Mundo
15/08/2007 - 08h43

Mortos em ataques no Iraque já são 200; EUA suspeitam da Al Qaeda

da Folha Online

Os EUA afirmaram hoje que suspeitam da ligação da rede terrorista Al Qaeda com os ataques suicidas que mataram ao menos 200 nesta terça-feira no Iraque.

De acordo com o Exército, ainda é cedo para atribuir a responsabilidade a algum grupo, mas a "proporção e a natureza coordenada dos atentados" aponta para uma possível ação da rede.

"Consideramos a rede Al Qaeda a principal suspeita", afirmou o porta-voz militar Christopher Garver. Os EUA condenaram os atentados, que qualificaram de "bárbaros".

Na ação, terroristas suicidas explodiram cinco carros-bomba em uma área residencial Yazidi localizada nas vilas de Kahtaniya e Al Jazeera, a oeste de Mossul, no norte do Iraque. O vilarejo de Tal Uzair também foi atingido, de acordo com autoridades. Segundo o prefeito do distrito de Sinjar, Dakheel Qassim Hasoun, ao menos 200 pessoas morreram nas ações.

Arte Folha Online

Se confirmadas as mortes, os ataques serão os mais mortíferos no Iraque desde novembro de 2006, quando a explosão de seis carros-bomba em diferentes áreas do país matou 215 pessoas e feriu outras 250.

Após as explosões, autoridades impuseram um toque de recolher em Sinjar, que fica próximo da fronteira com a Síria. Aparentemente, o alvo dos ataques era a etnia Yazidi, uma pequena comunidade estimada em 500 mil pessoas que se concentra nos arredores de Mossul e adora o anjo Melek Taus, considerado o Demônio para alguns muçulmanos e cristãos.

A etnia vive no norte do Iraque, fala dialeto curdo e possui cultura e religião próprias. Seus integrantes crêem em um Deus criador do mundo e respeitam os profetas da Bíblia e do Alcorão --em particular, Abraão-- mas veneram principalmente Malak Taus, que dirige os arcanjos e é com freqüência representado por um pavão.

Membros do grupo são alvos freqüentes de violência no norte do Iraque. Em abril último, uma adolescente yazidi, Duaa Khalil Aswad, 17, foi morta por estar apaixonada por um muçulmano. O vídeo de seu linchamento foi divulgado na internet. No mesmo mês, 23 membros da minoria foram mortos a tiros.

Operação

Os ataques ocorreram no mesmo dia em que tropas americanas e iraquianas lançaram uma ampla ofensiva para deter a ação insurgente no país. A operação conta com 16 mil homens.

O general Benjamin Mixon, comandante das forças americanas no norte do Iraque, afirmou que as tropas tentam capturar células da rede Al Qaeda que se esconderam na região após ofensivas anteriores.

"Nosso principal objetivo é eliminar as organizações terroristas (...) e mostrar a elas que não há local seguro --especialmente em Diyala", disse Mixon em um comunicado.

"Essa violência indiscriminada intensifica nossa determinação na missão contra os terroristas que atormentam o povo iraquiano", disseram, em um comunicado conjunto, o embaixador americano para o Iraque, Ryan Crocker, e o comandante militar General David Petraeus.

Com Reuters, Associated Press e Efe

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