Mundo
29/08/2007 - 17h15

Pai de Dodi diz que acidente foi "conspiração" da família real

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da Folha Online

As mortes de Diana e Dodi al Fayed levantaram inúmeras especulações e até hoje, dez anos mais tarde, algumas das circunstâncias do acidente de carro ainda não foram totalmente esclarecidas.

Em 1999, investigadores franceses concluíram, em um relatório de 6.000 páginas, que o acidente foi causado pelo motorista, Henri Paul, que estaria embriagado e tentava fugir dos paparazzi em alta velocidade. A Mercedes que transportava o casal e um guarda-costas entrou no túnel da ponte D'alma a 160 km/h. O limite permitido é de 50 km/h.

O pai de Dodi, Mohamed al Fayed, qualificou o relatório de "altamente insatisfatório" e afirmou que ele deixava questões "sem resposta".

Shaun Curry/AFP
Mohamed al Fayed, pai de Dodi, diz que acidente foi conspiração
Mohamed al Fayed, pai de Dodi, diz que acidente foi conspiração

O bilionário egípcio acusa a família real britânica de estar por trás da morte de seu filho e da princesa. Ele alega que os serviços secretos agiram para evitar que a mãe do futuro rei da Inglaterra pudesse se casar com um muçulmano.

No entanto, uma investigação judicial iniciada em 2004 concluiu que as mortes foram conseqüência de um "trágico acidente", e descartou a hipótese de envolvimento da família real.

Assim como a equipe francesa, os investigadores britânicos também afirmaram que o acidente foi causado pelo motorista, que teria "perdido o controle da Mercedes por estar dirigindo rápido demais e sob os efeitos de álcool e tranqüilizantes".

Um novo inquérito sobre a morte de Diana e Al Fayed teve início em 8 de janeiro de 2007, e foi submetido a juíza Elizabeth Butler-Sloss. Em 24 de abril deste ano, ela pediu afastamento do caso, dizendo que não possui a "experiência necessária" para realizar uma investigação deste porte. O caso fo transferido em junho para o juiz Scott Baker.

Jerome Delay/AP
Mercedes em que estavam Diana e Dodi no dia do acidente fatal em ponte de Paris
Mercedes em que estavam Diana e Dodi no dia do acidente fatal em ponte de Paris

Em maio deste ano, os advogados de Al Fayed, que é dono das lojas de departamento Harrod´s, pediram a implicação da rainha Elizabeth 2ª na investigação sobre a morte de Diana.

Em uma audiência preliminar no Tribunal Superior de Londres, Michael Mansfield, advogado de Al Fayed, pediu que a rainha seja "diretamente contatada" em relação às supostas conversas que manteve com Paul Burrell, ex-mordomo de Diana.

Segundo o advogado, as referências a estes diálogos foram alteradas em documentos policiais aos quais o milionário egípcio teve acesso.

Livro

No livro "A Royal Duty" ["Uma Questão de Honra"], de 2004, Burrell também levantou a hipótese de conspiração da família real contra a princesa.

Na publicação, o ex-mordomo divulga uma carta escrita pela princesa na qual Diana diz suspeitar de que uma pessoa estivesse planejando sua morte em um acidente de carro.

Antes de selar a carta, Diana teria dito a Burrell: "Vou datar isto e quero que você guarde (...) só por garantia". Na época, o tablóide britânico "Daily Mirror" identificou o príncipe Charles, ex-marido de Diana, como a pessoa de quem ela suspeitava.

Gravidez

À época da morte de Diana, especulou-se ainda que ela estivesse grávida de Dodi al Fayed. No entanto, a investigação judicial de 2004 rejeitou essa possibilidade.

"Estamos certos que a princesa de Gales não estava grávida no momento de sua morte. Nossas conclusões se baseiam em exames forenses feitos em amostras de sangue recolhido no local", afirmou Lord Stevens, responsável pela investigação, em seu relatório.

Segundo Stevens, evidências recolhidas por meio de amigos indicam que Diana também não estava comprometida a se casar com Al Fayed, como também foi especulado.

Outra polêmica se formou, na época, em torno do uso do cinto de segurança. A imprensa internacional noticiou que Diana não costumava usar cinto, e também levantou a hipótese de os cintos terem falhado, aumentando a suspeita de sabotagem.

O tablóide britânico "Daily Express" também questionou, após a morte da princesa, por quê a ambulância que transportou Diana levou mais de uma hora para chegar ao Hospital Pitié-Salpêtrière, tendo passado por outros dois hospitais no caminho.

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