Violentos ataques deixam 175 mortos e 200 feridos no Iraque
da Folha Online
Em um dos piores ataques no Iraque, terroristas explodiram de forma sincronizada quatro caminhões carregados com combustível no norte do país, causando a morte de ao menos 175 pessoas, além de deixar mais de 200 feridos, segundo a agência de notícias Reuters. Redes de TV locais pedem doação de sangue devido ao grande número de vítimas.
Helicópteros do Exército dos Estados Unidos ajudam a remover os feridos. O ataque desta terça-feira é o mais mortífero desde 23 de novembro de 2006, quando 215 pessoas morreram em ataques com disparos e cinco carros-bomba na região de Sadr City, em Bagdá.
Os ataques ocorreram por volta das 20h (13h de Brasília), quando quatro suicidas, conduzindo caminhões lotados de combustível, explodiram seus veículos em diferentes pontos a oeste de Mossul. Ao mesmo tempo, insurgentes seqüestraram o vice-ministro do Petróleo, Abd al Yabur Al Wakaa, na mesma região.
Dhakil Qassim, prefeito de Sinjar, cidade que fica na região dos ataques, acusou a rede terrorista Al Qaeda pelos ataques.
Aparentemente, o alvo dos ataques era a etnia Yazidi, uma pequena comunidade majoritariamente curda, que se concentra nos arredores de Mossul e, dentro de sua cultura, adoram o anjo Melek Taus, considerado o Demônio para alguns muçulmanos e cristãos.
A etnia vive no norte do Iraque, fala dialeto curd e possui cultura e religião próprias. Seus integrantes crêem em um Deus criador do mundo e respeitam os profetas da Bíblia e do Alcorão --em particular, Abraão-- mas veneram principalmente Malak Taus, que dirige os arcanjos e é com freqüência representado por um pavão. A população Yazidi é estimada em 500 mil pessoas.
Membros do grupo são alvos freqüentes de violência no norte do Iraque. Em abril último, uma adolescente yazidi foi morta por estar apaixonada por um muçulmano. O vídeo de seu linchamento foi divulgado na internet. No mesmo mês, 23 membros da minoria foram mortos a tiros.
Ofensiva
Também hoje, 16 mil soldados americanos e iraquianos lançaram uma nova operação contra insurgentes no norte do Iraque.
O general Benjamin Mixon, comandante das forças americanas no norte do Iraque, afirmou que as tropas tentam capturar células da rede Al Qaeda que se esconderam na região após ofensivas anteriores.
"Nosso principal objetivo é eliminar as organizações terroristas (...) e mostrar a elas que não há local seguro --especialmente em Diyala", disse Mixon em um comunicado.
Helicóptero
Também hoje, cinco soldados dos EUA morreram após a queda de um helicóptero americano perto da base aérea de Taqaddum, a oeste de Bagdá, de acordo com comunicado militar.
O helicóptero CH-47 Chinook realizava um vôo de teste quando foi atacado na Província de Anbar, segundo o porta-voz da Corporação dos Marines, Shawn Mercer.
O local foi cercado pelo Exército e as causas do acidente estão sendo investigadas.
As mortes elevam para 3.700 o número de soldados dos EUA mortos desde o início do conflito no Iraque, em março de 2003, de acordo com a agência Associated Press.
Com Associated Press e Reuters
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