levou para o Hospital Rhode Island, onde Araújo foi declarado morto às 16h18 (17h48 de Brasília) de terça-feira.
O "Boston Globe" afirmou que, por temer represálias devido a problemas com seu status legal, a família de Araújo não havia decidido se reportaria o caso às autoridades.
Shuya Ohno, da Coalizão de Massachusetts em Defesa de Imigrantes e Refugiados, afirmou ao jornal americano que a morte de Araújo comprova as preocupações a respeito do tratamento das agências do governo aos detidos.
"Esta é uma história que ouvimos o tempo todo. Eles não deixam as pessoas receberem sua medicação. O que deveria ser um acontecimento chocante não é tão surpreendente assim", afirmou.
Com "The Boston Globe"
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