Teste indica pouco oxigênio onde mineiros dos EUA estão presos
da Folha Online
Novos testes realizados na mina Crandall Canyon, no Estado americano de Utah, onde seis mineiros estão presos desde a última segunda-feira (6) apontam níveis de oxigênio preocupantes. Na madrugada de hoje um microfone foi introduzido na câmara onde se acredita que estejam os trabalhadores e foi registrado silêncio, de acordo com as equipes de resgate.
O resultado da falta de comunicação pode indicar que os trabalhadores estão mortos, mas a coordenação do resgate anunciou que continua otimista.
| Rick Bowmer/AP |
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| Nelda Erickson segura foto do marido, Don, que está preso na mina Crandall Canyon em Utah |
Uma cavidade de 6 centímetros de diâmetro foi perfurada até câmara para que se pudesse verificar se os trabalhadores estão vivos. É pelo pequeno túnel que a sonda e os microfone foram introduzidos.
Uma análise coletada por uma sonda introduzida no local mostra um nível de oxigênio de cerca de 7%, que comprometeria a sobrevivência na câmara, segundo as equipes de resgate.
Uma amostragem anterior apontava para 20% de oxigênio, taxa que permitiria a sobrevivência no local, segundo Robert Murray, da Murray Energy Corp., empresa que explora atividades na mina.
Richard Stickler, chefe da Administração de Saúde e Segurança das Minas, disse que o microfone pode não ter chegado ou não registrado os homens. Ele acredita que os trabalhadores possam ainda estar vivos.
Seguindo esta hipótese, as equipes de resgate acreditam que a inserção de uma câmera de vídeo por uma perfuração mais larga possa trazer alguma prova de que os homens estão vivos. As equipes perfuram um buraco maior nas rochas, de cerca de 23 centímetros de diâmetro.
| Rick Bowmer/Reuters |
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| Equipes de resgate não conseguem sinais de vida dos mineiros; há pouco oxigênio no local |
A retirada dos homens do local, no entanto, deve acontecer em no mínimo quatro dias, segundo Robert Murray, da Murray Energy Corp., empresa que controla a mina.
"Nós vamos continuar com nosso plano, manteremos nossas esperanças", disse Stickler.
A temperatura na câmara é de cerca de 14 ºC., segundo Murray. O empresário também afirmou que cada mineiros leva normalmente um galão de 1,9 litros de água e possui lanternas com baterias de 14 horas de duração.
Os mineiros têm sido identificados como Kerry Allred, Don Erickson, Brandon Phillips, Manuel Sánchez, Carlos Payán e Luis Hernández. Três são mexicanos e não há informações certas sobre seu status nos EUA.
Causas
As causas do desabamento da mina causaram polêmica na mídia dos EUA. Jornalistas sugeriram que a queda do teto de galerias não foi causada por um terremoto, como anunciado inicialmente, mas sim por uma ação dos mineiros --eles teriam retirado os últimos pilares de carvão da mina.
| Rick Bowmer/AP |
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| Cartaz no caminho para a mina onde estão os trabalhadores diz: "Deus abençoe nossos seis" |
"Isso foi causado por um terremoto", disse o dono da mineradora que administra a mina. "Não foi nada que a Murray Energy fez, nem nossos empregados, nem nossa gerência. Foi um desastre natural. Um terremoto. Eu vou provar a vocês", afirmou o empresário.
Sismógrafos registraram um evento de magnitude 3,9 na escala Richter nas primeiras horas do dia do colapso, e autoridades pensaram inicialmente se tratar de um terremoto. Mais tarde, pesquisadores da Universidade de Utah e do Centro de Pesquisas Geológicas dos EUA afirmaram que o tremor sentido fora provavelmente o próprio colapso da mina.
A empresa Murray Energy afirma que o tremor foi registrado com um epicentro mais de mil metros abaixo do local onde os mineiros estavam.
O Centro Nacional de Informações do Terremotos no Colorado disse que vários eventos sísmicos foram registrados desde então, mas que eles podem ser apenas reflexos do desabamento da mina.
Método polêmico
A técnica de retirar os pilares de carvão depois que uma mina é explorada é usada em cerca de 10% das extratoras do produto. O método é perigoso, segundo uma pesquisa do Instituto Nacional de Saúde e Segurança Ocupacional.
O estudo afirma que os mineiros no local de retirada dos pilares possuem três vezes mais chances de morrerem em um desmoronamento que trabalhadores em outras partes da mina. Já Friend, da Administração de Saúde e Segurança das Minas, disse que, quando os operadores seguem as regras, o método é seguro.
Antes de usar o método de retirada dos pilares as empresas têm de enviar mapas ao órgão federal que descrevem a prática.
Tony Oppegard, um antigo funcionário do órgão federal, e que hoje administra uma consultoria que investiga segurança em minas, disse que o método é tão perigoso que o Estado americano de Kentucky analisa as minas 48 horas antes da operação.
Com Associated Press, Reuters e EFE
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